Dirigido por
Data de lançamento
8 Fev. 2012Duração
O musical acontece em 1907, cerca de dez anos depois dos eventos de O Fantasma da Ópera. Christine Daaé é convidada para cantar em Phantasma, uma nova atração de Coney Island, por um empresário anônimo. Com ela, vão seu marido Raoul e seu filho Gustave para o Brooklyn, sem saber que, por trás do convite, está o Fantasma.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
A produção é maravilhosa, os artistas são incríveis,
mas a história não faz o menor sentido, é como se ignorasse várias partes do musical original. O Raoul ter se tornado um bêbado e grosseiro com a Christine joga no lixo o sentido da música All I ask of you. Outra coisa sem sentido foi a Meg ter virado uma vilã obcecada, mas o que menos faz sentido é Gustav ser filho do Fantasma. Quando essa noite de amor aconteceu? Não faz sentido se olhar pra história original.
No mais, acho que o ponto alto do espetáculo foi o Gustav. As cenas dele com o Erik foram maravilhosas e o pivete tem uma voz incrível, me arrepiei em todas as músicas em que ele participa.
Textão cheio de spoilers pela frente comentando minha percepção do musical:
Primeiro: É triste tudo o que o fantasma passou, a rejeição e a humilhação. Mas o que ele fez pela Christine não é amor. É MUITO problemática a obsessão dele, que leva ele a matar e sequestrar. Então quando eu vi a premissa da história já me incomodou muito, mas assisti para tirar minhas próprias conclusões.
Esperava que o Raoul tivesse se tornado essa pessoa desprezível que ele é? não. Me dava desgosto ver ele tratando todo mundo, inclusive o filho, muito mal. E não creio que respeita a estética anterior, mesmo que é claro que as pessoas podem mudar - mas esse é um aspecto que nunca vai ser abordado. Nem pro Raoul, nem pra ninguém. As pessoas simplesmente mudam radicalmente (majoritariamente pra pior) e é só isso: enjoy the show.
Segundo: A estética é algo totalmente diferente do que a gente está acostumado do Fantasma, e é incrível: aliás, minha nota é mais por isso - e pelo Gustav, um amor de personagem. Na primeira música do circo eu não tinha muito certeza do que eu me sentia a respeito, mas a medida que o espetáculo avança, eu fico cada vez mais interessada.
SÓ que ainda acho que falta um pouco de conexão com a história do primeiro musical em si. Parece que foi bolado uma história em volta dessa estética e pensaram: será que essa não pode ser uma continuação do Fantasma? e cá estamos. Não se encaixou, sabe?
Terceiro: Madame Giry e Meg: que? Super coerente (sem ironias) elas terem ajudado o Fantasma a fugir, mas elas se tornaram pessoas completamente diferentes. A música da Madame Giry reclamando que tudo o que elas construíram vai para esse bastardo, elas vão perder tudo... Você ajudou o fantasma por que razão? Interesse? Claro que ele sempre teve essa obsessão doentia pela Christine, e um filho pode muito bem agravar isso, mas a música toda é muito mais "o que vai ser do meu dinheiro" do que "meu deus meu querido vai entrar num mar de sofrimento de novo". Ruim. Depois a Meg do nada também obcecada pelo fantasma do mesmo jeito que ele era/é pela Christine e dá pra ver pelo final do primeiro que ela tem um interesse nele, nesse mistério, pelo jeito que ela pega a máscara, mesmo com tudo o que ele fez, mas mesmo assim. É doentio também. Ainda mais pelo final com tudo o que ela faz.
Por fim: Que raios de noite de amor é essa que Christine e fantasma tiveram? Cronologicamente isso não fica claro pra mim, já que a Christine sempre teve admiração por tudo o que o fantasma simbolizava pra ela, inclusive um meio de conexão com o próprio falecido pai, mas quando ele começou a revelar sua face mais doentia, tudo o que ela relatava era medo. Ela beija sim o fantasma no final do primeiro musical, mas acredito que foi muito mais por pena do que por amor. Até porque ele tinha acabado de quase enforcar o noivo dela, né. Então quando que ele aparece depois dela ter fugido e dorme uma noite com ela e some de novo? Ele não tinha fugido com a Madame Giry e Meg? Então como ele conseguiu também encontrar com Christine? Não dá. Cronologicamente não bate.
E questão bônus: como Gustav encontrou o Raoul depois do tiro da Christine se Raoul tinha fugido de carruagem?
Devo dizer que ME RECUSO a comentar aquele final. As cenas depois que todo mundo encontra Meg com o Gustav é um surto coletivo absurdo. Não entendo. Ruim. Muito ruim. Péssimo.
Depois de todas as considerações: tem músicas incríveis, e por isso digo amém.
Muito, muito ruim.
É claro que não tinha como dar certo essa ideia de produzir uma fanfic de O Fantasma da Ópera. Porém, haviam boas ferramentas a ser aproveitadas em favor da obra... Só que elas foram desperdiçadas. O palco, os personagens, o romance... Tudo tristemente desperdiçado!
Foram duas horas de enrolação que poderiam tranquilamente ser resumidas em uns 45 minutos ou menos. E sim, há pontos positivos, como a atriz que interpretou a Christine, o personagem do Gustave e algumas músicas. Contudo, num balanço geral encontrei mais defeitos que qualidades em Love Never Dies.
Ah, e não posso deixar de comentar que os personagens foram totalmente manipulados para se encaixarem nessa fanfic sem pé nem cabeça. Péssimo, péssimo.
04/12/19
Eu já sabia o que ia assistir por ter lido os comentários antes, então me desconectei de qualquer falha que a história pudesse trazer. Eu queria gostar, basicamente. E gostei. Mas é impossível não reparar o roteiro raso. Em muitas vezes era claro que a história não tinha para onde ir, embora fosse tudo muito bonito. E o tamanho do palco me atrapalhou muito. Não tem como não ficar fazendo comparações com o palco do original, incrivelmente maior, e que imprime, de alguma forma, um tom bem mais épico que aqui. E a forma como foi filmado para DVD/bluray também ficou por vezes demais parecido com filme: esteticamente bonito, mas a apresentação não foi concebida pra ser assim e mudava para "palco" de repente. Podiam fazer como a gravação do Fantasma ao vivo em DVD, filmado na dose certa e não deixando a gente se esquecer de que aquilo é um palco. Na questão musical, tem coisa muito boa, mas decai com algumas bem ruins no meio. Podia ser bem melhor e bem mais pensado. Parece que foi escrito às pressas. Inclusive as músicas que não são dramáticas. Mas a lembrança positiva permaneceu. Amei os atores do triângulo principal.