Data de lançamento
6 Junho 1983Duração
Jornal da Manchete foi um telejornal brasileiro exibido pela extinta Rede Manchete entre 6 de junho de 1983 a 8 de maio de 1999. Foi consagrado como o programa mais longevo da história da emissora, permaneceu no ar do primeiro ao último dia útil de existência. O jornalismo sempre foi o carro-chefe da Manchete, e o Jornal da Manchete além de ser o seu principal noticiário eletrônico, também era um dos principais faturamentos da emissora carioca.
História
No início, em 5 de junho de 1983, tinha uma excessiva duração de duas horas, e era dividido em vários espaços que ao longo do tempo se transformaram em programas separados. O tempo foi reduzido depois, quando alterou em certa medida a sua linha editorial, principalmente após a vitória da Aliança Democrática nas eleições presidenciais de 1985.
A trilha sonora do informativo, Videogame, foi composta pelo conjunto musical de pop Roupa Nova, rejuvenescendo o conceito de jornalismo na televisão brasileira. Originalmente, o seu cenário era bastante futurístico, mostrando sua própria redação ao fundo com diversos monitores de televisão. Com a evolução da emissora, o informativo ganhou duas novas edições ao longo da programação. Foi aí que surgiram o Jornal da Manchete: Edição da Tarde e o Jornal da Manchete: Segunda Edição, este exibido no final da noite. No primeiro, o cenário era diferente dos demais e chegava a dedicar quadros femininos em seu conteúdo. Houve outras denominações ao longo de sua existência, como Noite Dia e Manchete Verdade.
Inicialmente era apresentado por Ronaldo Rosas, Carlos Bianchini, Luiz Santoro, Roberto Maya, Claudia Ribeiro e Íris Lettieri, além da participação de diversos comentaristas, como Carlos Chagas e Villas-Boas Corrêa na política. Um mês depois, era criado o Jornal da Manchete 2ª Edição, que foi apresentado por Luiz Santoro, Roberto Maya e Claudia Ribeiro, e ia ao ar às 23 horas e 30 minutos. Mais um mês, e foi inaugurado o Panorama, um jornal revista, apresentado por Jacyra Lucas e Íris Lettieri, que ia ao ar à tarde na Rede Manchete.
Em agosto de 1989, o informativo passou a ser apresentado pelo casal Eliakim Araújo e Leila Cordeiro. Com a saída destes, ganhava o espaço Márcia Peltier, apresentadora que teve grande prestígio na emissora, permanecendo até 1998. Em 1998, a Manchete contrata Augusto Xavier para apresentar o jornal. Depois da saída de Márcia da emissora, o telejornal passou a ser apresentado definitivamente por Augusto, revezando a apresentação com Berto Filho e Cláudia Barthel, além de Florestan Fernandes Jr. em São Paulo.
Primeira Edição
O Jornal da Manchete foi extinto no último sábado em que a Rede Manchete foi transmitida, em 8 de maio de 1999. Quando a emissora foi renomeada como TV!, passou a ser transmitido com o nome de Primeira Edição até a estreia da RedeTV!, quando o jornalístico foi definitivamente extinto.
Primeira Edição foi um telejornal brasileiro produzido e exibido pela TV! entre 17 de maio e 12 de novembro de 1999. Foi transmitido logo após a extinção da Rede Manchete em 10 de maio de 1999.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Por que os telejornais deveriam ser mais sucintos?
Recentemente, uma situação provocou uma reflexão sobre os rumos do jornalismo televisivo no Brasil. Trata-se do episódio envolvendo Guilherme Rivaroli, apresentador do Balanço Geral na RIC TV, afiliada da Record no Paraná, que comemorou publicamente os índices de audiência de uma pauta trágica, ironizando a cobertura e a concorrência.
Tudo começou quando um áudio de Rivaroli vazou no canal oficial da emissora no YouTube. Nele, ele comemorava a alta audiência atingida por uma cobertura de um jovem desaparecido durante uma trilha, chegando a dizer que “podia ter um desaparecido por dia”. Ainda, ele celebrava ter superado a concorrência, sinalizando a preferência do público por aquele conteúdo sensacionalista. Este episódio revela uma faceta pouco comentada do jornalismo: o lado mais íntimo e muitas vezes pouco ético que opera nos bastidores, onde a busca por audiência pode se sobrepor à responsabilidade social.
Esse tipo de situação reforça uma questão antiga: até que ponto o formato de uma notícia deve ser extenso? Telejornais que duram várias horas, cobrindo temas de menor relevância, acabam por diluir o impacto das informações mais importantes. Um exemplo recente aconteceu em São Paulo, em novembro de 2025, quando uma transmissão ao vivo de um resgate envolvendo um suposto sequestrador com explosivos monopolizou a grade de notícias. Contudo, pouco tempo depois, descobriu-se que tudo não passava de uma farsa, uma história inventada por uma pessoa em crise psicológica. O episódio ilustra como o sensacionalismo pode levar a uma cobertura excessiva de assuntos irrelevantes, desviando o foco do jornalismo responsável.
Se os telejornais fossem mais enxutos, seria possível dedicar mais atenção ao que realmente importa, evitando a dispersão de recursos e tempo com pautas que pouco acrescentam ao público. A questão, no entanto, é por que a prática de programas longos ainda prevalece. A resposta está na lógica do mercado: quanto mais tempo de transmissão, maior a chance de atrair anunciantes e gerar receitas. A publicidade, muitas vezes, está integrada ao próprio conteúdo jornalístico, criando um ciclo que favorece a manutenção de programas extensos, mesmo que isso signifique perder a oportunidade de oferecer um jornalismo mais objetivo e relevante.
Outro ponto importante é refletir sobre o impacto dessas escolhas na qualidade do conteúdo. A busca incessante por audiência pode levar à banalização e à exploração de temas sensacionalistas, prejudicando a credibilidade do jornalismo. Nesse sentido, episódios como o de Guilherme Rivaroli ou a cobertura do falso sequestro servem de alerta para repensar o formato e o propósito das notícias na TV. Quanto mais curtos e precisos forem os telejornais, maior a chance de oferecer uma cobertura mais responsável, deixando espaço para uma análise mais aprofundada e menos sensacionalista.
Em suma, a duração dos telejornais não é apenas uma questão de formato, mas de ética e de responsabilidade social. Reduzir o tempo de transmissão pode ser um passo importante para melhorar a qualidade do jornalismo, afastando-o do sensacionalismo e promovendo uma comunicação mais consciente com a audiência. Afinal, um jornalismo mais objetivo e menos extenso pode ser exatamente o que o público precisa para compreender melhor o mundo ao seu redor.