O último filme do cineasta francês Henri-Georges Clouzot (diretor de O Corvo e O Salário do Medo, entre outros grandes filme), é um conto perturbador sobre um triângulo amoroso sadomasoquista entre um fotógrafo, sua namorada e um rico playboy. Nesta primeira experiência com a cor, o cineasta exibe a técnica primorosa de um mestre em sua arte, fazendo um mix caleidoscópio entre a pop-art e uma agônica intriga policial. Seu desfecho ainda hoje é considerado desagradavel para os espíritos mais sensíveis.
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Linda a construção atmosférica, e toda esta parafernália geométrica que Clouzot impõe ao seu filme muito típico da pop-arte junto com uma condução de câmera belíssima. Consfesso que por alguns momentos me parece que o ritmo destoou um tanto, aparentemente a narrativa não se desenvolveu todavia a cena final eleva por demais esta obra.
Co-produção franco-italiana da Les Films Corona, Fono Roma, Valoria Films e Euro International Films que foi o único filme de Henri-Georges Clouzot (1907-1977) concluído em cores e o último de sua carreira.
Último filme da atriz belga Annie Fargue (1934-2011). Esse romance perverso utilizou muitos dos artifícios da pop art e truques visuais psicodélicos que Clouzot havia planejado usar no fracassado O inferno (64). Laurent Terzieff (1935-2010) e Bernard Fresson (1931-2002) se envolvem neste triângulo amoroso com a bela Elisabeth Wiener.
O diretor da galeria, Stanislas Hassler, impulsiona o desenvolvimento da arte moderna com sua coleção de obras surpreendentes. Sua mais recente aquisição é uma escultura de Gilbert Moreau, cuja esposa, Josée Moreau, é fascinada por Stanislas. Mas, sem que ela saiba, Stanislas está acumulando fotografias de natureza muito perversa e perturbadora.
De fato, há muitas semelhanças com o projeto infelizmente abortado de 'L'Enfer'. Mas possui um charme próprio, ainda que eventualmente notemos um descompasso entre estilo e narrativa, por mais que este seja o tema do filme, o conflito entre aquilo que desejamos e o que fazemos na prática. O casal central é muito bonito e as inserções cromáticas, bem como o aproveitamento expressivo (e autocrítico) da 'op art', são maravilhosas, desembocando naquele inesquecível desfecho. Clouzot é bastante inventivo, e este filme deliciosamente perturbador deveria ser mais conhecido. Muito bom! (WPC>)
Percorre o filme um tensão e êxtase frutos da narrativa que se quer provocadora do desejo. Há um uso hipnótico das cores, dos quadros, o corte brusco, abrupto. O recurso ao espelho ( o duplo? o q está oculto/obscuro?). Uma mescla/ fusão do jogo malicioso do amor com as fantasias eróticas. Entre a dominação e os subterfúgios da moral. Como escreveu Bataille: “O erotismo é a aprovação da vida até na morte”.
THE DREAM.