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O cineasta, com a câmera na mão, se mistura aos personagens da festa que marca o aniversário da Guerra do Contestado, na cidade de Irani. Uma câmera que se aproxima de frente aos cavalos, que imprime movimentos circulares, estabelece uma gramática que emerge a partir da encenação que a população da cidade constrói. O filme é a sua maneira de olhar para o seu passado a fim de constituir uma história que lhe represente.
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Visto fora de seu contexto, o curta pode parecer um mero registro de uma festa popular numa cidadezinha esquecida no interior de Santa Catarina. Mas é um registro grandioso da luta pela memória e pela busca de uma identidade construída a partir de baixo.
Havia naquele momento um movimento de construção de uma identidade catarinense, pois como destaca o filme, existe no imaginário popular uma imagem consolidada de um "típico" gaúcho ou um carioca. Mas quem é o catarinense?
Uma das vertentes, e que é valorizada pelo filme, reivindicava como representativa a cultura do povo camponês e caboclo outrora expulso de suas terras e massacrado na Guerra do Contestado.
Poucos anos depois, contudo, vence e impõe-se a narrativa do imigrante europeu (especialmente alemão) e sua alegada cultura para o trabalho e empreendedorismo como símbolo maior da identidade catarinense, muitas vezes negando a diversidade, e silenciando movimentos de resistência.
7 minutos pra eternizar um lugar inteiro.
O filme é curto para o que foi e significou a Guerra do Contestado. Mas a proposta é o olhar do cinema para a festa que, no presente, é uma representação do acontecimento histórico. E mais uma vez, a mestria de Sganzerla ganha espaço e faz com que o espectador ((re)conheça o Brasil a partir da chave da criticidade. O modo de filmar, a montagem desses quase oito minutos da festa nos dá a dimensão do quanto que a história da região, apesar da importância, é desprezada e a memória, política, social e afetiva, também. Personagens como o da adolescente Maria Rosa (a guerreira do cavalo, da canção e da festa), uma mulher que funcionou como comandante geral é simplesmente subsumida de livros e aulas de História. Ainda bem que o cinema salva!