Durante uma viagem de negócios a Genebra, a decisão impulsiva de Lina tem consequências perigosas. De volta a Buenos Aires, ele tenta enterrar seu segredo, mas o passado sombrio que ele deixou para trás ressurge e ameaça sua vida atual.
Na tentativa de mostrar o aprisionamento mental que a personagem principal se encontra, aprisionada em seus próprios traumas e nas expectativas alheias, o filme acaba criando uma experiência sensorial com alguns momentos de beleza ímpar (como na cena que ela e a filha escalam o "farol" do prédio).
Mas é também uma obra que faz nos sentir aprisionados junto com ela, isso poderia até ser bom se tivesse uma narrativa que estivesse na altura do projeto, mas o problema é que tudo parece andar em círculos pois ao não nos dar o aprofundamento que a personagem principal pedia ficamos totalmente reféns da fotografia e dos efeitos sonoros (que são tão destacados que parece até trilha sonora de filmes de terror) para desenvolver toda a narrativa, mesmo tendo seu charme, não conseguem sozinhos nos fazer sentir a emoção que tudo isso pedia, parecendo em alguns momentos mais um suspense equivocado do que um drama, fica o tempo todo a sensação que uma tragédia vai acontecer e quando acaba fica a sensação que faltou algo.
Ciente de que fez um filme confuso, no terceiro ato a história tenta se explicar excessivamente , mas sem nunca conseguir colocar a personagem principal no centro da narrativa, só vemos o trauma geracional ao seu redor, tudo parece muito frio e distante para atingir o público. Quando termina a sensação que fica é que é uma obra esteticamente bonita e tecnicamente bem feita, mas que também acaba truncada e nunca realmente atinge nenhum impacto duradouro fora de alguns belíssimos momentos pontuais. Faltou unir essas correntes.
A personagem é quase um estudo de caso, e as questões ficam meio nas entrelinhas, mas parece que a qualquer momento ela vai "explodir", gostei da atuação meio fria da atriz, filme interessante, do seu jeito.
Em seu mais novo longa-metragem, a cineasta argentina, mas radicada na Suíça, Milagros Mumenthaler firma-se como uma das grandes vozes do cinema feminino latino-americano da atualidade. A sensibilidade ao retratar mulheres em crise se constrói novamente aqui, numa narrativa marcada por dilemas e crises emocionais. Lina (Isabel Aimé González-Sola, de “Feliz aniversário”), estilista argentina no auge da carreira, viaja à Suíça para receber um prêmio. Em um gesto inesperado, ela se joga no Ródano, o principal rio que corta o país. Dias depois, ao retornar a Buenos Aires, percebe que está diferente; ela desenvolve fobia à água, sente algo estranho por dentro, completamente transformada. Lina guarda segredo sobre o episódio do rio, e nota que seus pensamentos são outros, inclusive na relação com as pessoas. É uma obra metafórica, intimista, cujas correntes do rio, que vão e vem, tornam-se um elemento significativo no filme, que remete à vulnerabilidade e desajustes do mundo da estilista, revelando como o sucesso pode esconder fragilidades profundas. O filme também traz momentos reflexivos e outros contemplativos, principalmente na bela fotografia de cidades suíças como Genebra e as do rio Ródano. Para marcar a ideia de antíteses e dilemas da protagonista, o filme procura contrapor ambientes de luzes com as águas do rio, que reforçam a sensação de transformação. Obra de rara beleza, uma experiência também sensorial, num filme toca no âmago. Exibido nos festivais de San Sebastián (onde ganhou um prêmio especial), Toronto e Rio, estreia essa semana no Brasil, com distribuição da Filmes do Estação. Por Felipe Brida - Blog Cinema-naweb blogspotcom (Publicado em 18/06/2026)
Na tentativa de mostrar o aprisionamento mental que a personagem principal se encontra, aprisionada em seus próprios traumas e nas expectativas alheias, o filme acaba criando uma experiência sensorial com alguns momentos de beleza ímpar (como na cena que ela e a filha escalam o "farol" do prédio).
Mas é também uma obra que faz nos sentir aprisionados junto com ela, isso poderia até ser bom se tivesse uma narrativa que estivesse na altura do projeto, mas o problema é que tudo parece andar em círculos pois ao não nos dar o aprofundamento que a personagem principal pedia ficamos totalmente reféns da fotografia e dos efeitos sonoros (que são tão destacados que parece até trilha sonora de filmes de terror) para desenvolver toda a narrativa, mesmo tendo seu charme, não conseguem sozinhos nos fazer sentir a emoção que tudo isso pedia, parecendo em alguns momentos mais um suspense equivocado do que um drama, fica o tempo todo a sensação que uma tragédia vai acontecer e quando acaba fica a sensação que faltou algo.
Ciente de que fez um filme confuso, no terceiro ato a história tenta se explicar excessivamente , mas sem nunca conseguir colocar a personagem principal no centro da narrativa, só vemos o trauma geracional ao seu redor, tudo parece muito frio e distante para atingir o público. Quando termina a sensação que fica é que é uma obra esteticamente bonita e tecnicamente bem feita, mas que também acaba truncada e nunca realmente atinge nenhum impacto duradouro fora de alguns belíssimos momentos pontuais. Faltou unir essas correntes.
A personagem é quase um estudo de caso, e as questões ficam meio nas entrelinhas, mas parece que a qualquer momento ela vai "explodir", gostei da atuação meio fria da atriz, filme interessante, do seu jeito.
Em seu mais novo longa-metragem, a cineasta argentina, mas radicada na Suíça, Milagros Mumenthaler firma-se como uma das grandes vozes do cinema feminino latino-americano da atualidade. A sensibilidade ao retratar mulheres em crise se constrói novamente aqui, numa narrativa marcada por dilemas e crises emocionais. Lina (Isabel Aimé González-Sola, de “Feliz aniversário”), estilista argentina no auge da carreira, viaja à Suíça para receber um prêmio. Em um gesto inesperado, ela se joga no Ródano, o principal rio que corta o país. Dias depois, ao retornar a Buenos Aires, percebe que está diferente; ela desenvolve fobia à água, sente algo estranho por dentro, completamente transformada. Lina guarda segredo sobre o episódio do rio, e nota que seus pensamentos são outros, inclusive na relação com as pessoas. É uma obra metafórica, intimista, cujas correntes do rio, que vão e vem, tornam-se um elemento significativo no filme, que remete à vulnerabilidade e desajustes do mundo da estilista, revelando como o sucesso pode esconder fragilidades profundas. O filme também traz momentos reflexivos e outros contemplativos, principalmente na bela fotografia de cidades suíças como Genebra e as do rio Ródano. Para marcar a ideia de antíteses e dilemas da protagonista, o filme procura contrapor ambientes de luzes com as águas do rio, que reforçam a sensação de transformação. Obra de rara beleza, uma experiência também sensorial, num filme toca no âmago. Exibido nos festivais de San Sebastián (onde ganhou um prêmio especial), Toronto e Rio, estreia essa semana no Brasil, com distribuição da Filmes do Estação. Por Felipe Brida - Blog Cinema-naweb blogspotcom (Publicado em 18/06/2026)