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Em alguns momentos me senti assistindo aqueles episódios dos Simpsons quando eles voltam pro passado pra rever histórias americanas pois acontece tanta coisa em tão pouco tempo que parece uma sátira igual do programa da família amarela, a história é contada de forma muita apressada e a gente só vê a protagonista sofrendo de todas as maneiras possíveis, mas não mergulhamos profundamente no psicológico dela, quando ela é internada no hospício (aqui no filme é uma prisão comum apenas) a cena dura pouco tempo e só é focada nos delírios religiosos, imaginamos vagamente seus traumas do passado por causa de algumas cenas, mas o filme prefere o lado fabulesco da história e com isso vai gerando um distanciamento da pessoa real que ela foi e impedindo o filme de alcançar um tom dramático profundo, mas esse tom de fábula épica deixa a história mais curiosa ainda.
Apesar dos problemas os atores fazem um excelente trabalho digno de Oscar e os momentos musicais embora sejam mais do mesmo funcionam (principalmente por causa das coreografias), achei um grande acerto isso aqui ser um musical, se fosse um documentário ou um drama não teria o mesmo impacto emocional, pois nos sentimos graças as músicas fazendo parte daquela seita mesmo que por alguns minutos.
Destaque também para a parte técnica do projeto que é muito bem feita, como fotografia, figurino, mas o melhor é ver a mensagem central da obra não romantizar em nenhum momento sua figura e em vez disso vemos que por trás de todo o aspecto místico da religião existia uma mulher querendo se libertar de todo o patriarcado daquela época e essa mensagem arrepia mais do que qualquer revelação divina.
Obs: Curiosamente essa seita mostrada no filme continua existindo, mas dos 19 assentamentos só restou apenas 1 deles e possuí apenas 02 adeptos. Só que agora o espaço não é mais gerido pelos religiosos e sim pela comunidade local que montou um museu e transformou tudo em um ponto turístico voltado para a valorização histórica do movimento. (De certa forma o legado de Ann Lee permanece vivo, mas de uma maneira que provavelmente ela nunca imaginou).
O título da versão em inglês (Garotas Problemas) é uma baita de uma ironia, já que as garotas praticamente apenas são adolescentes normais descobrindo suas sexualidades.
Gostei da fotografia e das atuações contidas e realistas. Como ponto negativa o principal problema pra mim foi o enredo mesmo, o fato de ser um filme de amadurecimento que não parece realmente ser um, mostra algumas coisas soltas e subjetivas, mas não notamos desenvolvimento dos personagens de forma significativa.
Sinto que faltou um pouco mais de coragem pra entrar em temas mais polêmicos ou pelo menos tentar gerar reflexões ou pensamentos menos tímidos, da forma como foi feito sem interferir nos dogmas religiosos ao não apostar nos pontos de vistas conflitantes acabou deixando tudo apagado demais, apenas vemos de forma rápida os conflitos internos delas e fica por isso mesmo, somos espectadores passivos, o alívio fica apenas em cenas simbólicas como a das uvas por exemplo que trazem alguma crítica social de forma um pouco mais abraçada pelo enredo.
Fui assistir sem saber que era o representante da Eslovênia no Oscar 2026 e tem cara mesmo de filme de Oscar já que foge de polêmicas. Faltou um pouco mais de substância e principalmente coragem, mas é um bom filme.
E no final quando toca Little Trouble Girl da banda Sonic Youth, a música de encerramento parece mais polêmica e desafiadora que o próprio filme, mas tá valendo.
Últimos recados
Vlw por aceitarr
referente a qual filme irmão "te odeio".
Também odeio filme dublado, e dialogo de novela moderna brasileira.
Ainda bem que não dei bola pras críticas e fui assistir ao filme.
Excelente o design das criaturas, roteiro simples mas que não deixa a trama confusa pra novas audiências, boa coreografia das lutas, uma pegada de humor irônico com várias referências a cultura pop que deixa tudo mais divertido (tem até feira de anime), combates sangrentos e trilha sonora bem eficiente que presta diversas homenagens sonoras ao game.
A única coisa que não gostei foi da direção de arte (tirando a cena da aldeia dos ossos que foi bem feita e até parecia que saiu de Star Wars), em alguns momentos o brilho chega a saturar na tela (estilo Vingadores) e em outras a imagem fica escura demais. Mas o que mais me incomodou nela é que tudo realmente parecem cenários excessivamente digitalizados e sempre com aqueles raios solares que deixam a imagem clara demais, sempre variando entre o excesso de claridade ou de escuridão, deixando tudo artificial demais.
Mas o maior ponto positivo mesmo é a eliminação daquele protagonista insuportável do primeiro filme, aqui todo o lance do ator de ação de Hollywood esquecido aprendendo a lutar pela primeira vez na vida pode não ser genial, mas é no mínimo uma brincadeira divertida.