Destaque para a trilha sonora e a fotografia. A série consegue extrair muitos momentos fofos e de profunda sensibilidade emocional (como esquecer da cena da festa surpresa fazendo referência ao filme Midsommar pra garotinha solitária que entrou na puberdade ou dos momentos que elas refletem como seriam a vida delas se a mãe fosse viva ), o ponto negativo principal está em depender de clichês quase onipresentes em produções teen desde Crepúsculo (como a necessidade de um triângulo amoroso, que aqui soa algo totalmente superficial para o andamento da trama). Destaque também como as questões sobre representatividade são bem trabalhadas, mostrando como a geração nova de países ricos são bem mais abertas a diversidade e não costumam tratar a sexualidade como um tabu.
Algumas propagandas me incomodaram um pouco. O primeiro episódio é quase como um enorme comercial de turismo pra divulgar o Canadá, país que investiu muito dinheiro na série, reparem que a cada cinco minutos um personagem menciona algo positivo do país, chega a incomodar pelo excesso. Dá pra ver também que anunciam a Starlink, mas de forma totalmente descarada mesmo, chegando a olhar pra tela e dizer que é a única que pega nos lugares mais remotos do planeta. Já outros comerciais eu gostei muito mesmo da criatividade, como a criativa campanha de vacinação contra o HPV claramente inserida no primeiro episódio, usando do humor para satirizar a ansiedade da geração Z (ao mostrar o personagem todo hipocondríaco que começa a achar que está com câncer) ao mesmo tempo que lembra o público que o HPV não afeta somente mulheres e pode causar tumores em homens.
Com uma reviravolta inesperada a série encerra nos deixando um gostinho de quero mais e nos lembrando que não é preciso de grandes tragédias ou acontecimentos para nos derrubar, os momentos que mais nos emocionam são justamente os mais simples e aqui é cheio de sutilezas e momentos introspectivos, com certeza essa série vai conquistar muito além do seu público alvo.
Obs: Eu confesso que não era o público alvo e fui um desses enganados, o cartaz engana bastante, com as meninas com cara de pânico olhando pra trás e a frase "Descubra os segredos" e a sinopse falando que herdaram uma ilha misteriosa, achava que fosse algo de suspense.
Achei que tudo tem uma vibe de "Life is Strange". Os criadores nunca confirmaram, mas considero impossível que não foi inspirado no game.
CIDADES PARECIDAS E LINHAS DO TEMPO INVESTIGATIVAS SEMELHANTES
Widow's Bay vs. Arcadia Bay: Ambas são pequenas cidades costeiras isoladas, com uma atmosfera melancólica, cercadas por florestas e o oceano.
Ambas as tramas exigem que o espectador/jogador investigue o passado dos fundadores e das famílias ricas da cidade (os Warren em Widow's Bay e os Prescott em Life is Strange) para entender a corrupção e a podridão que sustentam aquele lugar.
REVOLTA DA NATUREZA E REVOLTA ADOLESCENTE
Em ambas as histórias, a própria natureza começa a se rebelar (as tempestades macabras de Widow's Bay e o tornado/neve em pleno verão de Life is Strange) como um sinal de que algo sobrenatural está profundamente errado com o lugar.
Evan vs. Max/Chloe: O foco em adolescentes (como Evan) tentando descobrir a verdade e lidando com traumas familiares, enquanto os adultos ao redor mentem ou tentam controlar a situação, traz aquela forte energia de drama juvenil misturado com horror cósmico.
DILEMA ÉTICO SIMPLESMENTE IDÊNTICO
O cerne de Widow's Bay é a ideia de que vidas precisam ser sacrificadas para salvar o coletivo. Isso é exatamente igual ao dilema final de Max Caulfield: sacrificar Chloe Price para salvar Arcadia Bay da tempestade, ou salvar Chloe e deixar a cidade ser destruída.
Achei a série legalzinha. Mas entre as duas tramas a do game foi a única que realmente conseguiu me impactar, aqui o tom de comédia e o excesso de acontecimentos (e de vilões) deixou tudo muito disperso, cada final de episódio parecia um episódio de Supernatural ou Arquivo X, acho que seria melhor se a série tivesse escolhido apenas um monstro e trabalhasse nele, em vez de criar vários monstros vazios e consequentemente pouco ameaçadores.
Emma Myers entrega uma ótima atuação, enquanto na primeira temporada o mistério era apenas uma aventura juvenil, aqui ganha ar de pura obsessão e a série nunca romantiza a busca pela justiça, mostrando uma protagonista bem mais densa e perturbada. Mas é uma pena que os personagens coadjuvantes não ajudam, o namorado dela com suas frases motivacionais enfadonhas é um verdadeiro porre, são todos bem apagados e esquecíveis, principalmente aquelas amigas bisonhas e a segunda temporada da série demora muito pra começar, ainda parece muito atrelada a temporada inicial (o julgamento do Max por exemplo parece ter mais peso que o novo mistério em si). Senti que o mistério principal ficou pouco interessante e apagado demais, podendo ter discutido com mais força essa cultura obsessiva da internet em torno de assassinos.
Destaque para a trilha sonora (com direito a "All The Good Girls Go To Hell" de Billie Eilish) e para a mensagem central da obra, aqui não temos um serial killer no sentido estrito da palavra, o verdadeiro monstro aqui acaba sendo mesmo o comportamento masculino que é normalizado e até mesmo romantizado socialmente, mesmo quando causa danos horríveis.
Cartaz claramente parodiando "A Lenda do Tesouro Perdido". Simpsons é um tesouro perdido em meio a tantas séries passageiras e deve ser a série com maior número de temporadas da história.
Não estava preparado pra esse final épico. Embora a temporada 5 não tenha sido nem de perto a minha favorita, tenho que reconhecer que essa série foi a melhor coisa que surgiu na cultura pop nos últimos anos.
É algo insano demais. Misturaram anos 80, o conceito de aventura infantil visto em obras como "Os Goonies" e "ET: O Extraterrestre" com uma pegada de filme de terror total que flerta com obras como "O Enigma de Outro Mundo", tornando tudo uma estranha mistura que seria impossível de ser exibida em qualquer mídia da época, por misturar obra com conceito infantil que parece saída da sessão da tarde com terror espacial existencialista que parece que saiu de uma obra de Lovecraft, tornando algo que só a Netflix (na época o único serviço de streaming com obras originais) poderia proporcionar, mudando a indústria do entretenimento para sempre.
A primeira temporada de Stranger Things enfrentou inúmeras rejeições de cerca de 15 a 20 emissoras e estúdios antes de ser aprovada pela Netflix. As redes de televisão e estúdios tiveram várias dúvidas e pediram grandes mudanças no conceito original. É algo que jamais seria aprovado e todos duvidam do sucesso devido a sua mistura de conceitos e gêneros, flertando com diversos públicos diferentes em um mesmo conteúdo e bugando completamento o algoritmo do entretenimento.
E o final da série brinca com isso ao apresentar um encontro de gerações acontecendo diante de nossos olhos..
No encerramento da quinta temporada me emocionei e nem estou falando da Eleven, quando aparece as crianças novas e assumem o lugar das crianças velhas (que não são mais crianças) e a porta se fecha, percebi como a série estava falando do próprio público que envelheceu com os personagens e trouxe de volta a cultura do RPG que foi abraçada pela nova geração, cultura essa que estava presa nos anos 80, assim como as músicas da Kate Bush e todo o conceito de entretenimento apresentado por essa série que estava tão esquecido e abandonado no tempo. Quebraram demais a quarta parede com esse final e quando ele para na escada do porão e parece estar se vendo naquela nova geração como se quisesse viver toda sua vida de novo, aquilo foi absolute cinema.
