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Uma obra atípica do cineasta francês Jean Pierre Melville. Em Leon Morin, ele conta a história de uma viúva que vive com a sua pequena filha France e que é militante do partido comunista. Um dia, ela decide dirigir-se à paróquia e confrontar um padre com a idéia da inexistência de Deus. Contudo, a reação do padre não era aquela que ela imaginava. Melville usa um assombroso preto-e-branco para filmar uma história de amor que acontece entre as ruínas da França ocupada pelas forças da Alemanha e Itália.
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a fé como sublimação (inefetiva) do desejo.
Nessahan Alita explica bem a situação em que 3 mulheres querem dar para o padre, sendo este uma pessoa casada com Deus, um ser inalcançável.
Apesar de não ser católico, é admirável a atitude do padre frente aos desejos das mulheres, sua forte autodeterminação e clareza de seu discurso, transparecendo também uma calma e certeza de seus atos. A atitude da mulher, no início do filme, beira o infantil.
visto em 19/05/2023.
Indiscutivelmente um ponto bem fora da curva na carreira de Melville, tão marcada por seu noir frio e congelante. Leon Morin, é um filme mais humano, onde os sentimentos dos personagens são expostos textualmente. Talvez aja uma certa morosidade na condução da trama e talvez o texto não tenha conseguido me propor grandes reflexões à respeito da existência divina à castidade , mas é inegável o valor questionador que possui em seu cerne. Belmondo, em sua antítese como ator. Bom filme.
Alguns filmes de Jean-Pierre Melville - os primeiros, em sua maioria - fogem ao ideal Noir por qual o diretor viria a ser conhecido. Nestes a carga existencialista transborda das telas. A transição ao Noir, que lhe garante ganho estético e lhe custa parte do aspecto existencial (agora limitado ao velho mundo do crime seus dilemas morais) se dá aos poucos. Depois dos filosóficos "Le Silence de la Mer" e "Les Enfants Terribles", desconsiderando "Quand tu liras cette lettre" (simples jogada comercial bem sucedida para que criasse seu estúdio), Melville dá inicio ao Noir com "Bob Le Flambeur" e "Deux Hommes Dans Manhattan"; parando, logo em seguida, para revisitar em "Leon Morin, Prêtre" suas preocupações existenciais naquele que seria seu maior sucesso na área.
Desconsiderando o "Melville-Noir" dos anos seguintes, versão sua que mais marcou a história do cinema, em "Leon Morin, Prêtre" Melville coloca uma militante do Partido Comunista na França a dialogar com um padre acerca da existência de Deus. Como pano de fundo ao interessante debate, a crescente invasão Nazista no país intensifica aquela que já era, a essa altura, a decisão maior da geração que presenciara as duas Guerras: Deus, Freud e o comunismo, como colocou Drummond. O último é lentamente abandonado - mais por assimilação que oposição - com a conversão de Barny ao catolicismo. A dúvida é logo movida para os combatentes restantes e em uma tensão sexual crescente o conflito entre Deus e sexo não se resolve na tela, apesar das profundas discussões teológicas e do panteão psicanalítico que dá forma ao desejo acumulativo de Barny.. Com sutiliza, Melville coroa a incerteza de sua geração com a dubiedade da frase final: "Nos veremos outra vez. Não neste mundo... em outro".
queria eu ficar num quartinho escuro com o belmondo