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Esse é o primo pobre da obra-prima ganhadora do Oscar "Quo Vadis, Aida?". Tudo se resume em cenas de ação clichês e uma estrutura muito básica de roteiro, onde sempre no último segundo surge algum imprevisto pra gerar tensão, o filme todo tem essa estrutura de jogo de vídeo game e vai ficando cansativo.
Mas mesmo o filme apostando o tempo todo em cenas de ação, tensão e tiroteios, ainda assim os acontecimentos reais são muito mais chocantes do que os mostrados aqui (Como esquecer do povo correndo atrás, se pendurando e caindo dos aviões?). Aqui o tempo todo ficamos querendo sair da embaixada da França pra saber da situação do país como um todo, mas a obra fica o tempo todo querendo fazer tensões com negociações enfadonhas e previsíveis e até mesmo picuinhas internas como afegãos (Aqui estão sempre sendo mostrados como briguentos ou pobres coitados) discutindo com os guardas ou o chefe da embaixada fazendo frases motivacionais de liderança e propondo desafios perigosos pra mulher, muito cansativo.
A jornalista passa muitos apuros o tempo todo, mas alguns são tão sem sentido que parecem terem sido feitos de última hora, é realmente estranho ela e sua amiga atrapalhada serem deixadas de fora pra depois conseguirem entrar de novo (Sendo que ninguém conseguiu entrar depois dos artistas afegãos que entraram com ajuda, só elas conseguiram entrar sozinhas). Não tem sentido nenhum, pura conveniência do roteiro, os personagens principais são como players de jogos, enquanto o resto é tudo NPC.
E no final..
O homem bomba explode, mas obviamente os "heróis" do filme sobrevivem, mesmo eles estando do lado do terrorista, enquanto a mocinha militar que o protagonista acabou de conhecer, que estava do lado de cima (portanto tinha mais chances de sobreviver) morre junto com os guardas, mas os personagens principais estranhamente sobrevivem (até a jornalista que nem tinha subido, portanto era pra ter sido a primeira a morrer já que estava do lado do terrorista, mas no final do filme ela ainda aparece, nem acreditei quando vi), mas a cena só serve pro militar do filme ter finalmente o seu protagonismo total após a gente pensar que ele morreu com o veículo capotando, mas ele sobrevive pra encerrar o filme com ele chorando pela mocinha que acabou de conhecer, no final das contas o filme é uma espécie de mini regime talibã, usando mulheres apenas pra realçar os homens.
As mulheres sempre nos serviços maternais (a única que troca a fralda é a única mulher do Exército) e o homem nem sabe segurar o bebê, emotivas, tremem de medo ou gritam com os tiros disparados ao redor delas. Enquanto os homens são sempre valentes, negociadores, motivadores e pouco afeito as emoções, nunca tremem ou gritam assustados, são sempre corajosos e nunca se abalam. No final, o diretor desse filme acaba muito mais próximo dos fanáticos do islã do que ele imagina..
É interessante ver como o filme começa de forma leve, mostrando brincadeiras e conforto total das crianças na frente das câmeras e conforme a guerra começa o ambiente vai ficando mais pesado, as crianças começam a evitar as câmeras e o ambiente muda completamente, parecendo outro local.
Mesmo esse filme tendo ganhado o Oscar de Melhor Documentário e o diretor ter feito um belo discurso contra a militarização das escolas, aqui no filme ele parece outra pessoa, pois apenas filma a manipulação ideológica dos estudantes feitas pelo regime, estando totalmente acuado para discordar daquelas ideias, restando apenas pequenos atos políticos de oposição que parecem passar despercebidos pela maioria, como tocar o hino americano (versão Lady Gaga) em vez do russo ou deixar a bandeira russa não hasteada na escola depois que a guerra começou, é interessante pra refletir que mesmo os maiores ativistas mundiais ficam acuados e perdidos no cotidiano brutal de um país devastado pela propaganda belicista e pelo clima de paranoia e vigilância constante de uma guerra.
E no discurso final da formatura quando ele fala que aquele é o último sinal do recreio, até isso parece remeter a uma ameaça em um país onde aquelas crianças estão sendo treinadas para matar.
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Vlw por aceitarr
referente a qual filme irmão "te odeio".
Também odeio filme dublado, e dialogo de novela moderna brasileira.
Uma ótima adaptação de game, que por si só já era uma adaptação de uma lenda urbana de um metrô japonês.
O filme usa uma ideia simples dos games de terror de procurar anomalias nos cenários pra fazer comentários sociais sobre alienação da sociedade no cotidiano e usa o cenário do metrô pra refletir sobre a correria do dia a dia e como estamos perdendo nossa humanidade sem nos darmos conta e isso explica o ciclo de abandono social que é cada vez maior na sociedade japonesa, onde o número de filhos sem pais é na verdade o número que se repete em uma espécie de loop infinito, conseguindo dar vida a lenda urbana e aprofundar as reflexões sociais do game para um nível muito além do que eu estava esperando.
O filme pode não ter conseguido ser assustador o suficiente, mas compensa com uma direção de arte eficiente como na cena dos ratos com partes humanas, simbolizando como a humanidade está perdendo para os animais os sentidos que nos tornam humanos.
Quando tudo acaba nos sentimos querendo sair da rotina do dia a dia o mais rápido possível e deixar o celular preso no bolso e até mesmo dar um sorriso para um estranho na rua (mas não um sorriso tão assustador igual o do "vilão" do filme, rs).