É bem inspirada mesmo no filme Pecadores (a cena do celeiro é tão idêntica que chega a ser inacreditável) e em Stranger Things eles bebem muito da fonte, dá pra ver como a mitologia do Vecna lembra muito o Pennywise (o lance de entrar na mente das pessoas e muitas referências visuais como na cena que o cara vai parar na sala escura cheia de portas, além da trama militar de pano de fundo). Só que nunca atinge o ápice dessas produções, sempre fica atrás, entregando um drama apenas feijão com arroz, tocando em temas interessantes mas sem nunca aprofundar tanto.
Senti falta de efeitos especiais práticos, tudo é excessivamente digital e o terror acaba em algumas cenas ficando propositalmente caricato e engraçado (como na cena dos olhos pulando pra fora ou do bebê voador que parece que saíram de "Todo Mundo em Pânico"), perdendo um pouco da carga dramática que tudo podia ter e por mais que seja uma produção ousada por matar vários de seus personagens principais, ainda assim não atinge um terror grandioso com carga alta de tensão, mas os efeitos não chegam a decepcionar igual na série Wandinha.
Pra mim está muito longe de ficar entre as melhores séries do ano pois peca muito pela falta de originalidade, mas é inegável que ela sabe usar muitas das produções atuais pra inserir temas relevantes nela e deixar tudo mais impactante, é como se a série fosse o próprio IT, se apoderando de muitas produções recentes e colocando todas pra se perderem em Derry.
Isso aqui é um drama de gente rica muito melhor que a terceira temporada de The White Lotus com certeza (inclusive a vinheta de abertura claramente se inspirou na produção da HBO). Legal que a série flerta com a mitologia das sereias ao ponto da gente não saber na maior parte do tempo se todo o sobrenatural é real ou se ela está apenas usando os simbolismos das lendas de forma metafórica pra fazer uma brincadeira com o estilo de vida de seus personagens.
Os figurinos, a direção de arte, fotografia, atuações, são tudo muito acima da média da maioria das séries de streaming e o roteiro é enigmático, consegue deixar a gente sem saber pra que lado tudo isso vai andar, ela não é uma série que vai prender você pelo sensacionalismo e pela curiosidade de um enigma ou algo assim e sim pelo seu próprio rumo, jogando a todo momento com um clima de mistério que gira em torno das relações de poder entre seus personagens, que flerta com uma sensação de passeio por outro mundo, tudo soa enigmático e deslumbrante, quase como se a ilha dos super ricos fosse também um paraíso sobrenatural, de moda a deixar a gente sem rumo e sem saber pra onde tudo isso vai dar.
O desfecho é surpreendente, só não é excelente pois sofre pela falta de tempo e por tudo soar abrupto demais, sem termos tempo de conhecer a fundo alguns desses personagens, mesmo assim os dois episódios finais são bem melhores que os outros e todo o tempo a série brinca com a vida luxuosa, a comparando com seitas religiosas e demais lendas e mistérios que cercam a vida dos famosos devido a ser um mundo inacessível pela grande parte da população.
No final a sensação que fica é que as "sereias" são apenas armas na mão dos "monstros" verdadeiros que as estão sempre culpando por tudo de errado que acontece na vida deles e as colocando sempre umas contra as outras. Mas é um desfecho simples e corrido, sem a carga dramática que precisava pro seu desenvolvimento.
Um grande momento da série é quando a personagem da Julianne Moore canaliza a dor da esposa falecida do cara com demência, parecendo ser ela própria falando, esse momento deixa a gente com dúvidas se o sobrenatural da série é real ou não e também é disparada uma das melhores cenas do seriado, ao mostrar que aquela personagem feminina parecia saber tudo o que se passou com a outra, sororidade pura.
Quando ele começa a preparar a ceia de Natal e vejo aquele peru, na mesma hora me lembrei do MR Bean com a cabeça presa dentro dele no especial de Natal dos anos 90 e comecei a rir sozinho imaginando o que viria. E para a minha surpresa nada aconteceu, ele simplesmente cozinhou bem, preparou uma ceia natalina farta em tempo recorde e com uma elaboração digna de um restaurante de luxo. E é isso o que virou essa franquia da Netflix.
As cenas de trapalhadas que a série possui acabam deixando a gente ansiosos e não fazendo rir, principalmente quando envolve várias piadas repetidas com ele ficando preso pro lado de fora enquanto o bebê corre risco de vida andando por escadas ou entrando em máquinas de lavar roupa. Aquele casal pobre que mora escondido no prédio (Inspiração no filme Parasita) parece estar lá só pra fazer vida pro velho clichê de ajudar os necessitados no Natal, personagens sem graça e sem lógica alguma, assim como a assistente social ocupada demais pra resgatar um bebê abandonado e o policial que bebe no serviço sem nenhum problema ( E por incrível que pareça eles não são personagens cômicos, infelizmente).
Mesmo para um produto genérico e descompromissado pra noite de Natal e diversão leve enquanto passa roupa é frustrante, pois não tem as raízes da comédia. É como se a série quisesse que a gente torcesse pro personagem se dar bem o tempo todo e com isso o humor de trapalhadas acaba causando incômodo e não diversão.
Tem uma hora até que tudo vira um estranho drama insuportável quando o vizinho fala que vai ser despejado após o Natal, mas a série rapidamente abandona esse dramalhão do nada.., a questão é que ou ficou pra temporada 2 ou o roteiro simplesmente esqueceu, ou o mais provável é que o roteirista mudou de ideia no meio do jogo e deixou por isso mesmo quando viu que sua comédia sem sal estava virando um drama xarope.
Nossa, bem melhor que a primeira temporada. Só não entendo o motivo dos efeitos especiais serem tão ruins (principalmente a transformação da Enid em Lobisomem), sendo que é a série mais assistida da Netflix e deveria ter mais recursos pra fazer efeitos melhores.
Achei mais divertida que a primeira temporada, na parte 01 da segunda temporada os episódios são bem variados e não deixam a série ficar cansativa.
- O primeiro deles tem até uma animação em stop motion no estilo que só Tim Burton sabe fazer aparecendo do nada no meio da trama pra ilustrar uma lenda urbana do colégio no maior estilo "Frankenweenie" e é focada no irmão da Wandinha chegando ao local pra estudar na mesma escola que sua irmã.
- O segundo lembra a comédia canadense "Fido - O Mascote", quanto o irmão da Wandinha se envolve em enrascadas e tenta domesticar um zumbi.
- O terceiro foi o meu preferido, se passa em um acampamento e lembra muito o filme "A Família Addams 2" com todo o conflito cômico contra os escoteiros e envolve vários membros da Família Addams que estão acampados juntos com os estudantes.
-O quarto se passa em um manicômio e é focado no Tio Chico sendo internado. Tendo um estilo que lembra obras como "Batman" (que também teve alguns filmes dirigidos por Tim Burton) na parte que explora o Asilo de Arkham City.
A segunda temporada de Wandinha é com certeza muito mais Família Addams raiz do que a primeira, mas ainda assim poderia ter um humor mais ácido e menos bobinho e infantil, falta aquela crítica social que visava satirizar a sociedade tão presente nos filmes dos anos 90.
O legal do streaming é que conseguem caprichar mais do que no cinema ao terem mais liberdade pra pegarem um produto teen e focar um pouco mais no terror e na violência, o que contribui bastante pra atmosfera da série. Mas o maior ponto negativo pra mim continua sendo essa decisão de colocar todos os alunos da escola tendo super poderes (no maior estilo X-Men), isso realmente nunca me agradou e só contribuiu pra deixar a série dispersa parecendo ser algo genérico derivado de qualquer outra coisa, pois quando tudo pode acontecer, nada causa impacto.
