Na zona rural do oeste de Massachusetts, Lacy, de 11 anos, passa o verão de 1991 em casa, fascinada por sua própria imaginação e pela atenção de sua mãe, Janet. Com o passar dos meses, três visitantes entram em sua órbita, todos cativados por Janet.
'Janet Planet' é o primeiro filme de Annie Baker, que dirigiu, escreveu e produziu seu longa, que é uma obra da A24 (meu estúdio favorito) com a BBC Films. Em seu filme de estreia, Annie traz um trabalho denso, uma proposta diferente de lidar com sua protagonista, que são divididas em duas, pois enquanto Janet leva o nome do filme, sua filha Lacy é quem tem boa parte do protagonismo no longa. Uma obra original, Annie traz Lacy, uma garota que possui poucas amizades, tem dificuldades em fazer novas amizades, e prefere ficar por perto de sua mãe, Janet. Depois de inventar uma desculpa esfarrapada para sair de uma colônia de férias, onde ela estava passando as férias, ela exige que a mãe a venha buscar, e conforme os dias e semanas vão passando, Lacy tem que dividir a atenção de sua mãe com mais três pessoas que entram na vida de Janet.
Este é um filme que possui várias camadas, pois aqui testemunhamos uma criança com dificuldades sociais, que por mais que conheça e goste de outras pessoas que aparecem, prefere muito mais a companhia da mãe, seja para conversar, para brincar, para sair, ela possui uma carência afetiva disfarçada de admiração pela mãe. Já Janet, que obviamente ama sua filha, possui outro tipo de carência afetiva, a de não conseguir ficar sozinha, entrando em relacionamentos, mesmo sendo visível que não vai pra frente ou não tem futuro, ou acolhendo amigos/conhecidos em casa para passar dias, ou semanas Regina. Mesmo morando com a filha, a presença dela não é suficiente para Janet se sentir realizada, por mais que não seja essa a palavra que eu queira usar, mas ter outra pessoa adulta por perto é sempre mais completo para Janet, do que ter somente Lacy.
O filme é dividido em três atos, que são as três pessoas diferentes que entram na vida de Janet e Lacy durante aquela temporada. O primeiro ato é focado em Wayne, o novo namorado de Janet, que Lacy de cara não vai muito com a cara, apesar de aturar numa boa. Não há muita conversa entre os dois, uma vez que Wayne também é mais caladão, e neste ato é mostrado como Janet possui essa carência de estar em um relacionamento. Na cena em que Lacy insiste para que Janet durma com ela, e Janet recusa, dizendo que Wayne acha estranho as duas dormirem junta ainda, mostra como Janet se deixa ser ditada por outras pessoas de como deve ser um relacionamento. Lacy percebe, mas não sei se entende, pela idade que tem. Janet parece tratar mais Wayne como filho, do que sua própria filha, e aqui fica claro porque Lacy na maior parte do tempo vive em seu próprio mundo... ela espera pacientemente que sua mãe fique novamente livre para lhe dar a atenção que gosta.
O segundo ato do filme é focado em Regina, dos três atos foi o que menos gostei, achei muito arrastado todo o lance Regina na casa de Janet, não vi assim tanta profundidade de personagem, e não consegui enxergar um andamento na história, apesar de Janet perceber muitas coisas pessoais que a fazem agir do jeito que age ao conversar com Regina... uma conversa que não acaba muito bem no fim das contas, muito por conta de Regina. Lacy se dá bem com Regina no começo, há uma troca entre as duas, uma verbalização mais constante, mas a atenção de Janet ainda está um pouco mais em Regina, que é uma antiga amiga sua, mas bem antiga, do que em Lacy ainda.
