se forçar bastante da pra entender a mensagem que quer passar, mas totalmente desnecessário e cruel. aguardando a continuação em que o cachorro do final vem se vingar
Imagens de um terror quase abstrato, o ápice de um desenvolvimento diferente do da música, a qual vai de uma leve inquietação a uma catarse, culminando em aplausos do público, mas tanto imagem como som convergem na criação de um único efeito bizarro. Estranhamente, isso deságua num encerramento potencialmente cômico, na medida em que os aplausos se contrastam com a expressão de um cachorro espectando chocado o dilaceramento de seu semelhante. O zoom out parece nos reinserir naquele espaço enquanto público que possa ter se descolado do filme ao testemunhar uma cena tão brutal, gratuita e animalesca, já que o olhar ganha, mesmo que desolado, um novo amparo na expressão humanizada do animal desnorteado.
Ele parece ter presenciado ao acaso o grupo de jovens, o que sugere aquele cenário como um lugar onde mesmo a brutalidade pode ter virado rotineira, desejada nos sorrisos juvenis, mas o filme não perde de vista essa figura similar a nós, espectadores, que tomamos tal pesadelo como uma aberração desvairada ao simplesmente assistir um curta.
Observando o sentido inverso, nota-se que há aí um movimento duplo: ele também não nos isenta de uma participação no ato violento, não nos enquadra apenas num olhar exterior, mas sim nos confronta com visões muito próximas da atrocidade, como cúmplices em potencial de uma ação desumana, ainda que queiramos nos distanciar daqueles jovens e dizer que aquilo se enquadraria apenas como "monstruosidade", portanto fora do nosso campo de ação. O plano do dente do cachorro na mão é especialmente forte nesse sentido, se assemelhando a um ponto de vista direto do personagem e, através dele, o nosso. Esse jogo de participação e distanciamento faz da experiência de Juvenília um enigma, uma zona turva ao mesmo tempo que explícita, mas, sobretudo, algo incontornável.
se forçar bastante da pra entender a mensagem que quer passar, mas totalmente desnecessário e cruel.
aguardando a continuação em que o cachorro do final vem se vingar
Visto em 23/06/2022.
Que diacho foi isso?
Imagens de um terror quase abstrato, o ápice de um desenvolvimento diferente do da música, a qual vai de uma leve inquietação a uma catarse, culminando em aplausos do público, mas tanto imagem como som convergem na criação de um único efeito bizarro. Estranhamente, isso deságua num encerramento potencialmente cômico, na medida em que os aplausos se contrastam com a expressão de um cachorro espectando chocado o dilaceramento de seu semelhante. O zoom out parece nos reinserir naquele espaço enquanto público que possa ter se descolado do filme ao testemunhar uma cena tão brutal, gratuita e animalesca, já que o olhar ganha, mesmo que desolado, um novo amparo na expressão humanizada do animal desnorteado.
Ele parece ter presenciado ao acaso o grupo de jovens, o que sugere aquele cenário como um lugar onde mesmo a brutalidade pode ter virado rotineira, desejada nos sorrisos juvenis, mas o filme não perde de vista essa figura similar a nós, espectadores, que tomamos tal pesadelo como uma aberração desvairada ao simplesmente assistir um curta.
Observando o sentido inverso, nota-se que há aí um movimento duplo: ele também não nos isenta de uma participação no ato violento, não nos enquadra apenas num olhar exterior, mas sim nos confronta com visões muito próximas da atrocidade, como cúmplices em potencial de uma ação desumana, ainda que queiramos nos distanciar daqueles jovens e dizer que aquilo se enquadraria apenas como "monstruosidade", portanto fora do nosso campo de ação. O plano do dente do cachorro na mão é especialmente forte nesse sentido, se assemelhando a um ponto de vista direto do personagem e, através dele, o nosso. Esse jogo de participação e distanciamento faz da experiência de Juvenília um enigma, uma zona turva ao mesmo tempo que explícita, mas, sobretudo, algo incontornável.
dispensável e desprezível
De muito mal gosto, desprezível e triste. Mas tbm muito incrível.