A família de Akaza passa por uma grave crise. Depois de ter perdido seu emprego, ele e sua família sustentam-se com uma pequena loja de sorvetes numa vila rural não muito distante de Tóquio. Para tornar as coisas ainda piores, a filha mais velha da família, Môn, volta grávida de Tóquio, onde trabalhava, após um caso com um jovem estudante. A gravidez e a reputação de Môn, uma jovem que nunca se adaptou à moral de sua cidade, interferem na vida de toda a família.
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Por um descuido, Mon é marginalizada pela família e pelos vizinhos, sua irmã San sofre por ser erradamente comparada a ela, seu pai sofre de vergonha e seu irmão violento vê ela como um espelho, sente rancor, ciúme e saudade de uma vida ao lado da irmã que não voltará mais, mesmo Mon sofrendo o que sofreu consegue ser a mais sensata da família, ela mostrou toda a hipocrisia do irmão que a chama de vagabunda mas que trata todas as mulheres do vilarejo como objetos descartáveis, a cena final quando ela fala que voltará para ver os pais e Ino mostra como Mon foi injustiçada na história.
Um filme de grandes momentos, em especial a chegada do pai da criança bastarda , além do espancamento da irmã. Um filme lotado de sentimentos realistas e factíveis em especial quanto à desonra daquela família e os ranços que carregam deste caso.
Um filme rural do Naruse para variar um pouco do restante da filmografia predominantemente urbana do diretor. "Irmão, Irmã" é sobre o choque entre o tradicionalismo do campo e a mudança de valores da personagem de Machiko Kyô, e de como estes afetam uma pequena família do interior do Japão. Mas também é sobre o amadurecimento do pensar, sobre um amor fraternal ressentido, sobre a ausência do pai, e sobre a vida encurralada da mulher japonesa em sua falta de opções (o tema característico do Naruse que será trabalhado praticamente em todos os filmes dele). O filme segue uma tendência ascendente após "Vida de Casado" e "Relâmpago", ainda que não possua a mesma consistência de personagens de suas obras posteriores mais maduras.
Se RELÂMPAGO já havia deixado-me chocado enquanto primeiro contato com a vasta filmografia naruseana, este aqui deixou-me devastado: mais uma vez, ele é implacável quanto às conseqüências pesarosas das disfunções familiares. O tom soa pessimista, num primeiro contato: os problemas não se resolvem, permanecem em aberto, à guisa de ciclos persecutórios. Machiko Kyo está soberba num papel-chave e participa de uma cena atroz de espancamento, mas todo o elenco está sobremaneira homogêneo, revelando marcas que parecem registradas no estilo directivo de Mikio Naruse, de quem já tornei-me um assustado fã. Nalguns momentos, parecia que eu estava diante de minhas próprias lembranças, de tão efetivo que o diretor é na abordagem dos dramas entre parentes próximos. Magnífico! (WPC>)
Achei o filme impressionante, a honestidade da trama, a complexidade e humanização dos personagens foi muito bem construída, e fiquei surpresa com a dualidade dos sentimentos do Ino, aquele conservadorismo todo como pretexto pra dar vazão ao ciúme, ao rancor pela perda da irmã, pela perda de um amor reprimido..
A cena final com Môn dizendo que voltará pra ver os pais, e também para ver Ino, foi de tanta sensibilidade que pra mim mudou todo o filme, realmente, mostrou o significado dele