Muito bom. Isso sim é uma série de qualidade sobre a temática do suicídio e não aquele pedaço de bosta da Netflix chamado 13 Reasons Why.
Ao contrário da série da Merdaflix aqui não existe a culpabilização das pessoas no entorno do suicida, embora elas possam se sentir culpadas não é algo que o roteiro abraça como verdade absoluta em nenhum momento. Com ótimas atuações o exagero e o humor permeiam a maioria das cenas, tratando a temática de uma forma estranhamente leve e diferente da maioria das produções atuais, de uma forma que contribui positivamente para desmistificar o tabu sobre o tema, afinal, o primeiro passo para vencer qualquer problema na vida é aprender a rir dele.
Não recorrendo ao discurso fácil da auto ajuda a série apresenta personagens complexos e cheios de nuances, embora alguma vezes exagere um pouco no humor pastelão, não é algo que tira o brilho e nem a profundidade dessa produção australiana inovadora e profundamente humana.
Essa série merecia mais reconhecimento, pena não estar disponível no Brasil, somente no Prime Vídeo dos EUA.
Com essa terceira temporada ficou claro que tudo era pra ter acabado na primeira temporada e o resto foi apenas pra fazer dinheiro quando viram o sucesso absurdo.
E nunca vi tanto ator ruim atuando junto como nessa aqui, são realmente atuações canastronas, forçadas e repetitivas, a mensagem que estava clara é repetida novamente a exaustão até ficar diluída e sem impacto, tudo para fazer mais dinheiro, acho que os roteiristas e o diretor parecem estarem falando deles mesmos com essa interminável ganância.
Destaque para o segundo episódio, todo o arco narrativo envolvendo a mãe idosa, o filho e o bebê é bem mais impactante que o final da temporada.
O elenco de apoio está muito bom, mas o segundo ano não chega nem perto da genial primeira temporada. Odeio séries que terminam sem final, sendo que são apenas dois jogos, mas vão estender pra 4 temporadas e por causa disso o final aqui não consegue ser emocionante ou reflexivo igual no game, na verdade nem tem final, é apenas um episódio qualquer cortado no meio.
Destaque para o segundo episódio que consegue ser muito chocante, a série entrega muito drama pesado em vários momentos, mas o terror mesmo acabou ficando um pouco de lado e as cenas de zumbis parecem ser todas iguais, apesar das criaturas estarem mais evoluídas. Destaque vão para algumas cenas muito criativas na direção de arte, amei demais aquele ataque de zumbi na estação de metrô abandonada e aquele momento que eles derrubaram o muro da base, principalmente quando a zumbizada gruda na grade e vai deixando a moça encurralada na parede ou mesmo dentro do trem do metrô, cenas claustrofóbicas muito bem filmadas e tensas.
A série continua com boa qualidade técnica, mas não conseguiu criar aqui toda a crítica social da primeira temporada (que eu considero 5 estrelas), na verdade aqui parece estar tudo muito perdido e disperso, como se não tivesse tido tempo de desenvolver tantas tramas e tudo está muito corrido e em alguns momentos a série fica lenta e anda em círculos, principalmente quando vai deixando o romance principal pro pano de fundo da história e vai focando mais na relação da Ellie com o Joel, que também nunca chega em um ápice realmente emocionante.
Essa foi disparada a temporada mais fraca de todas. Nenhuma trama se desenvolve e no final correm pra acabar com tudo e fica parecendo aqueles filmes de ação de final de noite.
Não tem aquela sátira social e personagens marcantes igual as outras, o primeiro ano por exemplo era focado na temática trabalhista, falava muito de conflitos entre os ricos mimados e os empregados assalariados do hotel e tinha aquele gerente que tinha uma atuação super inesquecível, a segunda era focada em satirizar os relacionamentos amorosos e a personagem da Jeniffer como a socialite em apuros foi muito memorável e inesquecível, lembro dela até hoje, ambas delas faziam sátiras sociais bem desenvolvidas e tinham um humor ácido que permeava várias situações o tempo todo.
Aqui na terceira temporada parece que está tão dispersa que já esqueci tudo o que aconteceu, não tem situações de comédia ácida em praticamente nenhum momento e nem personagens que sejam realmente memoráveis, o foco está mais no suspense do que nas críticas sociais, drama tem bastante, mas parece que os temas são apenas jogados e não se desenvolvem (como do sexo entre irmãos, que termina de forma bem simplista), é como se tivesse faltado algo central pra guiar a série, em entrevista coletiva quando anunciaram que a série se passaria na Tailândia o criador falou que o luto seria o tema central (Até tem um personagem que diz estar de luto com a vida, mas é tudo tão apagado que parece que não tem muito a dizer além da clássica lição que vingança não vale a pena) então toda aquela trama do budismo parecia que iria trazer algo profundo pra fechar todas as histórias, mas quando termina vemos que todos os arcos narrativos terminaram de qualquer maneira parecendo até aqueles filminhos adolescentes que mostram rapidamente o que aconteceu com cada personagem nos créditos finais, rs.
Chega a ser engraçado a inversão de valores dessas plataformas como Instagram, Youtube, TikTok, etc.., se você colocar uma música protegida por direitos autorais tem seu vídeo deletado e pode ser banido se postar duas outras violações. Mas se promover negacionismo científico (seja de vacinas, câncer, Aids, etc..) raramente tem alguma punição, tudo isso em nome de uma suposta liberdade de expressão, vidas estão se perdendo pelo negacionismo científico incentivado por essas corporações que não fazem nada para combater a pseudociência, agora com o fim da checagem de fatos muitos vão ser ainda mais enganados do que já estão. No fim das contas é como se vidas valessem menos que músicas e filmes pra essas corporações, esses possuem mais direitos que as vidas humanas.
A série Vinagre de Maçã não chega a ser uma denúncia direta a essas plataformas, mas deixa em seu subtexto uma reflexão de como os seres humanos são levados a acreditar em qualquer um que se identificam por causa de pequenas coisas em comum e tratam médicos e cientistas como "pessoas que querem ser deuses", mas não percebem que é exatamente o oposto que acontece.
As atuações dessa série são a cereja do bolo, destaque também para a trilha sonora e para a quebra da quarta parede em várias cenas onde os personagens parecem interagir diretamente com quem tá assistindo. Como ponto negativo achei a edição um pouco confusa em alguns momentos devido a falta de linearidade da trama, então tem muitas cenas que se passam no passado e no presente meio misturadas, mas nada que atrapalhe a experiência.
No geral é uma boa série sobre o "pânico satânico", fenômeno de paranoia coletiva que levou inocentes para a prisão e até mesmo resultou em linchamentos nos EUA no final dos anos 80 e meados dos anos 90 causadas pelo conservadorismo excessivo, aqui no Brasil essa histeria coletiva de pânico moral também se fez presente e levou milhares de cartinhas do Yu-Gi-Oh! pra fogueira.
Apesar dos seus bons momentos e da sua grande capacidade de gerar suspense, falta aquele charme de série policial, o mistério nunca nos deixa realmente surpresos, tudo é resolvido cedo demais, o terror sobrenatural parece tão perdido no meio de tudo isso e não consegue acrescentar nada novo e até quase chega a atrapalhar a história. Mas as críticas sociais são válidas e não se perdem, os primeiros episódios são os melhores em causar tensão e conseguem nos prender na trama de forma eficiente.
Embora tenha achado que a série decola em sua trama principal, achei fraca as subtramas adolescentes, tirando os integrantes da banda os demais jovens não parecem serem muito afetados pelo "Pânico Satânico" que tomou conta de toda a cidade e é como se nada mudasse em suas rotinas e em vez disso a série aposta em poucos momentos realmente reflexivos e muito dos arcos narrativos juvenis se resumem em confrontos repetitivos e abobalhados típicos de tramas colegiais. Entendo que tiveram muitas casos de assédio sexual em Hollywood e por isso nada mais é como nos anos 80, mas chega a ser engraçado também aqui como tem tantas cenas de sexo e em todas elas os personagens vão pros finalmente sem tirar suas roupas.
