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Duração
Nas palavras de seus diretores, “Machorka-Muff” é a história de uma violação (a violação de um país, ao qual reimpuseram um exército, no qual um antigo general nazista é convidado a tomar parte num imaginário rearmamento do governo alemão no pós-guerra, após a renúncia política do chanceler Konrad Adenauer.
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Tanto tempo depois as pessoas insistem em militares no comando...
Esse Straub-Huillet me atraiu mais, mas realmente esse casal é complicado...
Os vestígios ditatoriais que resistem na democracia alemã são materializados na figura militarizada que, aqui, constitui o porta-voz do fascismo reprimido e também o próprio denunciado. Apesar da excelente substância de análise, o assunto é denso demais para ser tratado em tão pouco tempo, e aqui toda essa matéria histórica e social acaba sendo sugerida de forma menos corrosiva do que se poderia. A frase final deixa um gostinho de quero-mais.
O primeiro trabalho de Straub-Huillet causa bastante estranheza naqueles que conheceram sua obra pelo caminho inverso. O estilo fluido e rigoroso ainda não estava completamente construído, e um humor muito discreto permeia toda a extensão da história. O roteiro, que se constrói claramente como um excerto de algo muito maior, fala sobre pequenos momentos na vida do ex-general que dá título ao filme, enquanto critica a herança nazista na Alemanha.
E, se recentemente eu me confessara atordoado pelas dificuldades de entendimento suscitadas por um clássico tarkovskiano, o fabuloso casal Straub & Huillet me apresentam a um contexto ainda mais austero, ainda mais difícil, mas provido de um encanto intelectivo similar... É um curta sucinto, mas que explode depois que o ingerimos, visto que carecemos de um arcabouço histórico-político germânico mui detalhado para entendermos minuciosamente o que é aqui denunciado. Por vezes, me lembrou até o rosselinismo militarizado, fantástico! (WPC>)