O terceiro ato tem a presença de Avi, que estava se relacionando com Regina, mas aparentemente eles terminaram, pois Avi começa a frequentar a casa de Janet, para lanchar, para almoçar, para visitar, e para um piquenique, que é uma das cenas mais curiosas do filme, onde os dois saem para um piquenique e Lacy fica em casa, Janet acaba deixando-a pra trás, no intuito de ter uma tarde com seu novo 'amigo'. Porém logo depois de pedir para que Avi continue lendo o livro que estava lendo a ela, ele subitamente desaparece, e Janet retorna para casa sozinha em seu carro. A pergunta é: Avi simplesmente picou a mula mesmo? Ou foi tudo coisa da cabeça de Janet que imaginou um cenário com Avi, mas foi sozinha fazer este piquenique? e for a segunda opção... carência afetiva. Ao final do longa, no outono, uma espécie de epílogo, Janet e Lacy vão a um local onde uma grupo grande de pessoas praticam dança, lógico que Janet é quem está afim de praticar essa dança, e ela está muito animada, sendo que Lacy prefere ficar de lado, não está no clima. Ela observa atentamente sua mãe dançar e ir trocando de parceiro toda sorridente, com um olhar de quem está um tanto quanto incomodada. Essa cena final escancara o que citei no começo, que Janet possui uma carência afetiva que a filha não supre... e Lacy só quer mesmo que a mãe faça parte de seu mundo fechado. Basicamente é disso que o filme se trata, de mãe e filha em mundos diferentes, mas enquanto que para Janet, Lacy é um cômodo, para Lacy, sua mãe é um planeta, um mundo inteiro.
Lacy é interpretada pela jovem Zoe Ziegler, em seu primeiro longa metragem, e já como uma protagonista, afinal boa parte do filme gira em torno de sua personagem. Zoe está ótima no filme, assumiu o protagonismo muito bem, perfeita em suas interpretações, soube dar vida muito bem a pequena Lacy, lhe deu personalidade e carisma, é muito gostoso vê-la em cena, sempre ranzinza ou brincalhona. Zoe está indicada ao Critics Choice Awards na categoria Melhor Jovem Ator/Atriz, disputando com outras 5 jovens atrizes, eu gostei muito da atuação dela, mas ainda daria o prêmio para a atriz de 'Abigail'.
Janet foi interpretada por Julianne Nicholson (Dream Scenario, Blonde), e assim como nesses dois filmes, Julianne está ótima aqui, dá vida muito bem a Janet, lhe deu personalidade e sempre aparentava ter aquele ar de que algo lhe faltava na vida, ou algo que deveria ter feito mas a vida passou. Sempre muito bom ver Julianne fazendo personagens tão introspectivos.
Regina, uma das antigas amigas de Janet, foi interpretada por Sophie Okonedo, que recentemente a vi em uma das minhas séries favoritas da atualidade, 'Slow Horses'. Lá ela faz uma diretora do MI6 durona e de poucas expressões faciais, já aqui ela faz uma mulher mais leve, sorridente e irritantemente boa praça. Sua atuação é legal, não gostei muito de sua personagem, achei Regina xarope, sem sal, sem rumo, sem motivos, que só serviu no filme para colocar os pensamentos de Janet nos eixos, para ela voltar a se encontrar na vida. E ainda tivemos o experiente ator Will Patton (24 Horas, Minari, O Justiceiro) como Wayne, sua participação foi quase curta e com poucas falas, mas um ator experiente entrega muito coisa com pouco.
O longa ainda está indicado ao Spirit Awards de filmes independentes, nas categorias de Melhor Primeiro Filme, Melhor Primeiro Roteiro e Melhor Fotografia.
'Janet Planet' é um bom filme, ele pode parecer muito parado no seu começo, sem muito andamento, sem muito a mostrar, mas é um filme mais de detalhes, mais de ter um olhar afinco no que se acompanha em termos de roteiro e personagens. Tem algumas passagens que achei um pouco enfadonho, que nada serviu ao escopo do longa, mas ainda possui um bom saldo positivo. Nem todo mundo irá gostar pelo fato de pouca coisa realmente acontecer.
