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Data de lançamento
17 Nov. 2016Duração
O diretor Rahul Jain apresenta um retrato íntimo e observador do ritmo da vida e do trabalho em uma gigantesca fábrica têxtil em Gujarat, na Índia. Movendo-se pelos corredores e entranhas da estrutura enorme e desorientadora, a câmera leva o espectador a uma jornada para um lugar de trabalho físico desumanizante e intenso sofrimento, provocando uma reflexão sobre as persistentes condições de trabalho pré-industrial e a enorme divisão entre o primeiro mundo e os países em desenvolvimento. Desde a década de 1960, a área de Sachin, no oeste da Índia, sofreu industrialização sem precedentes e sem regulamentação, exemplificada em suas inúmeras fábricas têxteis. MACHINES retrata apenas uma dessas fábricas, ao mesmo tempo que representa os milhares de trabalhadores que trabalham, vivem e sofrem em um ambiente que não podem escapar sem unidade. Com linguagem visual forte, imagens memoráveis e entrevistas cuidadosamente selecionadas dos próprios trabalhadores, Jain conta uma história de desigualdade e opressão.
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Embora se detenha na mera contemplação da miséria, é um filme muito bonito.
Este documentário é uma história de horror capitalista narrada no interior de uma indústria têxtil, contada por uma câmera, na maior parte das vezes, observadora e objetiva, que revela muito através de pouco: a insalubridade daquele ambiente inóspito, cuja umidade, calor e imundice parecem alcançar o espectador além da tela do cinema, a penosidade do repetitivo e às vezes humilhante trabalho realizado e a periculosidade de manusear, p. ex., 220 quilos de químicos tóxicos cujos males a longo prazo apenas podemos presumir.
Afora isto, a narrativa também exprime a importância de uma legislação trabalhista forte, que resguarde os direitos básicos do trabalhador e o proteja de jornadas extensas (esta, de 12 horas por dia) e que entram nos finais de semana (note que o monitor na sala da chefia ou gerência registra o trabalho no sábado às 17 horas), enfatizando também os sindicatos de que tantos sentem injusta ojeriza, já que não percebem que apenas uma organização obreira unida poderá fazer frente ao poderio financeiro do contratante.
E quando você vê crianças trabalhando, não na condição de aprendizes, e idosos que, em situações distintas, estariam usufruindo a aposentadoria por que tanto devem ter trabalhado, você sabe que está diante de uma obra seminal e indispensável para demonstrar, de uma vez por todas, quão ingratas são as condições de trabalho daqueles que estão no ponto mais baixo da pirâmide social apenas para que os empresários gozem lucros maiores com as roupas caríssimas que nós compramos.
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