Dirigido por
Duração
Madrugada. Padaria no Porto. No meio dos adultos, alguns miúdos fazem pão. Um deles trabalha com uma máquina.
Um grito de dor lança a confusão. Maldizendo a sorte, o patrão transporta a criança ferida ao hospital. Jaime (Saúl Fonseca) acompanha-os. Carrega na mão um saco de gelo com os dedos decepados do amigo. A violência da cena não perturba o sangue frio do patrão que despede Jaime para evitar problemas com a Inspecção do Trabalho.
Este é o ponto de partida da ‘aventura’ de Jaime, um miúdo com treze anos que trabalha de noite às escondidas da mãe e do pai, convencido de que o dinheiro lhe permitirá comprar a felicidade perdida.
Jaime não aceita que os pais estejam separados e tudo fará para os juntar de novo…
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
"Jaime" é um filme português de 1999, dirigido por António-Pedro Vasconcelos, que aborda temas como pobreza, trabalho infantil e desestrutura familiar. A trama se desenrola no Porto, com uma visão crítica sobre as consequências sociais após a entrada de Portugal na União Europeia. O filme tem ar frio, uma atmosfera densa onde a realidade é tratada de forma nua e crua.
8.5 - Uma película portuguesa, realizada por António-Pedro Vasconcelos, que faz um retrato do Porto, em ambiente de crise económica, com um foco na exploração infantil no mundo do trabalho, visto (e vivido na pele) pelos olhos de um pequeno jovem de 13 anos (Saúl Fonseca, no personagem que dá título ao filme: Jaime), com pais separados, e cujo maior sonho é juntar os pais, nomeadamente, ajudando o pai na compra de uma nova motocicleta, e assim recuperar o seu emprego e a esposa. Tudo isto num cenário de pobreza e dificuldades económicas, prostituição, drogas e vícios do álcool, por um lado, e por outro lado, o habitual exibicionismo e arrogância das altas camadas da sociedade, aliado ao aproveitamento económico da sua estatura social e também económica (ou simples aproveitamento das "debilidades" de outros). Uma óptima obra, com um actor bastante novo mas com um desempenho excepcional (que não teria seguimento profissional nesta área), e vários actores e actrizes de renome como: Fernanda Serrano, Vítor Norte, Nicolau Breyner e Rogério Samora, e com uma banda sonora que incluí música de outro portuense de renome: Rui Veloso!
Nada de especial.
O protagonista é um garoto portuense de 13 anos, filho de pais separados com dificuldades financeiras, que passa a traballhar às escondidas com a esperança de um dia poder vê-los juntos novamente. A exploração do trabalho infantil é o grande tema abordado nesse drama português. Do início ao fim da película, António-Pedro Vasconcelos denuncia a falta de atenção dos pais, a evasão escolar, a insalubridade, os acidentes de trabalho, as humilhações sofridas pelas crianças, a fiscalização falha e as várias formas de exploração, entre elas a sexual. Um dos grandes trunfos do filme é que a ação decorre na belíssima cidade do Porto. O final contemplação com a paisagem formada pela Ponte Luís I sobre o rio Douro, ao som de Nina Simone, é um convite irresistível para conhecer a cidade.
Que filme absurdamente triste e pesado, essas pessoas sem futuro, perdidas, vivendo no limite. No inicio todos os personagens me irritaram muito, Jaime e sua teimosia, sua evasão escolar e seu apega ao pai, que é outro irritante, auto-destrutivo, patético, desestruturado, preguiçoso, ah, e a mãe de Jaime, com seus casos aqui e acolá. O único personagem que me conquistou de verdade foi o amigo de Jaime, que mesmo com seu sofrimento e forçado a trabalhar, não abandona seu lado criança, sua vontade de sorrir. Mesmo assim, o filme ainda é muito amargo e sem saídas, apresentando tantos problemas: os subempregos, o trabalho infantil, uma sociedade desestabilizada economicamente, a falta de planejamento familiar, as relações familiares em fiapos.
Há ainda aqueles pequeno personagens que passam, mas nos deixam arrasados, como a garota costureira, que desempregada acaba na prostituição, ou ainda a mãe que dá drogas ao filho junkie como uma maneira de protegê-lo de seus próprios atos. Enfim, um filme duro, mas que é tão real, que nos envolve e comove. Ah, e claro, a cena final ao som de "Feeling Good" da Nina Simone é incrível.
PS.: se o personagem do Guilherme Leme era um brasileiro, por que cargas d'água ele falava com um sotaque totalmente português?