'Janet Planet' é o primeiro filme de Annie Baker, que dirigiu, escreveu e produziu seu longa, que é uma obra da A24 (meu estúdio favorito) com a BBC Films.
Em seu filme de estreia, Annie traz um trabalho denso, uma proposta diferente de lidar com sua protagonista, que são divididas em duas, pois enquanto Janet leva o nome do filme, sua filha Lacy é quem tem boa parte do protagonismo no longa.
Uma obra original, Annie traz Lacy, uma garota que possui poucas amizades, tem dificuldades em fazer novas amizades, e prefere ficar por perto de sua mãe, Janet. Depois de inventar uma desculpa esfarrapada para sair de uma colônia de férias, onde ela estava passando as férias, ela exige que a mãe a venha buscar, e conforme os dias e semanas vão passando, Lacy tem que dividir a atenção de sua mãe com mais três pessoas que entram na vida de Janet.
Este é um filme que possui várias camadas, pois aqui testemunhamos uma criança com dificuldades sociais, que por mais que conheça e goste de outras pessoas que aparecem, prefere muito mais a companhia da mãe, seja para conversar, para brincar, para sair, ela possui uma carência afetiva disfarçada de admiração pela mãe. Já Janet, que obviamente ama sua filha, possui outro tipo de carência afetiva, a de não conseguir ficar sozinha, entrando em relacionamentos, mesmo sendo visível que não vai pra frente ou não tem futuro, ou acolhendo amigos/conhecidos em casa para passar dias, ou semanas Regina. Mesmo morando com a filha, a presença dela não é suficiente para Janet se sentir realizada, por mais que não seja essa a palavra que eu queira usar, mas ter outra pessoa adulta por perto é sempre mais completo para Janet, do que ter somente Lacy.
O filme é dividido em três atos, que são as três pessoas diferentes que entram na vida de Janet e Lacy durante aquela temporada. O primeiro ato é focado em Wayne, o novo namorado de Janet, que Lacy de cara não vai muito com a cara, apesar de aturar numa boa. Não há muita conversa entre os dois, uma vez que Wayne também é mais caladão, e neste ato é mostrado como Janet possui essa carência de estar em um relacionamento. Na cena em que Lacy insiste para que Janet durma com ela, e Janet recusa, dizendo que Wayne acha estranho as duas dormirem junta ainda, mostra como Janet se deixa ser ditada por outras pessoas de como deve ser um relacionamento. Lacy percebe, mas não sei se entende, pela idade que tem. Janet parece tratar mais Wayne como filho, do que sua própria filha, e aqui fica claro porque Lacy na maior parte do tempo vive em seu próprio mundo... ela espera pacientemente que sua mãe fique novamente livre para lhe dar a atenção que gosta.
O segundo ato do filme é focado em Regina, dos três atos foi o que menos gostei, achei muito arrastado todo o lance Regina na casa de Janet, não vi assim tanta profundidade de personagem, e não consegui enxergar um andamento na história, apesar de Janet perceber muitas coisas pessoais que a fazem agir do jeito que age ao conversar com Regina... uma conversa que não acaba muito bem no fim das contas, muito por conta de Regina.
Lacy se dá bem com Regina no começo, há uma troca entre as duas, uma verbalização mais constante, mas a atenção de Janet ainda está um pouco mais em Regina, que é uma antiga amiga sua, mas bem antiga, do que em Lacy ainda.
O terceiro ato tem a presença de Avi, que estava se relacionando com Regina, mas aparentemente eles terminaram, pois Avi começa a frequentar a casa de Janet, para lanchar, para almoçar, para visitar, e para um piquenique, que é uma das cenas mais curiosas do filme, onde os dois saem para um piquenique e Lacy fica em casa, Janet acaba deixando-a pra trás, no intuito de ter uma tarde com seu novo 'amigo'. Porém logo depois de pedir para que Avi continue lendo o livro que estava lendo a ela, ele subitamente desaparece, e Janet retorna para casa sozinha em seu carro.