Senti falta de mais momentos musicais envolvendo a banda e de um aprofundamento narrativo nos problemas psicológicos da mãe do protagonista.
Achei que o elenco está muito bem, mas algumas atuações são forçadas e parecem um pouco fora do tom em alguns momentos (quando as coisas começam dar ruim pra banda tudo parece soar apressado demais e os atores teens são fracos em transmitir a tensão necessária nesses momentos e pra piorar muitos parecem ter saído diretamente do Disney Channel, principalmente a patricinha), mas o trio principal tem boa química na tela (Mas o destaque mesmo vai pra atuação da Chiara), a filha da vilã principal também ganha destaque aqui com sua atuação que começa contida e até um pouco apagada, mas vai melhorando no decorrer da história e atinge seu ápice nos momentos finais da trama onde ultrapassa em qualidade a atuação da atriz que faz a vilã, o ator que faz o detetive é outro que manda muito, ele é a alma da série e consegue passar bastante tensão com sua atuação de uma pessoa lúcida que vai perdendo sua sanidade aos poucos.
Curiosidade: Cada episódio leva o nome de uma música icônica de várias bandas de rock e metal que marcaram época.
Os melhores são os dois primeiros episódios que realmente inovam com aquela trama de investigação policial, depois é apenas repeteco do que deu certo na primeira temporada. Algumas atuações são exageradas e não parecem tão convincentes (como o rapper malvadão e o apostador do metrô), também não parece nem um pouco crível o personagem principal ter topado passar por tudo novamente ao voltar ao jogo.
Tem muitos furos de roteiro (eles não usarem os efeitos de fumaça com sonífero pra encerrar os tiroteios) e o infiltrado dessa vez é facilmente previsível e bem mais sem graça e intrigante do que o vilão da primeira temporada. Mas as críticas sociais permanecem afiadas, embora não fujam muito do que já foi visto de forma melhorada na primeira temporada (que eu considero excelente).
Já o final dessa temporada é desanimador ao terminar sem apresentar um encerramento de fato. É verdade que a série ainda é bem boa, mas não é mais excelente, pois é visível como tudo está sendo espremido ao máximo e Round 6 já começou a apresentar sinais de cansaço nesse retorno.
Muito bom, a série tem uma pegada meio Nancy Drew e grandes momentos de emoção e preocupação em discutir temas sensíveis, achei muito melhor do que estava esperando.
Pra quem gosta de filmes de terror como eu vai ver referências a vários clássicos como Halloween - A Noite do Terror (cena do armário) e Pânico (cena que ela é espionada do jardim).
Destaque para a atuação de Emma Myers (que já tinha salvado Wandinha) e pra trilha sonora que tem um padrão de qualidade muito acima da média. Como ponto negativo achei as convenções do roteiro, um pouco estranho as pessoas que guardavam segredos por anos se abrirem tão facilmente pra garotinha curiosa e a ingenuidade dela em algumas situações, mas eram cenas que precisaram ocorrer pra história seguir em frente, mas é precisa realmente uma certa suspensão da descrença pra embarcar nelas.
Para uma série teen ela é realmente muito acima da média e as conveniências do roteiro não atrapalham o andamento da trama, pois ela faz que nos importemos com seus personagens, podendo causar emoção genuína e em muitos momentos são elas que comandam a narrativa e não o mistério principal. Mesmo sendo pequenas cenas singelas, elas deixam tudo muito profundo.
Foi quando ela retomou aquela memória de infância que ronda a série desde o começo, dela pequena mostrando pro rapaz onde estava sua namorada, só que agora o rapaz em sua memória não está mais com cara de bravo atrás dela e sim alegre e sorridente, isso prova que isso ocorria por causa da sensação de culpa que a garota sentia desde criança, podemos sentir ali naquela lembrança que o remorso da garota foi embora (por mais simples que seja, são momentos como esses que salvam a série, momentos simples e genuínos, mas profundamente psicológicos e emotivos)
No geral é tudo feito com muito carinho, podemos sentir também que em nenhum momento a série se perde, é tudo muito gostoso de acompanhar, retornaria fácil para uma segunda temporada.
A série é realmente muito divertida, por trás da comédia de ficção científica de um vilarejo em ruínas tentando atrair turistas pra se recuperar de seu fim que se aproxima, existe uma divertida e contundente crítica a figura do magnata e políticos em geral, e do jogo de interesses envolvendo dinheiro e poder.
O elenco tem muita química e os atores entregam muito, principalmente o Jerónimo Best que está ótimo no papel de charlatão, ele fingindo ser um milionário é realmente muito divertido e me rendeu ótimas gargalhadas, toda vez me vinha o coach Pablo Marçal na memória, algumas frases clichês que ele usa ainda são idênticas, além da semelhança do ator com ele.
Pra melhorar ainda mais, temos cenas de rolar de tanto rir como uma prefeita corrupta em um comício perdendo um debate com um bebum da praça, crítica contundente ao bairrismo e a cultura do coronelismo (ainda muito presente em várias cidades), sátira social das elites econômicas (O "empresário verde" manipulando as pessoas em uma câmara como em filmes de ficção científica foi uma divertida sacada do roteiro), e uma divertida sátira de como a religião pode ser usada por empresários para dar lucro (a cena da chegada do ET é de rolar de tanto rir).
E por mais que alguns com certeza vão achar as figuras caricatas (principalmente da prefeita), eu achei sensacional, pois é uma verdadeira vilã de novela mexicana, já que isso aqui é uma série do México não poderia ser diferente, não vi como algo negativo e sim como uma divertida homenagem ao cinema mexicano o estilo vilanesco da personagem.
A Fábrica de ETs cumpre bem o seu papel de comédia e parece até bobinha no começo, mas dentro do gênero e do estilo da trama o trabalho feito aqui simplesmente só cresce e vai ficando cada vez mais divertido de acompanhar, dentro do estilo achei simplesmente o melhor que poderia ter sido feito e merecia muito uma segunda temporada.
Finalmente temos aqui um produto da Netflix que não segue fórmulas prontas, promete ser uma história true crime e na verdade é uma crítica a esse formato de conteúdo sensacionalista e seus consumidores ávidos pela exploração da desgraça alheia.
Uma boa pedida, vale assistir pela trilha sonora e fotografia belíssimas e por aqueles que gostam de cultura irlandesa, nos sentimos perdidos junto com os personagens pela cidade, o curioso é que quando tudo acaba o mistério principal da trama nem importa mais, essa série é única demais.
Sterling Point
3.8 48 Assista AgoraDestaque para a trilha sonora e a fotografia. A série consegue extrair muitos momentos fofos e de profunda sensibilidade emocional (como esquecer da cena da festa surpresa fazendo referência ao filme Midsommar pra garotinha solitária que entrou na puberdade ou dos momentos que elas refletem como seriam a vida delas se a mãe fosse viva ), o ponto negativo principal está em depender de clichês quase onipresentes em produções teen desde Crepúsculo (como a necessidade de um triângulo amoroso, que aqui soa algo totalmente superficial para o andamento da trama). Destaque também como as questões sobre representatividade são bem trabalhadas, mostrando como a geração nova de países ricos são bem mais abertas a diversidade e não costumam tratar a sexualidade como um tabu.
