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O filme “Nienasycenie” (“Insatiability”) é baseado no romance de Stanislaw Ignacy Witkiewicz, escrito na década de 1930, sobre o colapso da civilização ocidental visto pelos olhos de um confuso jovem. Foi exibido no Festival of Polish Feature Films em Gdynia e selecionado para o Festival Internacional de Berlim.
É situado na Polônia em um futuro próximo no qual a Europa está tentando defender sua identidade em face de um ataque dos chineses. Ao mesmo tempo, um jovem de 18 anos tenta descobrir sua identidade, tanto em termos sexuais quanto sociais e até mesmo metafísicas. Ele é herdeiro de uma grande cervejaria na Polônia. Enquanto seu pai está no leito de morte, o filho se deixa influenciar por uma dominante princesa russa, Irina. No entanto, sua iniciação é com um compositor corcunda, que usa argumentos filosóficos para seduzi-lo. O jovem, com uma fixação por autoridade, ainda se rende ao comandante luchowicz e sofre a influência da atriz russa Persy, de caráter dominador e demoníaco .
Abordando uma suposta futura invasão da China na Europa Oriental, “Insatiability” é um passeio cinematográfico selvagem, com humor negro e sátira socioeconômica. Os eventos são bizarros, a linha entre o sonho e a realidade são muitas vezes embaçadas e traz uma sensação surreal. Para completar, alguns dos mesmos atores desempenham múltiplos papéis.
Não é uma obra indicada para quem procura um “clássico desconhecido” ou simplesmente erotismo. “Nienasycenie” é uma história bizarra, de gosto duvidoso, que mostra um mundo onde a guerra e o sexo tornaram-se parceiros permanentes.
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É uma adaptação caótica como o Nienasycenie de Witkancy, o qual ainda não li totalmente, mas tive contato com a obra pelo link wolnelektury. pl/media/book/pdf/witkacy-nienasycenie. pdf e alguns trechos traduzidos em inglês na internet, assim como ao restante de sua obra teatral, na pintura e na filosofia.
Mantém o caos da literatura do autor, mas incorpora uma licença sexual criadora de Grodecki, conhecido pela sua trilogia da prostituição masculina tcheca, o que produz um saldo negativo à complexidade da obra. A leitura de Grodecki é bastante simplista, pois ignora o papel das pílulas de Murti-Bing, enquanto metáfora para domesticação e aceitação interior do absurdo e do totalitário, a postura crítica e reflexiva de Witkancy sobre a metafísica na arte - o que o filme explora no personagem do pianista corcunda- e ainda, na última meia hora do filme, apela para uma zombaria bufona, caricata e racista dos chineses, como se estes fossem responsáveis pela decadência imperialista do ocidente ou o pior da decadência dos mundos. A crítica de Witkancy aos totalitarismos e à tecnocracia economicista ocidental permite ver na arte uma forma de invenção diante do caos do mundo, o filme de Grodecki só inventa nas citações de Witkancy e nem na imitação crua do grotesco no autor, ele conseguir se exprimir de modo não caricato.