A pergunta é: Avi simplesmente picou a mula mesmo? Ou foi tudo coisa da cabeça de Janet que imaginou um cenário com Avi, mas foi sozinha fazer este piquenique? e for a segunda opção... carência afetiva.
Ao final do longa, no outono, uma espécie de epílogo, Janet e Lacy vão a um local onde uma grupo grande de pessoas praticam dança, lógico que Janet é quem está afim de praticar essa dança, e ela está muito animada, sendo que Lacy prefere ficar de lado, não está no clima. Ela observa atentamente sua mãe dançar e ir trocando de parceiro toda sorridente, com um olhar de quem está um tanto quanto incomodada.
Essa cena final escancara o que citei no começo, que Janet possui uma carência afetiva que a filha não supre... e Lacy só quer mesmo que a mãe faça parte de seu mundo fechado. Basicamente é disso que o filme se trata, de mãe e filha em mundos diferentes, mas enquanto que para Janet, Lacy é um cômodo, para Lacy, sua mãe é um planeta, um mundo inteiro.
Lacy é interpretada pela jovem Zoe Ziegler, em seu primeiro longa metragem, e já como uma protagonista, afinal boa parte do filme gira em torno de sua personagem. Zoe está ótima no filme, assumiu o protagonismo muito bem, perfeita em suas interpretações, soube dar vida muito bem a pequena Lacy, lhe deu personalidade e carisma, é muito gostoso vê-la em cena, sempre ranzinza ou brincalhona.
Zoe está indicada ao Critics Choice Awards na categoria Melhor Jovem Ator/Atriz, disputando com outras 5 jovens atrizes, eu gostei muito da atuação dela, mas ainda daria o prêmio para a atriz de 'Abigail'.
Janet foi interpretada por Julianne Nicholson (Dream Scenario, Blonde), e assim como nesses dois filmes, Julianne está ótima aqui, dá vida muito bem a Janet, lhe deu personalidade e sempre aparentava ter aquele ar de que algo lhe faltava na vida, ou algo que deveria ter feito mas a vida passou. Sempre muito bom ver Julianne fazendo personagens tão introspectivos.
Regina, uma das antigas amigas de Janet, foi interpretada por Sophie Okonedo, que recentemente a vi em uma das minhas séries favoritas da atualidade, 'Slow Horses'. Lá ela faz uma diretora do MI6 durona e de poucas expressões faciais, já aqui ela faz uma mulher mais leve, sorridente e irritantemente boa praça. Sua atuação é legal, não gostei muito de sua personagem, achei Regina xarope, sem sal, sem rumo, sem motivos, que só serviu no filme para colocar os pensamentos de Janet nos eixos, para ela voltar a se encontrar na vida.
E ainda tivemos o experiente ator Will Patton (24 Horas, Minari, O Justiceiro) como Wayne, sua participação foi quase curta e com poucas falas, mas um ator experiente entrega muito coisa com pouco.
O longa ainda está indicado ao Spirit Awards de filmes independentes, nas categorias de Melhor Primeiro Filme, Melhor Primeiro Roteiro e Melhor Fotografia.
'Janet Planet' é um bom filme, ele pode parecer muito parado no seu começo, sem muito andamento, sem muito a mostrar, mas é um filme mais de detalhes, mais de ter um olhar afinco no que se acompanha em termos de roteiro e personagens. Tem algumas passagens que achei um pouco enfadonho, que nada serviu ao escopo do longa, mas ainda possui um bom saldo positivo. Nem todo mundo irá gostar pelo fato de pouca coisa realmente acontecer.
(Assistido em 12/01/2025 - Youtube Filmes)
Não entendi muito o sentido desse filme. Um grande nada, mas é daqueles dramas pra apenas observar o cotidiano.
Filme fraco, sem nexo e parado.
Filme picolé de chuchu.
Janet Planet não colidiu com o meu.
O drama que não se sente.