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Data de lançamento
19 Dez. 1971Duração
No futuro, o violento Alex (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de delinquentes que matam, roubam e estupram, cai nas mãos da polícia. Preso, ele recebe a opção de participar em um programa que pode reduzir o seu tempo na cadeia. Alex vira cobaia de experimentos destinados a refrear os impulsos destrutivos do ser humano, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca.
Só assisti esse ano e foi chocante, impactante, não tinha assistido nenhum filme do Kubrick, cara que filme foda, muito a frente da época, as cores, a fotografia, não estava esperando a violência gratuita do nada, que atuações do elenco no geral, foda demais
Laranja Mecânica" permanece como um soco no estômago da moralidade burguesa, revelando a violência não como um desvio patológico, mas como engrenagem fundamental de qualquer sistema autoritário. Kubrick constrói um balé estético e sádico onde a ultra-violência dos Nadsats encontra seu espelho perfeito na frieza institucional do Estado, expondo a simbiose obscura entre o crime desorganizado e a tiramizana governamental. Alex DeLarge, com seu apetite voraz por Beethoven e crueldade, encarna a contradição humana em seu estado mais cru ,um monstro fascinante que nos obriga a reconhecer o nosso próprio fascínio pelo caos. A genialidade distópica do filme reside justamente na virada de chave do método Ludovico, que não busca curar a maldade, mas erradicar a própria essência da escolha humana. Ao transformar Alex em um autômato incapaz de pecar, a sociedade revela sua face mais tirânica: prefere o cidadão castrado mecanicamente ao indivíduo livre que erra por vontade própria. A célebre cura pela ciência converte-se em lobotomia moral, provando que o Estado totalitário teme menos a violência do crime do que a autonomia do livre-arbítrio. Kubrick nos deixa sem heróis, apenas verdugos de diferentes matizes, numa sátira cáustica onde a juventude delinquente e a gerontocracia estatal disputam o monopólio da desumanização. No fim, a famosa frase "eu estava curado, graças a Deus" ecoa como uma ironia macabra sobre um mundo onde a liberdade só existe para quem aceita a corrupção institucionalizada.
Laranja Mecânica permanece atual, provocativo e indispensável. É uma obra de arte que incomoda, faz pensar e comprova a genialidade de Stanley Kubrick em extrair beleza e reflexão do caos social, Mais do que chocar, o filme funciona como um profundo ensaio filosófico sobre o livre-arbítrio e o controle estatal, foi umas das molas propusoras da minha paixão pela sétima arte.
Sempre faço resenhas sobre o quanto Kubrick foi estratégico nesse filme !
Mas hoje só quero deixar claro o quanto ele é um filme de apoio emocional pra mim ( sei que não é bom pra mim
Mas toda vez que tenho algum problema pessoal que me afeta muito eu volto pra assistir e de alguma maneira esse filme me trás um certo alívio e aí você me pergunta o motivo? É que com ele eu sinto que estou sendo alguém bom pra sociedade no geral
Meu deus, como eu amo "Laranja Mecânica"!
Filme de 1971, dirigido por Stanley Kubrick, conta a história de Alex deLarge, um adolescente apaixonado por Beethoven que comete crimes hediondos em uma Inglaterra futurista. Em nome da ultraviolência, Alex cai em uma emboscada ao tentar violentar uma mulher e vai para a cadeira. O que se sucede é uma série de eventos que geram reflexões sobre redenção, dualidade moral e adaptação à vida social.
As atuações e os cenários são exagerados, a direção de arte cria um cenário extremamente peculiar e facilmente reconhecível e a moral da história é subjetiva, podendo gerar longos debates e análises dependendo do que cada espectador decida pontuar. É a porta de entrada para os chamados filmes de autor. Obra-prima!