No final da Idade Média, um menestrel e sua amiga chegam ao castelo de um conde, que deve se casar com a bela jovem que lhe foi prometida. Possuídos pelo Diabo, enquanto o menestrel seduz a jovem, sua amiga conquista o conde. Haverá, no entanto, um embate tenso entre o amor e as forças do mal.
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Apesar de uma certa morosidade no desenvolvimento tem aspectos positivos que fica impossível negar suas qualidades. Uma espécie de precursor de O Sétimo Selo , ainda que não possua o mesmo teor religioso, ainda que o tapa na cara do moralismo está acenado desde a primeira cena. Ainda sobra um espaço para enfrentar Hitler na cara dura. Ousadíssimo também pela ruptura ante o realismo poético francês.
Produção francesa que os críticos da época chamaram de “irrealismo poético”. Este drama romântico tem elementos fantásticos e sobrenaturais em sua trama e tem uma trama um tanto pesada, teatral e diálogos artificiais. Mas não chega a ser ruim, muito pelo contrário, tem que entrar no clima da estória (uma alegoria medieval) e observar alguns grandes nomes do cinema francês dos anos 40. O filme foi lançado em 5 de dezembro de 1942 em Paris durante a ocupação nazista. Segundo o roteirista Jacques Prévert (1900-1977), o diabo representava Hitler e o filme deveria ser uma denúncia sobre o fanatismo. Mas por causa da censura, ficou obscuro e confuso algumas partes do roteiro.
O filme foi filmado em Nice, na França de Vichy, e devido à guerra, o diretor Marcel Carné (1906-1996) enfrentou uma série de dificuldades em fazer o filme. Devido ao aumento da censura durante a guerra, Carné queria fazer um filme histórico e fantástico que teria pouca dificuldade com os censores.
Em 1485, o Diabo envia ao mundo dois emissários, Dominique e Gilles, que aparecem no castelo do Barão de Hughes, que está celebrando o compromisso de sua filha, Anne Hughes, com o cavaleiro Renaud. Como Gilles, contra os planos de seu Senhor, se apaixona pela bela Anne, o diabo acaba aparecendo no castelo adotando a figura de um viajante. Mas o amor destes dois é verdadeiro: eles lutam contra Satã mesmo quando ele transforma-os em estátuas de pedra.
"Je suis Le Diaaable !"
Rsrsrs O Tinhoso torna-se o personagem mais divertido neste conto medieval de amor romântico idealizado. O diabo e seus dois servos (Gilles e Dominique) nem sempre subservientes. No fim das contas, temos o (nem tão esperto) demônio contrapondo o amor às convenções e praticidades da vida (e à inevitabilidade das mudanças) e sendo desafiado por um sentimento concebido como atemporal, imutável e hábil o suficiente para enganar o próprio mestre das enganações. E, no nosso século de amores virtuais, a fantasia do "amor que tudo vence" ainda resiste.
Tive dificuldade em gostar das interpretações do elenco, daquela forma pomposa de se expressar e que me pareceu inautêntica. Em contrapartida, a direção e fotografia deram leveza e atmosfera onírica a um filme que, do contrário, poderia ter ficado "pesado" e aborrecido. E o conjunto da obra faz o espectador provar um pouco de uma realidade em que certas crenças eram não apenas um apêndice na vida do indivíduo, mas sim um dos seus pilares.
O espetáculo de Marcel Carné é calcado em seu roteiro adocicado pelo amor e em seus atores tomados pelo mesmo. Alain Cuny e Marie Déa, com seus olhos lamuriosos, dão um show. Ainda que se fale muito da associação do filme a um discurso anti-hitlerista, Os visitantes da noite, a meu ver, se mantém como um grande atestado de uma força maior. E o coração bateu ainda mais forte depois do fim...
Sai,capeta!