Dirigido por
Duração
Em um pequeno apartamento de Buenos Aires, repleto de lembranças e invadido por um enorme piano de cauda, as gêmeas Cavallini, de 91 anos, passam os dias entre o amor e o ódio de seu vínculo simbiótico peculiar. Lá, elas relembram seus dias como dupla de piano profissional e algo parece se iluminar em seus olhos. A música volta com toda a força do passado.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
No pequeno apartamento, disputam espaço obras de arte, estátuas de santos, quadros e fotografias, além de um grande e raro piano de cauda que provavelmente vale mais do que o imóvel em que habitam as irmãs. A direção capta bem a bagunça de objetos, tão abarrotados e acumulados como a mente das duas.
Uma sensação inicial de cheiro de mofo e desordem é substituída pelo sentimento final de aconchego. Parte disso vem de escolhas técnicas, como preferir a luz âmbar confortável, sem a artificialidade de equipamentos de iluminação que reportagens televisivas normalmente utilizam. O impacto visual é sentido, por exemplo, quando outros ambientes são explorados, como as refeições no fast food.
A intimidade é conquistada pela cineasta e transferida para o público. Aprende-se que bonecas de brinquedo têm importância e não deixa de ser doce acompanhá-las mimando os bebês-fake (um pouco assustadores, inclusive).
No entanto, em um momento de dor das irmãs, pra quê a câmera persegue ferozmente aquele sofrimento? Dado o tom do documentário, o poder sugestão talvez fosse mais adequado, até porque o fato de ter ido com a câmera trêmula atrás do que ocorreu nada explica. Da mesma forma, em um depoimento emocionado, a câmera faz questão de corrigir o quadro para melhor enquadrar o rosto da personagem. Qual o limite do invasivo e da exploração da dor?