Algumas propagandas me incomodaram um pouco. O primeiro episódio é quase como um enorme comercial de turismo pra divulgar o Canadá, país que investiu muito dinheiro na série, reparem que a cada cinco minutos um personagem menciona algo positivo do país, chega a incomodar pelo excesso. Dá pra ver também que anunciam a Starlink, mas de forma totalmente descarada mesmo, chegando a olhar pra tela e dizer que é a única que pega nos lugares mais remotos do planeta. Já outros comerciais eu gostei muito mesmo da criatividade, como a criativa campanha de vacinação contra o HPV claramente inserida no primeiro episódio, usando do humor para satirizar a ansiedade da geração Z (ao mostrar o personagem todo hipocondríaco que começa a achar que está com câncer) ao mesmo tempo que lembra o público que o HPV não afeta somente mulheres e pode causar tumores em homens.
Com uma reviravolta inesperada a série encerra nos deixando um gostinho de quero mais e nos lembrando que não é preciso de grandes tragédias ou acontecimentos para nos derrubar, os momentos que mais nos emocionam são justamente os mais simples e aqui é cheio de sutilezas e momentos introspectivos, com certeza essa série vai conquistar muito além do seu público alvo.
Obs: Eu confesso que não era o público alvo e fui um desses enganados, o cartaz engana bastante, com as meninas com cara de pânico olhando pra trás e a frase "Descubra os segredos" e a sinopse falando que herdaram uma ilha misteriosa, achava que fosse algo de suspense.
Sterling Point
3.8 48 Assista AgoraQuem gostou dessa série procure pra assistir ao filme canadense Falcon Lake, é muito lindo.
O Segredo de Widow's Bay (1ª Temporada)
4.0 149 Assista AgoraAchei que tudo tem uma vibe de "Life is Strange". Os criadores nunca confirmaram, mas considero impossível que não foi inspirado no game.
CIDADES PARECIDAS E LINHAS DO TEMPO INVESTIGATIVAS SEMELHANTES
Widow's Bay vs. Arcadia Bay: Ambas são pequenas cidades costeiras isoladas, com uma atmosfera melancólica, cercadas por florestas e o oceano.
Ambas as tramas exigem que o espectador/jogador investigue o passado dos fundadores e das famílias ricas da cidade (os Warren em Widow's Bay e os Prescott em Life is Strange) para entender a corrupção e a podridão que sustentam aquele lugar.
REVOLTA DA NATUREZA E REVOLTA ADOLESCENTE
Em ambas as histórias, a própria natureza começa a se rebelar (as tempestades macabras de Widow's Bay e o tornado/neve em pleno verão de Life is Strange) como um sinal de que algo sobrenatural está profundamente errado com o lugar.
Evan vs. Max/Chloe: O foco em adolescentes (como Evan) tentando descobrir a verdade e lidando com traumas familiares, enquanto os adultos ao redor mentem ou tentam controlar a situação, traz aquela forte energia de drama juvenil misturado com horror cósmico.
DILEMA ÉTICO SIMPLESMENTE IDÊNTICO
O cerne de Widow's Bay é a ideia de que vidas precisam ser sacrificadas para salvar o coletivo. Isso é exatamente igual ao dilema final de Max Caulfield: sacrificar Chloe Price para salvar Arcadia Bay da tempestade, ou salvar Chloe e deixar a cidade ser destruída.
Achei a série legalzinha. Mas entre as duas tramas a do game foi a única que realmente conseguiu me impactar, aqui o tom de comédia e o excesso de acontecimentos (e de vilões) deixou tudo muito disperso, cada final de episódio parecia um episódio de Supernatural ou Arquivo X, acho que seria melhor se a série tivesse escolhido apenas um monstro e trabalhasse nele, em vez de criar vários monstros vazios e consequentemente pouco ameaçadores.
Manual de Assassinato para Boas Garotas (2ª Temporada)
3.2 4 Assista AgoraEmma Myers entrega uma ótima atuação, enquanto na primeira temporada o mistério era apenas uma aventura juvenil, aqui ganha ar de pura obsessão e a série nunca romantiza a busca pela justiça, mostrando uma protagonista bem mais densa e perturbada. Mas é uma pena que os personagens coadjuvantes não ajudam, o namorado dela com suas frases motivacionais enfadonhas é um verdadeiro porre, são todos bem apagados e esquecíveis, principalmente aquelas amigas bisonhas e a segunda temporada da série demora muito pra começar, ainda parece muito atrelada a temporada inicial (o julgamento do Max por exemplo parece ter mais peso que o novo mistério em si). Senti que o mistério principal ficou pouco interessante e apagado demais, podendo ter discutido com mais força essa cultura obsessiva da internet em torno de assassinos.
Destaque para a trilha sonora (com direito a "All The Good Girls Go To Hell" de Billie Eilish) e para a mensagem central da obra, aqui não temos um serial killer no sentido estrito da palavra, o verdadeiro monstro aqui acaba sendo mesmo o comportamento masculino que é normalizado e até mesmo romantizado socialmente, mesmo quando causa danos horríveis.
Os Simpsons (37ª Temporada)
4.2 2Cartaz claramente parodiando "A Lenda do Tesouro Perdido". Simpsons é um tesouro perdido em meio a tantas séries passageiras e deve ser a série com maior número de temporadas da história.
Os Simpsons (36ª Temporada)
3.9 8 Assista AgoraVejam sempre legendado, dublado perde muitas piadas, principalmente as de sátira religiosa.
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 517 Assista AgoraNão estava preparado pra esse final épico. Embora a temporada 5 não tenha sido nem de perto a minha favorita, tenho que reconhecer que essa série foi a melhor coisa que surgiu na cultura pop nos últimos anos.
É algo insano demais. Misturaram anos 80, o conceito de aventura infantil visto em obras como "Os Goonies" e "ET: O Extraterrestre" com uma pegada de filme de terror total que flerta com obras como "O Enigma de Outro Mundo", tornando tudo uma estranha mistura que seria impossível de ser exibida em qualquer mídia da época, por misturar obra com conceito infantil que parece saída da sessão da tarde com terror espacial existencialista que parece que saiu de uma obra de Lovecraft, tornando algo que só a Netflix (na época o único serviço de streaming com obras originais) poderia proporcionar, mudando a indústria do entretenimento para sempre.
A primeira temporada de Stranger Things enfrentou inúmeras rejeições de cerca de 15 a 20 emissoras e estúdios antes de ser aprovada pela Netflix. As redes de televisão e estúdios tiveram várias dúvidas e pediram grandes mudanças no conceito original. É algo que jamais seria aprovado e todos duvidam do sucesso devido a sua mistura de conceitos e gêneros, flertando com diversos públicos diferentes em um mesmo conteúdo e bugando completamento o algoritmo do entretenimento.
E o final da série brinca com isso ao apresentar um encontro de gerações acontecendo diante de nossos olhos..
No encerramento da quinta temporada me emocionei e nem estou falando da Eleven, quando aparece as crianças novas e assumem o lugar das crianças velhas (que não são mais crianças) e a porta se fecha, percebi como a série estava falando do próprio público que envelheceu com os personagens e trouxe de volta a cultura do RPG que foi abraçada pela nova geração, cultura essa que estava presa nos anos 80, assim como as músicas da Kate Bush e todo o conceito de entretenimento apresentado por essa série que estava tão esquecido e abandonado no tempo. Quebraram demais a quarta parede com esse final e quando ele para na escada do porão e parece estar se vendo naquela nova geração como se quisesse viver toda sua vida de novo, aquilo foi absolute cinema.
