- 9/10 - que texto maravilhoso! - é incrivel como ele aborda, reflete e vivência todas essas questões e sentimentos existencialistas - chega a ser melancólico, mas me deixa bastante animado pra aproveitar muito a vida
"(...) Ele leu uma vez que cada célula no corpo se refaz e morre através dos dias e anos. Como todo mundo é lentamente reconstruído de pedaços que mudam constantemente. O deprimiu como as fotos daquele álbum pareciam tão estranhas pra ele agora. Como suas células ridículas em crescimento roubaram há muito tempo a felicidade morta daquela criança, e como fez uma bagunça completa em sua própria vida. Debaixo do álbum, havia uma lista de prescrições médicas sobre a condição de sua mãe, recomendando fortemente que ela não tivesse um filho.”
Temos aqui uma animação não convencional, que mistura diversos estilos, indo de desenhos à mão, colagens, imagens e sons reais sobrepostos a chamas e fumaças, faróis de carros na noite ou debaixo das ondas de um precipício, luzes da lua enquanto Bill (o protagonista) voa pelo espaço, ou poeiras flutuando na luz do sol da tarde no quarto de uma clínica, numa desordem interessante por sua não-linearidade e narração em off, construindo uma trama melancólica sobre uma consciência afetada por uma doença mental frente ao seu cotidiano.
Decerto que o filme (divido em 3 partes) é só exposição e quase nenhuma explicação, tanto que a doença nem é especificada, o que é plausível dada à situação do personagem, que não se lembra de quase nada. Nada além de detalhes soltos, aleatórios e possivelmente inventados por seu cérebro pra tentar achar ordem no caos que se instalou entre o passado deprimente de sua família, seu presente abalado e um futuro solitário. Que se misturam em seus sonhos, ex-amores e memórias, totalmente perdidas em significado, neste loop de “dias lindos” e infernos pessoais que chamamos de vida, morte e reconstrução.
Uma das animações mais diferentes, autoirônicas e existencialistas que eu já vi.
Sirva a depressão bem gelada.
- 9/10
- que texto maravilhoso!
- é incrivel como ele aborda, reflete e vivência todas essas questões e sentimentos existencialistas
- chega a ser melancólico, mas me deixa bastante animado pra aproveitar muito a vida
Reddit: o filme.
a cada revisão melhora
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"(...) Ele leu uma vez que cada célula no corpo se refaz e morre através dos dias e anos. Como todo mundo é lentamente reconstruído de pedaços que mudam constantemente. O deprimiu como as fotos daquele álbum pareciam tão estranhas pra ele agora. Como suas células ridículas em crescimento roubaram há muito tempo a felicidade morta daquela criança, e como fez uma bagunça completa em sua própria vida. Debaixo do álbum, havia uma lista de prescrições médicas sobre a condição de sua mãe, recomendando fortemente que ela não tivesse um filho.”
Temos aqui uma animação não convencional, que mistura diversos estilos, indo de desenhos à mão, colagens, imagens e sons reais sobrepostos a chamas e fumaças, faróis de carros na noite ou debaixo das ondas de um precipício, luzes da lua enquanto Bill (o protagonista) voa pelo espaço, ou poeiras flutuando na luz do sol da tarde no quarto de uma clínica, numa desordem interessante por sua não-linearidade e narração em off, construindo uma trama melancólica sobre uma consciência afetada por uma doença mental frente ao seu cotidiano.
Decerto que o filme (divido em 3 partes) é só exposição e quase nenhuma explicação, tanto que a doença nem é especificada, o que é plausível dada à situação do personagem, que não se lembra de quase nada. Nada além de detalhes soltos, aleatórios e possivelmente inventados por seu cérebro pra tentar achar ordem no caos que se instalou entre o passado deprimente de sua família, seu presente abalado e um futuro solitário. Que se misturam em seus sonhos, ex-amores e memórias, totalmente perdidas em significado, neste loop de “dias lindos” e infernos pessoais que chamamos de vida, morte e reconstrução.
Uma das animações mais diferentes, autoirônicas e existencialistas que eu já vi.