Baseado em entrevistas feitas com pessoas que conviveram no ambiente da banda, o documentário mostra o trajeto da banda nascida na cidade inglesa de Manchester, bem como o suicídio de Ian Curtis - vocalista do Joy Divison - e como o grupo se reinventou para continuar produzindo música, o que faz até hoje com o New Order.
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"O punk permitia-nos dizer: "Vão se foder". Mas não ia mais longe que isso; era apenas uma frase venenosa com uma ou duas sílabas de raiva, necessárias para reacender o rock. Mas, mais cedo ou mais tarde, alguém ia querer dizer mais do que: "Vai se foder". Alguém ia querer dizer: "Estou fodido". E os Joy Division foram os primeiros a fazê-lo. A usar a energia e a simplicidade do punk para expressar emoções mais complexas".
Complementando esse doc, acho interessante que se leia o ensaio "nenhum prazer: joy division", de Mark Fisher, do qual extraio os trechos abaixo:
"A depressão não é uma tristeza, muito menos um estado de espírito, é uma (dis)posição (neuro)filosófica. Por trás da oscilação bipolar pop entre a emoção evanescente e o hedonismo frustrado, para além do mefistolismo miltoniano de [Mick] Jagger, de Iggy Pop e sua personalidade carnavalesca e da melancolia reptílica da Roxy Music, para muito além do princípio do prazer, o Joy Division era a mais schopenhaueriana das bandas de rock, tanto que mal pertencia ao rock efetivamente. Já que eles retiraram completamente o motor libidinal do gênero – seria melhor dizer que eles eram libidinalmente e sonoramente anti-rock. Ou talvez, como pensavam, fossem detentores da verdade do rock, despojada de todas as ilusões (o depressivo sempre confia em uma coisa: que não tem ilusões). O que torna o Joy Division tão schopenhaueriano é a disjunção entre o distanciamento de Curtis e a urgência de sua música, seu impulso implacável que substitui a insaciabilidade estúpida da vontade de viver, o mote beckettiano “eu preciso continuar” que não é experimentado pelo depressivo como uma possibilidade redentora, mas como o horror derradeiro, sua vontade de viver assumindo paradoxalmente todas as propriedades repugnantes dos mortos-vivos.
(...)
O Joy Division viu a vida como Poe a viu em O verme vencedor e como Ligotti a via: uma dança de marionetes automatizadas, que está “em um círculo que, sempre fechado, torna ao mesmo lugar”, uma cadeia de eventos ultradeterminada que segue seus movimentos com uma inevitabilidade implacável. Você assiste ao filme pré-roteirizado como se estivesse de fora, condenado a assistir as bobinas chegando brutalmente, e sem pressa, ao fim.
(...)
O desejo masculino pela morte sempre foi um subtexto no rock, mas antes do Joy Division ele havia sido contrabandeado para o gênero sob pretextos libidinais, um cachorro preto vestido de lobo — Thanatos disfarçado de Eros — ou um rosto escondido por uma maquiagem. O suicídio era uma garantia de autenticidade, o mais convincente dos sinais de que você era real. O suicídio tem poder para transfigurar a vida — com toda a sua confusão cotidiana, conflitos, ambivalências, decepções, trabalhos não acabados, “desperdício, febre, calor” — em um mito frio, tão sólido, uniforme e permanente como o “mármore e a pedra” que Peter Saville simularia na capa do disco e Curtis acariciaria na letra de “In a lonely place”".
Puta merda, terminei em lágrimas.
A história da Joy Division que revolucionou o punk e marcou Ian Curtis pra sempre na história
</3 Que banda!
Meu consolo diante do filme Control.
50% zangado. 50% triste.
<3