It: Bem-Vindos a Derry (1ª Temporada)
4.1 373 Assista AgoraÉ bem inspirada mesmo no filme Pecadores (a cena do celeiro é tão idêntica que chega a ser inacreditável) e em Stranger Things eles bebem muito da fonte, dá pra ver como a mitologia do Vecna lembra muito o Pennywise (o lance de entrar na mente das pessoas e muitas referências visuais como na cena que o cara vai parar na sala escura cheia de portas, além da trama militar de pano de fundo). Só que nunca atinge o ápice dessas produções, sempre fica atrás, entregando um drama apenas feijão com arroz, tocando em temas interessantes mas sem nunca aprofundar tanto.
Senti falta de efeitos especiais práticos, tudo é excessivamente digital e o terror acaba em algumas cenas ficando propositalmente caricato e engraçado (como na cena dos olhos pulando pra fora ou do bebê voador que parece que saíram de "Todo Mundo em Pânico"), perdendo um pouco da carga dramática que tudo podia ter e por mais que seja uma produção ousada por matar vários de seus personagens principais, ainda assim não atinge um terror grandioso com carga alta de tensão, mas os efeitos não chegam a decepcionar igual na série Wandinha.
Pra mim está muito longe de ficar entre as melhores séries do ano pois peca muito pela falta de originalidade, mas é inegável que ela sabe usar muitas das produções atuais pra inserir temas relevantes nela e deixar tudo mais impactante, é como se a série fosse o próprio IT, se apoderando de muitas produções recentes e colocando todas pra se perderem em Derry.
Sereias
3.2 74 Assista AgoraIsso aqui é um drama de gente rica muito melhor que a terceira temporada de The White Lotus com certeza (inclusive a vinheta de abertura claramente se inspirou na produção da HBO). Legal que a série flerta com a mitologia das sereias ao ponto da gente não saber na maior parte do tempo se todo o sobrenatural é real ou se ela está apenas usando os simbolismos das lendas de forma metafórica pra fazer uma brincadeira com o estilo de vida de seus personagens.
Os figurinos, a direção de arte, fotografia, atuações, são tudo muito acima da média da maioria das séries de streaming e o roteiro é enigmático, consegue deixar a gente sem saber pra que lado tudo isso vai andar, ela não é uma série que vai prender você pelo sensacionalismo e pela curiosidade de um enigma ou algo assim e sim pelo seu próprio rumo, jogando a todo momento com um clima de mistério que gira em torno das relações de poder entre seus personagens, que flerta com uma sensação de passeio por outro mundo, tudo soa enigmático e deslumbrante, quase como se a ilha dos super ricos fosse também um paraíso sobrenatural, de moda a deixar a gente sem rumo e sem saber pra onde tudo isso vai dar.
O desfecho é surpreendente, só não é excelente pois sofre pela falta de tempo e por tudo soar abrupto demais, sem termos tempo de conhecer a fundo alguns desses personagens, mesmo assim os dois episódios finais são bem melhores que os outros e todo o tempo a série brinca com a vida luxuosa, a comparando com seitas religiosas e demais lendas e mistérios que cercam a vida dos famosos devido a ser um mundo inacessível pela grande parte da população.
No final a sensação que fica é que as "sereias" são apenas armas na mão dos "monstros" verdadeiros que as estão sempre culpando por tudo de errado que acontece na vida deles e as colocando sempre umas contra as outras. Mas é um desfecho simples e corrido, sem a carga dramática que precisava pro seu desenvolvimento.
Um grande momento da série é quando a personagem da Julianne Moore canaliza a dor da esposa falecida do cara com demência, parecendo ser ela própria falando, esse momento deixa a gente com dúvidas se o sobrenatural da série é real ou não e também é disparada uma das melhores cenas do seriado, ao mostrar que aquela personagem feminina parecia saber tudo o que se passou com a outra, sororidade pura.
Homem X Bebê
3.3 31 Assista AgoraQuando ele começa a preparar a ceia de Natal e vejo aquele peru, na mesma hora me lembrei do MR Bean com a cabeça presa dentro dele no especial de Natal dos anos 90 e comecei a rir sozinho imaginando o que viria. E para a minha surpresa nada aconteceu, ele simplesmente cozinhou bem, preparou uma ceia natalina farta em tempo recorde e com uma elaboração digna de um restaurante de luxo. E é isso o que virou essa franquia da Netflix.
As cenas de trapalhadas que a série possui acabam deixando a gente ansiosos e não fazendo rir, principalmente quando envolve várias piadas repetidas com ele ficando preso pro lado de fora enquanto o bebê corre risco de vida andando por escadas ou entrando em máquinas de lavar roupa. Aquele casal pobre que mora escondido no prédio (Inspiração no filme Parasita) parece estar lá só pra fazer vida pro velho clichê de ajudar os necessitados no Natal, personagens sem graça e sem lógica alguma, assim como a assistente social ocupada demais pra resgatar um bebê abandonado e o policial que bebe no serviço sem nenhum problema ( E por incrível que pareça eles não são personagens cômicos, infelizmente).
Mesmo para um produto genérico e descompromissado pra noite de Natal e diversão leve enquanto passa roupa é frustrante, pois não tem as raízes da comédia. É como se a série quisesse que a gente torcesse pro personagem se dar bem o tempo todo e com isso o humor de trapalhadas acaba causando incômodo e não diversão.
Tem uma hora até que tudo vira um estranho drama insuportável quando o vizinho fala que vai ser despejado após o Natal, mas a série rapidamente abandona esse dramalhão do nada.., a questão é que ou ficou pra temporada 2 ou o roteiro simplesmente esqueceu, ou o mais provável é que o roteirista mudou de ideia no meio do jogo e deixou por isso mesmo quando viu que sua comédia sem sal estava virando um drama xarope.
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 517 Assista AgoraO filme do Dragon Ball que todos pedimos
Wandinha (2ª Temporada)
3.5 173 Assista AgoraNossa, bem melhor que a primeira temporada. Só não entendo o motivo dos efeitos especiais serem tão ruins (principalmente a transformação da Enid em Lobisomem), sendo que é a série mais assistida da Netflix e deveria ter mais recursos pra fazer efeitos melhores.
Wandinha (2ª Temporada)
3.5 173 Assista AgoraAchei mais divertida que a primeira temporada, na parte 01 da segunda temporada os episódios são bem variados e não deixam a série ficar cansativa.
- O primeiro deles tem até uma animação em stop motion no estilo que só Tim Burton sabe fazer aparecendo do nada no meio da trama pra ilustrar uma lenda urbana do colégio no maior estilo "Frankenweenie" e é focada no irmão da Wandinha chegando ao local pra estudar na mesma escola que sua irmã.
- O segundo lembra a comédia canadense "Fido - O Mascote", quanto o irmão da Wandinha se envolve em enrascadas e tenta domesticar um zumbi.
- O terceiro foi o meu preferido, se passa em um acampamento e lembra muito o filme "A Família Addams 2" com todo o conflito cômico contra os escoteiros e envolve vários membros da Família Addams que estão acampados juntos com os estudantes.
-O quarto se passa em um manicômio e é focado no Tio Chico sendo internado. Tendo um estilo que lembra obras como "Batman" (que também teve alguns filmes dirigidos por Tim Burton) na parte que explora o Asilo de Arkham City.
A segunda temporada de Wandinha é com certeza muito mais Família Addams raiz do que a primeira, mas ainda assim poderia ter um humor mais ácido e menos bobinho e infantil, falta aquela crítica social que visava satirizar a sociedade tão presente nos filmes dos anos 90.
O legal do streaming é que conseguem caprichar mais do que no cinema ao terem mais liberdade pra pegarem um produto teen e focar um pouco mais no terror e na violência, o que contribui bastante pra atmosfera da série. Mas o maior ponto negativo pra mim continua sendo essa decisão de colocar todos os alunos da escola tendo super poderes (no maior estilo X-Men), isso realmente nunca me agradou e só contribuiu pra deixar a série dispersa parecendo ser algo genérico derivado de qualquer outra coisa, pois quando tudo pode acontecer, nada causa impacto.
