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Juliana tem 13 anos quando foge dos maus-tratos de seu padrasto. A menina ganha a vida vendendo flores roubadas de cemitérios, mas ao perceber que na rua é marginalizada por ser mulher, a garota decide cortar o cabelo e passar por menino.
Assim, Juliana se insere em uma gangue de jovens que cantam em microfones de Lima, protegida e explorada por um criminoso. A força e o temperamento rebelde da garota a levam a liderar uma revolução infantil.
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O Grupo Chaski, fundado no Peru em 1982, lançou um de seus mais importantes filmes no fim daquela década. JULIANA, que viria para abalar as estruturas sociais que se mantinham firmes no país, é uma película dos co-fundadores Fernando Espinoza e Alejandro Legaspi, e se tornou referência na América Latina com um cinema social “novo”, ainda que com problemas antigos...
O longa conta a história de Juliana, uma menina que sofre com os abusos e maus-tratos de seu padrasto, e que decide fugir para encontrar a sua sorte nas ruas. A produção aborda a infância peruana na situação de rua - trata sobre crianças desamparadas, desabrigadas e exploradas, que Juliana acaba conhecendo em seu caminho. Muitas vezes com sonhos, desejos e a curiosidade, que é sagrada na infância, essas crianças sem nome e sem rosto são vistas, ainda hoje, pelos ônibus peruanos cantando por alguns trocados. A relevância social que esta narrativa possui, não só para o Peru, mas para toda a Latino-América, é inegável, e ainda impressiona.
Embora, para os padrões de hoje, pareça um filme “escuro demais”, com poucos recursos de iluminação e cenografia, nada pode tirar o poder do depoimento desta vida, de uma menina tão valente como Juliana, e com toda a coragem que lhe coube e que cabe, ainda hoje, pelas ruas de Lima.
Notar que este problema se repete mesmo trinta anos depois de seu lançamento é perceber, também, a importância que o Cinema tem para a historiografia de uma região; para a sua análise e para o seu zelo. Zelo este que, de fato, nunca se deveria negar a alguém que está aprendendo a ser - a alguém como Juliana, a alguém como o Peru.
Incrível.
“Chico: La vida está hecha de la misma tela con la que se hacen los sueños."
Mais um ótimo filme peruano, aos moldes de Gregório, e não é pra menos, também é feito pelo Grupo Chaski e o estilo de narrativa foi mantido. Num contexto geral, Juliana acabou ficando mais cativante e envolvente do que o filme do Gregório. Pelo conhecimento que tenho da realidade peruana, posso dizer que as coisas não mudaram muito, em um rolê de ônibus é quase certo que você vai encontrar uns guris fazendo algum numero em troca de moedas. E crianças nas ruas pra fugir dos mau tratos é algo bem comum. Ainda mais comum são homens com o perfil do padrasto de Juliana por lá. O Grupo Chaski não precisou pensar em um roteiro muito impactante não, apenas mostrou a realidade como ela é,
O filme é recheado de ótimas atuações e de personagens marcantes, positivamente ou negativamente. Uma boa oportunidade para conhecer algumas tribos e costumes peruanos. Destaque para as referências ao Stallone vindas do garoto Cobra.
Seguindo a mesma linha do clássico "Gregorio", o Grupo Chaski retrata em "Juliana" a triste realidade das crianças que fogem de casa e trabalham nas ruas de Lima para sobreviverem. Se a situação de Gregorio já era dificil, a de Juliana é ainda pior. Para ser aceita numa "escolinha" de menores infratores, ela tem que se passar por menino, enfrentar preconceitos e superar uma série de obstáculos e limitações. Não tem o mesmo impacto que o primeiro filme do grupo, mas é uma sórdida crítica à vida citadina e ao seu poder corruptor.
Um soco no estômago! As crianças fazem profundas críticas sociais e políticas através de seus diálogos. Espero que o Peru tenha mudado de forma considerável nesses 25 anos após o lançamento desse filme.
Ele me fez recordar 'Capitães de areia'.
Mereceu todos os prêmios que ganhou e penso que merecia bem mais.
Para essa história se passar no Brasil só precisa mudar o idioma.