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Data de lançamento
13 Junho 2022Duração
Num futuro próximo, a Humanidade constrói um paraíso artificial QUADRADO na superfície da Lua, no qual só se pode entrar se você olhar e pensar como um quadrado. Para isso, as pessoas se acostumaram a usar “máquinas de quadrificação”: prensas, aparelhos corretivos e cirurgias estéticas que moldam seus corpos como cubos e fecham suas mentes ao questionamento.
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Essa é uma bela animação, com um argumento poderoso (pessoas presas ao que é definido como ideal de vida, pelo sistema em que vivem, sem poder "sair da caixinha"). O único ponto negativo é que a história se arrasta para um final muito previsível, sem novidades pelo caminho. Funcionaria melhor como um curta. Mas vale a pena assistir, dá o que pensar.
A Outra Forma (La Otra Forma. Brasil/Colômbia, 2022)
Direção: Diego Felipe Guzmán.
Eu sempre começo minhas postagens sobre os filmes que vejo com uma frase que chama atenção durante a projeção do filme, aqui como viram não tem frase.
É que a impressionante animação colombiana brasileira dirigida por Diego Felipe Guzmán não tem uma única palavra dita, e diz tudo.
O longa exibido no festival de Annecy na França chega quase dois anos depois aqui no Brasil. Está em cartaz em pouquíssimas salas, então corre pra ver.
O filme é uma metáfora do nosso mundo, inclusive ele começa com a imagem do nosso planeta Terra, redondinho como ele é.
Mas acontece que as personagens estão em busca de um paraíso artificial na superfície da Lua, e ele é quadrado.
Para ser aceito você precisa olhar e pensar como um quadrado. Para isso, as pessoas se acostumaram a usar “máquinas de quadrificação”: prensas, aparelhos corretivos e cirurgias estéticas que moldam seus corpos como cubos e fecham suas mentes ao questionamento.
Gente, o longa é uma porrada sobre como estamos nos distanciando daquilo que somos para nos tornar aquilo que os outros querem que sejamos.
O protagonista aqui vive esse dilema de se enquadrar no mundo, e esbarra em outros personagens que vão também estão pressionados à isso como uma mulher quadrada que começa a ter problemas com um braço dotado de vida própria.
E um garoto e seu cão perambulando pela cidade com uma caixa de papelão no rosto, envergonhado de ainda não ter recorrido a qualquer procedimento torturante para diminuir as curvas de seu corpo em prol dessa necessidade social de ser quadrado para se encaixar.
Numa tacada só é impossível absorver todas as camadas que o filme tem, mas saí do cinema com a cabeça borbulhando.
Ninguém viu ainda. Vi o trailer e parece uma crítica ao cristianismo e ao capitalismo.
Opinião de um anarcoateista