Totally Completely Fine
3.6 2Muito bom. Isso sim é uma série de qualidade sobre a temática do suicídio e não aquele pedaço de bosta da Netflix chamado 13 Reasons Why.
Ao contrário da série da Merdaflix aqui não existe a culpabilização das pessoas no entorno do suicida, embora elas possam se sentir culpadas não é algo que o roteiro abraça como verdade absoluta em nenhum momento. Com ótimas atuações o exagero e o humor permeiam a maioria das cenas, tratando a temática de uma forma estranhamente leve e diferente da maioria das produções atuais, de uma forma que contribui positivamente para desmistificar o tabu sobre o tema, afinal, o primeiro passo para vencer qualquer problema na vida é aprender a rir dele.
Não recorrendo ao discurso fácil da auto ajuda a série apresenta personagens complexos e cheios de nuances, embora alguma vezes exagere um pouco no humor pastelão, não é algo que tira o brilho e nem a profundidade dessa produção australiana inovadora e profundamente humana.
Essa série merecia mais reconhecimento, pena não estar disponível no Brasil, somente no Prime Vídeo dos EUA.
Round 6 (3ª Temporada)
3.2 318 Assista AgoraCom essa terceira temporada ficou claro que tudo era pra ter acabado na primeira temporada e o resto foi apenas pra fazer dinheiro quando viram o sucesso absurdo.
E nunca vi tanto ator ruim atuando junto como nessa aqui, são realmente atuações canastronas, forçadas e repetitivas, a mensagem que estava clara é repetida novamente a exaustão até ficar diluída e sem impacto, tudo para fazer mais dinheiro, acho que os roteiristas e o diretor parecem estarem falando deles mesmos com essa interminável ganância.
Destaque para o segundo episódio, todo o arco narrativo envolvendo a mãe idosa, o filho e o bebê é bem mais impactante que o final da temporada.
The Last of Us (2ª Temporada)
3.5 463 Assista AgoraO elenco de apoio está muito bom, mas o segundo ano não chega nem perto da genial primeira temporada. Odeio séries que terminam sem final, sendo que são apenas dois jogos, mas vão estender pra 4 temporadas e por causa disso o final aqui não consegue ser emocionante ou reflexivo igual no game, na verdade nem tem final, é apenas um episódio qualquer cortado no meio.
Destaque para o segundo episódio que consegue ser muito chocante, a série entrega muito drama pesado em vários momentos, mas o terror mesmo acabou ficando um pouco de lado e as cenas de zumbis parecem ser todas iguais, apesar das criaturas estarem mais evoluídas. Destaque vão para algumas cenas muito criativas na direção de arte, amei demais aquele ataque de zumbi na estação de metrô abandonada e aquele momento que eles derrubaram o muro da base, principalmente quando a zumbizada gruda na grade e vai deixando a moça encurralada na parede ou mesmo dentro do trem do metrô, cenas claustrofóbicas muito bem filmadas e tensas.
A série continua com boa qualidade técnica, mas não conseguiu criar aqui toda a crítica social da primeira temporada (que eu considero 5 estrelas), na verdade aqui parece estar tudo muito perdido e disperso, como se não tivesse tido tempo de desenvolver tantas tramas e tudo está muito corrido e em alguns momentos a série fica lenta e anda em círculos, principalmente quando vai deixando o romance principal pro pano de fundo da história e vai focando mais na relação da Ellie com o Joel, que também nunca chega em um ápice realmente emocionante.
The White Lotus (3ª Temporada)
3.6 245 Assista AgoraEssa foi disparada a temporada mais fraca de todas. Nenhuma trama se desenvolve e no final correm pra acabar com tudo e fica parecendo aqueles filmes de ação de final de noite.
Não tem aquela sátira social e personagens marcantes igual as outras, o primeiro ano por exemplo era focado na temática trabalhista, falava muito de conflitos entre os ricos mimados e os empregados assalariados do hotel e tinha aquele gerente que tinha uma atuação super inesquecível, a segunda era focada em satirizar os relacionamentos amorosos e a personagem da Jeniffer como a socialite em apuros foi muito memorável e inesquecível, lembro dela até hoje, ambas delas faziam sátiras sociais bem desenvolvidas e tinham um humor ácido que permeava várias situações o tempo todo.
Aqui na terceira temporada parece que está tão dispersa que já esqueci tudo o que aconteceu, não tem situações de comédia ácida em praticamente nenhum momento e nem personagens que sejam realmente memoráveis, o foco está mais no suspense do que nas críticas sociais, drama tem bastante, mas parece que os temas são apenas jogados e não se desenvolvem (como do sexo entre irmãos, que termina de forma bem simplista), é como se tivesse faltado algo central pra guiar a série, em entrevista coletiva quando anunciaram que a série se passaria na Tailândia o criador falou que o luto seria o tema central (Até tem um personagem que diz estar de luto com a vida, mas é tudo tão apagado que parece que não tem muito a dizer além da clássica lição que vingança não vale a pena) então toda aquela trama do budismo parecia que iria trazer algo profundo pra fechar todas as histórias, mas quando termina vemos que todos os arcos narrativos terminaram de qualquer maneira parecendo até aqueles filminhos adolescentes que mostram rapidamente o que aconteceu com cada personagem nos créditos finais, rs.
Vinagre de Maçã
3.5 57 Assista AgoraChega a ser engraçado a inversão de valores dessas plataformas como Instagram, Youtube, TikTok, etc.., se você colocar uma música protegida por direitos autorais tem seu vídeo deletado e pode ser banido se postar duas outras violações. Mas se promover negacionismo científico (seja de vacinas, câncer, Aids, etc..) raramente tem alguma punição, tudo isso em nome de uma suposta liberdade de expressão, vidas estão se perdendo pelo negacionismo científico incentivado por essas corporações que não fazem nada para combater a pseudociência, agora com o fim da checagem de fatos muitos vão ser ainda mais enganados do que já estão. No fim das contas é como se vidas valessem menos que músicas e filmes pra essas corporações, esses possuem mais direitos que as vidas humanas.
A série Vinagre de Maçã não chega a ser uma denúncia direta a essas plataformas, mas deixa em seu subtexto uma reflexão de como os seres humanos são levados a acreditar em qualquer um que se identificam por causa de pequenas coisas em comum e tratam médicos e cientistas como "pessoas que querem ser deuses", mas não percebem que é exatamente o oposto que acontece.
As atuações dessa série são a cereja do bolo, destaque também para a trilha sonora e para a quebra da quarta parede em várias cenas onde os personagens parecem interagir diretamente com quem tá assistindo. Como ponto negativo achei a edição um pouco confusa em alguns momentos devido a falta de linearidade da trama, então tem muitas cenas que se passam no passado e no presente meio misturadas, mas nada que atrapalhe a experiência.
Hysteria! (1ª Temporada)
3.5 37 Assista AgoraNo geral é uma boa série sobre o "pânico satânico", fenômeno de paranoia coletiva que levou inocentes para a prisão e até mesmo resultou em linchamentos nos EUA no final dos anos 80 e meados dos anos 90 causadas pelo conservadorismo excessivo, aqui no Brasil essa histeria coletiva de pânico moral também se fez presente e levou milhares de cartinhas do Yu-Gi-Oh! pra fogueira.
Apesar dos seus bons momentos e da sua grande capacidade de gerar suspense, falta aquele charme de série policial, o mistério nunca nos deixa realmente surpresos, tudo é resolvido cedo demais, o terror sobrenatural parece tão perdido no meio de tudo isso e não consegue acrescentar nada novo e até quase chega a atrapalhar a história. Mas as críticas sociais são válidas e não se perdem, os primeiros episódios são os melhores em causar tensão e conseguem nos prender na trama de forma eficiente.
