Tem bem o jeitão do Eric Rohmer de posicionar o homem moderno como um flaneur que observa a vida alheia, espelho da sua, do lado de fora de cafeterias, fazendo incansáveis anotações sobre como vivemos nossas vidas no piloto-automático. A tradução desses sentimentos verbalizados ou escritos possui forma de carta, e é trocada entre um casal de namorados, os interlocutores da história e mediadores desse embate entre o velho e o novo em uma sociedade francesa em formação.
Por vezes, o diretor Guy Gilles abre parênteses dentro dessa mediação e dá voz a outras personagens, fazendo com que o público ouça suas histórias e simpatize com elas. É quase como se o filme assumisse por completo a característica do documentário sob múltiplos pontos de vista. Assim, navega de um ponto a outro sem soar desnecessário ou longo e ainda consegue voltar sua atenção ao casal com classe e elegância, ainda que, no fim, os dois terminem em caminhos opostos: ele com as raízes fincadas no mar e ela, na terra.
uma reflexão incrível sobre o amor, amizade, solidão e respeito ao outro. gostei muito e o final, quando Guy está escrevendo, nos ajuda a compreendê-lo melhor, e não achá-lo apenas cuzão e sem responsabilidade afetiva. eu amey
Tem bem o jeitão do Eric Rohmer de posicionar o homem moderno como um flaneur que observa a vida alheia, espelho da sua, do lado de fora de cafeterias, fazendo incansáveis anotações sobre como vivemos nossas vidas no piloto-automático. A tradução desses sentimentos verbalizados ou escritos possui forma de carta, e é trocada entre um casal de namorados, os interlocutores da história e mediadores desse embate entre o velho e o novo em uma sociedade francesa em formação.
Por vezes, o diretor Guy Gilles abre parênteses dentro dessa mediação e dá voz a outras personagens, fazendo com que o público ouça suas histórias e simpatize com elas. É quase como se o filme assumisse por completo a característica do documentário sob múltiplos pontos de vista. Assim, navega de um ponto a outro sem soar desnecessário ou longo e ainda consegue voltar sua atenção ao casal com classe e elegância, ainda que, no fim, os dois terminem em caminhos opostos: ele com as raízes fincadas no mar e ela, na terra.
uma reflexão incrível sobre o amor, amizade, solidão e respeito ao outro. gostei muito e o final, quando Guy está escrevendo, nos ajuda a compreendê-lo melhor, e não achá-lo apenas cuzão e sem responsabilidade afetiva. eu amey