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Como um brasileiro queer, andrógino, filho de santo no candomblé, imigrante de Santo Amaro da Purificação na Europa reúne, há 23 anos, mais de 60 mil pessoas dançando aos sons dos atabaques pelas ruas parisienses? Esse ritual, a Lavagem da Madeleine, que lava as escadarias da igreja francesa, é entrelaçado à vida do seu criador, o dançarino do cabaré Paradis Latin, Robertinho Chaves. Em busca da própria identidade na diáspora afro- brasileira de Paris, ele está prestes a atravessar a fronteira do masculino e do feminino, entre o sagrado e o profano.
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Está em exibição em alguns cinemas brasileiros o excelente documentário ‘Madeleine à Paris’, um ‘road movie afro-queer’ que se passa entre Paris e a Bahia. Dirigido pela cineasta Liliane Mutti, o filme, exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP de 2024, acompanha a trajetória do dançarino, cantor e compositor Robertinho Chaves, que há 33 anos deixou sua terra natal, Santo Amaro da Purificação, na Bahia, para viver na capital francesa, onde trabalha nos cabarés latinos. Na noite interpreta um arlequim negro, e seu esplêndido visual recorre a figurinos brasileiros e africanos, que resgatam seus antepassados, construindo memória e resistência nas performances descontraídas. Filho de santo no candomblé, Chaves criou em 2002 um festival cultural movimentado em Paris, e desde essa época organiza anualmente as edições, o ‘Le Lavage de La Madeleine’ – a lavagem das escadarias da Igreja da Madalena, próxima da Praça da Concórdia, por baianas. É considerada a maior festa brasileira da Europa, que reúne mais de 60 mil pessoas e faz parte do calendário cultural de Paris, envolvendo música, dança e gastronomia. O doc mostra seis anos na vida de Chaves, em sua casa, visitando os amigos no Brasil, e em Paris focando na dualidade do artista, entre os cabarés como arlequim e organizando a ‘Lavage’, onde desfila como orixá. Mistura depoimentos atuais dele e de amigos, e vídeos e fotos de arquivo, compondo um retrato multifacetado desse brilhante artista baiano. Nos cinemas pela Bretz Filmes e Toca Filmes. POR FELIPE BRIDA - BLOG Cinema-naweb