Embora tenha achado que a série decola em sua trama principal, achei fraca as subtramas adolescentes, tirando os integrantes da banda os demais jovens não parecem serem muito afetados pelo "Pânico Satânico" que tomou conta de toda a cidade e é como se nada mudasse em suas rotinas e em vez disso a série aposta em poucos momentos realmente reflexivos e muito dos arcos narrativos juvenis se resumem em confrontos repetitivos e abobalhados típicos de tramas colegiais. Entendo que tiveram muitas casos de assédio sexual em Hollywood e por isso nada mais é como nos anos 80, mas chega a ser engraçado também aqui como tem tantas cenas de sexo e em todas elas os personagens vão pros finalmente sem tirar suas roupas.
Senti falta de mais momentos musicais envolvendo a banda e de um aprofundamento narrativo nos problemas psicológicos da mãe do protagonista.
Achei que o elenco está muito bem, mas algumas atuações são forçadas e parecem um pouco fora do tom em alguns momentos (quando as coisas começam dar ruim pra banda tudo parece soar apressado demais e os atores teens são fracos em transmitir a tensão necessária nesses momentos e pra piorar muitos parecem ter saído diretamente do Disney Channel, principalmente a patricinha), mas o trio principal tem boa química na tela (Mas o destaque mesmo vai pra atuação da Chiara), a filha da vilã principal também ganha destaque aqui com sua atuação que começa contida e até um pouco apagada, mas vai melhorando no decorrer da história e atinge seu ápice nos momentos finais da trama onde ultrapassa em qualidade a atuação da atriz que faz a vilã, o ator que faz o detetive é outro que manda muito, ele é a alma da série e consegue passar bastante tensão com sua atuação de uma pessoa lúcida que vai perdendo sua sanidade aos poucos.
Curiosidade: Cada episódio leva o nome de uma música icônica de várias bandas de rock e metal que marcaram época.
Round 6 (2ª Temporada)
3.5 419 Assista AgoraOs melhores são os dois primeiros episódios que realmente inovam com aquela trama de investigação policial, depois é apenas repeteco do que deu certo na primeira temporada. Algumas atuações são exageradas e não parecem tão convincentes (como o rapper malvadão e o apostador do metrô), também não parece nem um pouco crível o personagem principal ter topado passar por tudo novamente ao voltar ao jogo.
Tem muitos furos de roteiro (eles não usarem os efeitos de fumaça com sonífero pra encerrar os tiroteios) e o infiltrado dessa vez é facilmente previsível e bem mais sem graça e intrigante do que o vilão da primeira temporada. Mas as críticas sociais permanecem afiadas, embora não fujam muito do que já foi visto de forma melhorada na primeira temporada (que eu considero excelente).
Já o final dessa temporada é desanimador ao terminar sem apresentar um encerramento de fato. É verdade que a série ainda é bem boa, mas não é mais excelente, pois é visível como tudo está sendo espremido ao máximo e Round 6 já começou a apresentar sinais de cansaço nesse retorno.
Os Simpsons (35ª Temporada)
4.0 8 Assista AgoraEssa série é mais pop que a cultura pop.
Manual de Assassinato para Boas Garotas (1ª Temporada)
3.2 46Muito bom, a série tem uma pegada meio Nancy Drew e grandes momentos de emoção e preocupação em discutir temas sensíveis, achei muito melhor do que estava esperando.
Pra quem gosta de filmes de terror como eu vai ver referências a vários clássicos como Halloween - A Noite do Terror (cena do armário) e Pânico (cena que ela é espionada do jardim).
Destaque para a atuação de Emma Myers (que já tinha salvado Wandinha) e pra trilha sonora que tem um padrão de qualidade muito acima da média. Como ponto negativo achei as convenções do roteiro, um pouco estranho as pessoas que guardavam segredos por anos se abrirem tão facilmente pra garotinha curiosa e a ingenuidade dela em algumas situações, mas eram cenas que precisaram ocorrer pra história seguir em frente, mas é precisa realmente uma certa suspensão da descrença pra embarcar nelas.
Para uma série teen ela é realmente muito acima da média e as conveniências do roteiro não atrapalham o andamento da trama, pois ela faz que nos importemos com seus personagens, podendo causar emoção genuína e em muitos momentos são elas que comandam a narrativa e não o mistério principal. Mesmo sendo pequenas cenas singelas, elas deixam tudo muito profundo.
Um grande momento para mim por exemplo:
Foi quando ela retomou aquela memória de infância que ronda a série desde o começo, dela pequena mostrando pro rapaz onde estava sua namorada, só que agora o rapaz em sua memória não está mais com cara de bravo atrás dela e sim alegre e sorridente, isso prova que isso ocorria por causa da sensação de culpa que a garota sentia desde criança, podemos sentir ali naquela lembrança que o remorso da garota foi embora (por mais simples que seja, são momentos como esses que salvam a série, momentos simples e genuínos, mas profundamente psicológicos e emotivos)
No geral é tudo feito com muito carinho, podemos sentir também que em nenhum momento a série se perde, é tudo muito gostoso de acompanhar, retornaria fácil para uma segunda temporada.
A Fábrica de ETs (1ª Temporada)
5.0 1 Assista AgoraA série é realmente muito divertida, por trás da comédia de ficção científica de um vilarejo em ruínas tentando atrair turistas pra se recuperar de seu fim que se aproxima, existe uma divertida e contundente crítica a figura do magnata e políticos em geral, e do jogo de interesses envolvendo dinheiro e poder.
O elenco tem muita química e os atores entregam muito, principalmente o Jerónimo Best que está ótimo no papel de charlatão, ele fingindo ser um milionário é realmente muito divertido e me rendeu ótimas gargalhadas, toda vez me vinha o coach Pablo Marçal na memória, algumas frases clichês que ele usa ainda são idênticas, além da semelhança do ator com ele.
Pra melhorar ainda mais, temos cenas de rolar de tanto rir como uma prefeita corrupta em um comício perdendo um debate com um bebum da praça, crítica contundente ao bairrismo e a cultura do coronelismo (ainda muito presente em várias cidades), sátira social das elites econômicas (O "empresário verde" manipulando as pessoas em uma câmara como em filmes de ficção científica foi uma divertida sacada do roteiro), e uma divertida sátira de como a religião pode ser usada por empresários para dar lucro (a cena da chegada do ET é de rolar de tanto rir).
E por mais que alguns com certeza vão achar as figuras caricatas (principalmente da prefeita), eu achei sensacional, pois é uma verdadeira vilã de novela mexicana, já que isso aqui é uma série do México não poderia ser diferente, não vi como algo negativo e sim como uma divertida homenagem ao cinema mexicano o estilo vilanesco da personagem.
A Fábrica de ETs cumpre bem o seu papel de comédia e parece até bobinha no começo, mas dentro do gênero e do estilo da trama o trabalho feito aqui simplesmente só cresce e vai ficando cada vez mais divertido de acompanhar, dentro do estilo achei simplesmente o melhor que poderia ter sido feito e merecia muito uma segunda temporada.
Bodkin (1ª Temporada)
3.0 24 Assista AgoraFinalmente temos aqui um produto da Netflix que não segue fórmulas prontas, promete ser uma história true crime e na verdade é uma crítica a esse formato de conteúdo sensacionalista e seus consumidores ávidos pela exploração da desgraça alheia.
Uma boa pedida, vale assistir pela trilha sonora e fotografia belíssimas e por aqueles que gostam de cultura irlandesa, nos sentimos perdidos junto com os personagens pela cidade, o curioso é que quando tudo acaba o mistério principal da trama nem importa mais, essa série é única demais.