Últimas opiniões enviadas
A revelação no final do primeiro episódio foi, para mim, o momento mais chocante do documentário até agora. Não tenho a menor dúvida de que MJ era um predador.
Repito o que alguém já comentou aqui embaixo: o fandom de Michael Jackson funciona como uma seita. Muitos fãs desenvolveram uma relação parassocial tão intensa com o ídolo que qualquer crítica é tratada como blasfêmia. Michael deixa de ser um ser humano falível e se transforma numa divindade acima de qualquer suspeita.
Só um nível extremo de devoção pode levar alguém a aceitar sem questionamentos a narrativa de que um homem adulto que admitia dormir com crianças era apenas um sujeito inocente e excêntrico, uma espécie de Peter Pan da vida real que só queria espalhar amor e felicidade. A necessidade de preservar a imagem idealizada do artista parece, para muitos fãs, mais importante do que encarar fatos desconfortáveis ou discutir o tema com honestidade.
Últimos recados
Patricia, obriado por ter me convidado para fazer parte do teu grupo de amigos aqui no Filmow. Um abração. Joaquim.
Oi Patrícia, amizade aceitadíssima.
Costumo dizer que amizade é bom de qualquer jeito. Um grande abraço e qualquer coisa é só gritar que eu vou correndo, rsrsrs....
Abraços.
torrentking.to
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A fama de Michael Jackson não produz apenas admiração. Ela também parece inspirar, na maior parte de seus fãs, uma extraordinária tolerância a comportamentos que, em qualquer outro contexto, seriam vistos como motivo legítimo de preocupação.
O que muitos fãs parecem incapazes de aceitar é que certos comportamentos não se tornam menos questionáveis apenas porque foram praticados por Michael Jackson. O hábito de compartilhar camas e quartos com crianças que não eram suas parentes, o fato de que suas companhias mais constantes e íntimas eram meninos específicos que recebiam atenção privilegiada e acabavam sendo substituídos conforme envelheciam, entre outros aspectos, compõem um padrão frequentemente associado a processos de aproximação, conquista de confiança e aliciamento de menores. Fingir que nada disso desperta questionamentos legítimos exige uma dose de complacência que eu simplesmente não consigo compartilhar.
Como os fãs conseguem ignorar as fotos e revistas encontradas em Neverland?
Bem, é um documentário curto e bastante direto, com uma estrutura que lembra as produções do ID. Seu objetivo é claramente revisitar o julgamento criminal de 2005, sem entrar nas reviravoltas posteriores. Nesse sentido, funciona como uma recapitulação acessível para quem não acompanhou o caso na época, passando rapidamente pelos principais personagens, eventos e estratégias da acusação e da defesa.
Notei também a recorrência de um discurso já conhecido em julgamentos de grande repercussão envolvendo celebridades negras nos Estados Unidos. Um dos entrevistados praticamente reproduz a mesma linha de argumentação vista durante o caso O.J. Simpson: a ideia de que Michael Jackson seria vítima de um sistema racista e que a presença de um promotor e de jurados brancos comprometeria, por si só, a credibilidade do julgamento. O problema é que a realidade raramente se encaixa em narrativas tão simples. A jurada entrevistada pelo documentário, por exemplo, é branca, votou pela absolvição e se declara uma grande fã de Michael Jackson.
A história está repleta de figuras públicas que parecem adquirir uma espécie de imunidade ao pensamento crítico graças à fama, ao poder ou à riqueza que acumulam. Quando isso acontece, os fatos passam a ser aceitos, relativizados ou descartados conforme sua compatibilidade com a narrativa que se deseja preservar. É a lógica da pós-verdade.