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Década de 1970. De seu vilarejo nas montanhas, Jeanne, de 15 anos, sonha em deixar o orfanato de sua infância e descobrir o mundo. Fugindo para a cidade das luzes, ela encontra refúgio em um galpão. Pela manhã, a Rainha da Neve aparece para ela, deslumbrante. O galpão acaba sendo um estúdio onde está sendo rodado um filme adaptado do conto A Rainha da Neve, de Hans Christian Andersen. Cristina, a estrela do filme que encarna a Rainha, reina suprema no set. Fascinada por esta mulher cruel com um charme perturbador, poderosa e vulnerável, Jeanne torna-se sua protegida e sua confidente.
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Filme tem seu valor além de contar com uma das melhores atrizes do planeta.
Não é um filme fácil de assistir, mas se você se der uma chance e se aventurar, será recompensado e possivelmente ficará encantado!!
Quando começou a tocar em sua abertura "It's Five O'Clock", do Aphrodite's Child" na cena da pista de patinação no gelo já saquei que era um filme perdido, como um passeio sem rumo pela madrugada e sem hora de voltar para casa. Ou seja, cinema de verdade.
Essa é uma obra-prima do cinema francês totalmente sensorial e atmosférica, as atrizes entregam muita atuação apenas com seus olhares e expressões faciais, chega a mergulhar no terror psicológico tão fundo com sua trilha sonora angustiante que parece que não tem volta, o onírico perdura por todas as cenas, tudo é como se fosse uma mistura de sonhos com realidade, sons, paisagens diversas e grandiosas como lago, castelo de gelo, florestas, montanhas são seguidas da mais pura claustrofobia já que todos esses cenários acontecem dentro do estúdio de cinema e pequenos atos vão moldando toda a história e o ritmo lento apenas aumenta essa sensação de angústia que parece que não acaba nunca em um trabalho de direção de arte digno de Oscar ao ponto de não sabermos separar o filme do conto de fadas e vai com maestria nos congelando aos poucos até ficarmos totalmente grudados, quando vemos já estamos hipnotizados e sem perder nenhuma atuação mínima dos personagens.
Este não é um filme de contos de fadas para se assistir e se encantar ou mesmo para obter uma moral da história, mas sim para acordar e ficar tremendo de frio por um bom tempo após o encerramento, afinal, é disso que foram feitas todas as histórias antes de serem transformadas em contos de fadas pelo tempo.
Minha interpretação do final do filme:
A torre de gelo representa uma espécie de paraíso onde a protagonista do filme está aprisionada para sempre por culpa do luto, pois ela enxerga a rainha de gelo como sua mãe, pois a personalidade depressiva da atriz que interpreta ela a faz viver em uma espécie de encantamento mágico, como se estivesse enfeitiçada vivendo para sempre ao lado de sua mãe, por isso tem algumas cenas onde ela diz que é bom imaginar que a rainha de gelo vive para sempre, enquanto a atriz fica bugada tentando entender como ela enxerga a vilã da trama de forma positiva.
Já a atriz se aproveita dela para levar consigo não por ser uma alma caridosa, mas sim visando seus próprios interesses financeiros e para ter poder de barganha e controle total da obra, usando ela como moeda de troca e como objeto de desejo e quando ela percebe que a Rainha do Gelo não é sua mãe (após a cena de abuso sexual) o encantamento é quebrado e ela fica sem rumo na vida e a partir disso parte pra deixar o mundo para sempre. Sim, isso mesmo.
Por fim tudo termina com ela sem rumo em uma ponte olhando para o rio, e a câmera ainda faz questão de mostrar que a água é bem rasa e cheia de pedras, então nessa mesma cena ela abre a mão e aparece o cristal, logo depois o filme corta pra menina no orfanato recebendo o cristal e faz questão de mostrar que a cama dela está vazia no orfanato, indicando que a personagem não teve um final feliz, então a criança fica imaginando uma história de fantasia idealizada e feliz sobre a colega de quarto, mas enquanto brinca com o objeto da roupa da rainha de gelo, ela sem querer vai se cortando e deixando o objeto cheio de sangue, a obra pra mim não foi tão aberta como dizem, achei até que ficou bem evidente que tudo se encerrou de forma mais trágica e perturbadora possível. Por fim as imagens mostram ela dentro do objeto, mas cercada de castelos e cenários fantasiosos, deixando claro que agora ela só existe no reino da imaginação. E a cena final da personagem é ela meio que entrando dentro de uma cachoeira, deixando claro que seu final foi mesmo no rio.