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Data de lançamento
6 Abril 2019Duração
Uma saga familiar baseada em cenas de arquivos privados. Pois, MADAME leva-nos a uma jornada íntima na qual uma extravagante avó de 90 anos e seu neto cineasta exploram o desenvolvimento e a transmissão da identidade de gênero num ambiente patriarcal.
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Senhora (Madame) - França - 2019 - visto no dia 15.02.21
O diretor narra a sua história, sua vida. Uma história contada de forma muito pessoal, simples, muito bem narrado aliás. Sentimos uma sinergia, conexão, empatia com a história, experiência de vida do rapaz. Ela narra muito bem com ótima fotografia, edição, conceitos e edições, montagens bem interessantes. Quando contou sobre a história de gerações antigas de sua família, incluindo a história, personalidade de seus pais, dos seus avós e sua infância até a vida adulta foi muito peculiar, profundo. Adorei a participação, história da avó dele que foi a participação mais marcante do longa: tanto na narração dela, sua experiência e os momentos complicados no qual ela passou. Época bastante atrasada, machista. Enfim, aqui mostra uma das coisas mais belas do filme:
a aceitação, respeito que avó dele adquire ao longo do tempo após ele falar da sua orientação sexual.
Se perguntando na onde errou, chorando que nem criança no quarto.
"um homem" na educação da criança.
o homem ensinado a ser alpha: ensinado a dominar, cortejar, sustentar e ter família
Nota: 9,0
para além da afirmação (que o próprio filme não omite) de que se trata da perspectiva da gay branca privilegiada, o documentário não deixa de dar aquela aquecida na esperança de se construir pontes que nos conectam ultrapassando os furos entre gerações, um respiro!
*quase impossível não sorrir em praticamente todas as cenas da avó
Melhor filme do MFFF 2021, pena que estava fora de competição. Amo esse tipo de documentário construído com uma narração sobre arquivos de memórias. Vídeos, fotos, lembranças e histórias se juntam para rememorar a história de avó e neto. A luta da avó contra a sociedade patriarcal e sua vida surpreendente. E a luta do neto contra os preconceitos perpetrados em sua própria mente por uma criação quadrada (me identifico demais com isso, por ter sido criado em um lar cristão) e contra a sociedade homofóbica. É incrível a forma como a vida de Stéphane o levou de volta a momentos tão marcantes: a tenista, a presidente e a parada gay, arrepiante refletir sobre estes pontos. Sempre interessante refletir sobre o quanto a avó era evoluída, mas também sobre o quanto sempre temos a evoluir, e só pessoas de espírito muito grande conseguem se tornar melhores na vida o quanto ela conseguiu. Depois dos 80 (?) anos aceitar/normalizar a homossexualidade do neto e aprender a pintar? Essa mulher é uma entidade. E Stéphane até como modo de se retratar consigo próprio se tornou uma força contra a homofobia em seu país e no mundo. Filme delicioso de se assistir, terminei com um sorriso frouxo, de orelha a orelha. Um achado!
"Madame" é uma carta de amor em forma de documentário, dirigido por Stéphane Riethauser como homenagem à sua avó materna, Caroline, falecida há 15 anos. Recheado de filmagens caseiras de infância, anotações em diários, velhos cadernos, fotografias e muitas recordações de Stéphane e de Caroline, este filme é uma doçura.
Caroline mostra-se uma senhora carismática, bem-humorada, adorável. Dá vontade de eternizar cada momento em que ela aparece. Foi uma mulher à frente de seu tempo. Nascida na década de 20, casou-se por imposição dos pais. Mas, por detestar o marido e a vida conjugal, separou-se depois - algo inconcebível e inaceitável nos primórdios do século passado. Ela se definiu como "mãe questionável"... porém, acredito que tenha sido um pilar e um modelo para todos na família. Caroline enfrentou a sociedade machista de sua época, estudou teatro, piano e chegou a abrir um café, porque tinha o ímpeto de ampliar seus horizontes e de estar perto de pessoas interessantes. Sem dúvida, uma mulher rara e que envelheceu deliciosamente.
Stéphane vai contando na carta, em diálogos meio reais, meio fictícios, toda a sua jornada de autodescoberta, incertezas, paixões e momentos difíceis da vida. Fica evidente o legado daquela maravilhosa senhora na vida dele.
Deixo então uma frase de Caroline para encerrar este texto: "A coragem da mente domina as tempestades do coração".
Achei muito bonito o paralelo que ele faz para contar a história da avó e a de sua aceitação. Ao mesmo tempo que eu ficava confusa pela avó ter sido uma figura tão "moderna" para sua época, não entendia quando ela faltou a palestra dele, ou quando ela não participava de coisas importantes pra ele, mas que continham a temática lgbt. Achei muito bonito que ela se retrata, e entendi que não importa o quão modernos sejamos, sempre temos barreiras e preconceitos para quebrar.
Gostaria de ter visto os pais dele hoje, e não só por áudio relembrando como foi na época que ele se assumiu. É incrível como ele viveu coisas incríveis em contemporaneidade com fatos históricos. A morte de River Phoenix, e posso estar enganada, mas tive a impressão de ter visto Marsha P. Johnson na primeira parada gay que ele fora.