Iraque em Fragmentos

Iraq In Fragments

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Média geral 4.2
baseado em 18 votos
Sua avaliação:
salvando
94 minutos

Sunitas, xiitas e curdos iraquianos mostram sua cara nas três histórias exemplares que compõem o penetrante Iraque em Fragmentos, dirigido, fotografado e sonorizado por James Longley. Na primeira, um menino de Bagdá nutre relação de amor e ódio com seu patrão, espécie de pai adotivo. O pequeno sunita Mohammed, órfão de um ex-prisioneiro de Saddam Hussein, é literalmente o guia da câmera pelas ruas da cidade. Os closes de seu rosto meditativo, suas reminiscências de uma Bagdá aprazível do pré-guerra e ruminações dos infortúnios de agora organizam a narrativa.

Se Bagdá é cenário do retrato mais intimista, a sulista Sadr ambienta o episódio mais explosivo. O personagem central é um jovem ímã xiita, aguerrido pregador anti-ocidental. Cenas de autoflagelação nas ruas e uma sangrenta caçada a vendedores de bebidas por milícias radicais formam o clímax dramático do doc. O que fica sugerido, então, é que o discurso supostamente pacifista apenas encobre precariamente os fuzis em punho.

O contraste desse módulo com o terceiro deixa clara a editorialização do filme. A abordagem dos curdos, agradecidos pela ocupação estadunidense, é simpática e lírica, dominada por acolhedoras imagens de pôr-do-sol. Aliviados com o fim da opressão de Saddam, os curdos parecem ordeiros, democráticos e conformados ("Deus está sempre com os vencedores", diz um homem). Essa estrutura aparentemente "natural" de problema-ruptura-conciliação não deixa de ser um tanto manipulativa. De qualquer forma, a força do filme está em mostrar que, num Iraque mais dividido do que nunca, os velhos conflitos se perpetuam nos bastidores dos novos.

Estreia Brasil:
2006
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