O filme "Mikra Anglia" (Little England) impressiona de imediato pelas lindas paisagens da Grécia. A fotografia é incrível, delicada e ensolarada. Os planos abertos oferecem passeios sobre a privilegiada geografia grega, captam a exuberância do mar mediterrâneo, a beleza das antigas edificações e campos floridos daquela região. Em contraponto, os closes são lentos, sutis e quase íntimos, às vezes seguindo o olhar ou o trajeto das mãos dos personagens, permitindo-nos compartilhar de suas impressões e carícias.
A história também é de uma beleza trágica, um drama emocionante. O filme foi escolhido para representar a Grécia no Oscar de 2014, embora não tenha sido selecionado entre os cinco finalistas. A fotografia é de Simos Sarketzis, direção de Pantelis Voulgaris e o roteiro é baseado no romance homônimo, escrito por Ioanna Karystiani.
O enredo contará aproximadamente 20 anos (1930 a 1950) da vida das duas irmãs, Orsa (Pinelopi Tsilika) e Moscha (Sofia Kokkali), que vivem na Ilha de Andros, na Grécia. É um filme sobre distâncias e longas esperas, sobre amores e infortúnios. O destino dessas duas irmãs está interligado por uma mesma paixão e pela injustiça.
Submetidas às escolhas ambiciosas de sua mãe, elas se tornam vítimas de uma repressão feminina bastante comum à época, e que as conduz a um futuro infeliz. Porém, se não houvesse tantos segredos e silêncios entre ambas, talvez seus caminhos tivessem sido outros.
Um filme de ambições épicas, que se deixam entrever tanto na reivindicação da vocação odisseica dos gregos quanto pelo entrelaçamento das trajetórias individuais dos personagens como grandes eventos históricos - as longas (e belíssimas) tomadas paisagísticas, com a luminosidade e a fotografia mediterrâneas perfeitas, também contribuem para essa dimensão do épico.
Por conta do cuidado com que se entretecem a dimensão épica com a mais subjetiva, se consegue equilibrar com maestria as porções dramáticas e históricas do filme, de modo que elas estejam organicamente encaixadas uma da outra. O elemento histórico não é só pano de fundo para dramas individuais, nem os dramas individuais são mero escopo para o enredo histórico mais amplo. Eles se alimentam mutuamente. Os personagens não são planos, mas magistralmente redondos, cheios de personalidade e vida.
Os diálogos são econômicos e nos atingem frequentemente com virulência, como numa das mais belas frases do filme:
“Na vida, parece que as coisas que perde são mais valiosas do que as coisas que encontra. As coisas que encontra perdem-se novamente. As coisas que perde, existem para sempre.”
É uma pena que esse filme não ganhe mais espaço. É uma obra-prima.
A fotografia estonteia do começo ao fim, os diálogos da tragédia em si são como golfadas de razão e tristeza; a poesia na fala de Orsa no começo é sublime e ao mesmo tempo, crepitante. Uma personagem que mesmo contida externa visceralmente e depois passa o resto do tempo apenas em olhares - nos olhos negros marchetados de sofrimento, arregalados para o abismo de sua vida.
O filme "Mikra Anglia" (Little England) impressiona de imediato pelas lindas paisagens da Grécia. A fotografia é incrível, delicada e ensolarada. Os planos abertos oferecem passeios sobre a privilegiada geografia grega, captam a exuberância do mar mediterrâneo, a beleza das antigas edificações e campos floridos daquela região. Em contraponto, os closes são lentos, sutis e quase íntimos, às vezes seguindo o olhar ou o trajeto das mãos dos personagens, permitindo-nos compartilhar de suas impressões e carícias.
A história também é de uma beleza trágica, um drama emocionante. O filme foi escolhido para representar a Grécia no Oscar de 2014, embora não tenha sido selecionado entre os cinco finalistas. A fotografia é de Simos Sarketzis, direção de Pantelis Voulgaris e o roteiro é baseado no romance homônimo, escrito por Ioanna Karystiani.
O enredo contará aproximadamente 20 anos (1930 a 1950) da vida das duas irmãs, Orsa (Pinelopi Tsilika) e Moscha (Sofia Kokkali), que vivem na Ilha de Andros, na Grécia. É um filme sobre distâncias e longas esperas, sobre amores e infortúnios. O destino dessas duas irmãs está interligado por uma mesma paixão e pela injustiça.
Submetidas às escolhas ambiciosas de sua mãe, elas se tornam vítimas de uma repressão feminina bastante comum à época, e que as conduz a um futuro infeliz. Porém, se não houvesse tantos segredos e silêncios entre ambas, talvez seus caminhos tivessem sido outros.
Um filme de ambições épicas, que se deixam entrever tanto na reivindicação da vocação odisseica dos gregos quanto pelo entrelaçamento das trajetórias individuais dos personagens como grandes eventos históricos - as longas (e belíssimas) tomadas paisagísticas, com a luminosidade e a fotografia mediterrâneas perfeitas, também contribuem para essa dimensão do épico.
Por conta do cuidado com que se entretecem a dimensão épica com a mais subjetiva, se consegue equilibrar com maestria as porções dramáticas e históricas do filme, de modo que elas estejam organicamente encaixadas uma da outra. O elemento histórico não é só pano de fundo para dramas individuais, nem os dramas individuais são mero escopo para o enredo histórico mais amplo. Eles se alimentam mutuamente. Os personagens não são planos, mas magistralmente redondos, cheios de personalidade e vida.
Os diálogos são econômicos e nos atingem frequentemente com virulência, como numa das mais belas frases do filme:
“Na vida, parece que as coisas que perde são mais valiosas do que as coisas que encontra. As coisas que encontra perdem-se novamente. As coisas que perde, existem para sempre.”
É uma pena que esse filme não ganhe mais espaço. É uma obra-prima.
what kind of woman are you?
começa bem , depois se arrasta
A fotografia estonteia do começo ao fim, os diálogos da tragédia em si são como golfadas de razão e tristeza; a poesia na fala de Orsa no começo é sublime e ao mesmo tempo, crepitante. Uma personagem que mesmo contida externa visceralmente e depois passa o resto do tempo apenas em olhares - nos olhos negros marchetados de sofrimento, arregalados para o abismo de sua vida.