Belíssimo documentário, em relação ao qual identifiquei-me bastante. Nalgum sentido, da maneira como o filme foi filmado, é como se ele antecipasse a quarentena em que vivemos agora: todos os planos são confinados aos ambientes domésticos da protagonista real, que aparece lendo a Bíblia logo na abertura. O modo sincero como ela interage com os clientes é ótimo, sem qualquer tipo de repreensão a quaisquer fantasias ou perguntas inconvenientes. O instante em que um boquete é comparado a uma cena de filme dreyeriano já é um dos melhores do ano, junto à cena em que ouvimos a melhor amiga da protagonista cantar "Bem que se Quis", da Marisa Monte. Fotografia e direção de arte propositalmente cerceadoras, mas desenvolvimento de roteiro absolutamente livre, contra toda e qualquer amarra: a participação breve do velhinho cantor que o diga. Enfeitiçante em seu realismo de primeira pessoa: é sobre nós. E quem disser que não que atire a primeira pedra! (WPC>)
Belíssimo documentário, em relação ao qual identifiquei-me bastante. Nalgum sentido, da maneira como o filme foi filmado, é como se ele antecipasse a quarentena em que vivemos agora: todos os planos são confinados aos ambientes domésticos da protagonista real, que aparece lendo a Bíblia logo na abertura. O modo sincero como ela interage com os clientes é ótimo, sem qualquer tipo de repreensão a quaisquer fantasias ou perguntas inconvenientes. O instante em que um boquete é comparado a uma cena de filme dreyeriano já é um dos melhores do ano, junto à cena em que ouvimos a melhor amiga da protagonista cantar "Bem que se Quis", da Marisa Monte. Fotografia e direção de arte propositalmente cerceadoras, mas desenvolvimento de roteiro absolutamente livre, contra toda e qualquer amarra: a participação breve do velhinho cantor que o diga. Enfeitiçante em seu realismo de primeira pessoa: é sobre nós. E quem disser que não que atire a primeira pedra! (WPC>)