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Duração
1919. Antonin volta das trincheiras sem feridas aparentes. Sua ferida é interna, recalcada. Pioneiro no tratamento de traumas de guerra, o professor Labrousse apaixona-se pelo caso. Seu método, controverso, obrigará Antonin a reviver os momentos mais intensos da guerra a fim de liberá-lo.
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Filme absolutamente grandioso. O título, por si só , já aponta para algo de nuclear nesta obra-prima: a dúplice função do fragmento, tanto do protagonista --que junta os pedaços por entre ruínas -- quanto do espectador, que tem que reunir esses fragmentos, preencher os espaços em branco, ligar os pontos. O resultado disso é a afirmação de uma tese que eu, particularmente, venho perseguindo por alguns anos : a busca de sentido na vida. Antonin, e nós que assistimos, juntamos os cacos não só para exorcisar o passado no resgate da memória, mas para buscar algum sentido na vida entre ruínas. Afinal, o efeito da guerra é justamente esse: ruínas, virar a realidade do avesso, embaralhar, reafirmar as potências do desfamiliarizar-se. Isso fica claro nas frases de Antonin que se repetem no filme: "Quanto tempo dura para construir o homem? Quanto tempo dura para destruí-lo?". Fica claro também na frase do capitão da tropa: "A guerra torna visível o que a paz tenta esconder: o poder de certos homens sobre outros". Perfeita tese. O que resulta disso é um palco de crueldade que Antonin experiencia. E veja: não é um filme habitual sobre guerra e seus efeitos. Parece haver uma mistura de sensibilidade, em tons poéticos, que faz lembrar aquele cinema poético de guerra de Malick, com algo cru, como aqueles filmes de Kon Ichikawa.. Sinceramente, um dos melhores filmes que vi em tempos..