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Os feriados chegaram em Los Angeles, onde a comediante Liza Ocampo está decidida a cometer suicídio. Incapaz de arrastar o desencadeador, ela contrata uma "empresa de sucesso" recém-legalizada para fazer o trabalho sujo para ela. Mas quando chega para o encontro com a morte, ela acha que o horário já foi reservado.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Madness, Farewell é o que aconteceria se um diretor de nome de holywood passasse, acidentalmente, por cima de seu cão no caminho para o trabalho. Há amor jovem, risos e uma forte atmosfera natalina, mas tudo foi encharcado no fondue da festa de Natal de melancolia. Nenhum cão foi prejudicado na realização deste filme - que eu saiba - mas, ao invés disso, a melancolia deriva dos pensamentos suicidas de Liza (Charlene deGuzman), que agora quer descansar. Incerta de como fazer, ela começa a aceitar sugestões das mídias sociais. Uma resposta vem de uma empresa especializada em suicídio - eles são como a versão Walmart de Jack Kevorkian. Um grande suicídio, expulsando todos os estabelecimentos de mãe e pai. De qualquer forma, ela lhes faz uma visita e faz os preparativos para sua morte. Eles dizem a Liza para estar em um quarto específico em um hotel específico, mas quando ela aparece, ela descobre que eles reservaram o quarto duas vezes. Em vez de reclamar com a gerência, Liza e Gus (Benjamin Font), unidos por seu desejo de se fazer, formam um vínculo que transcende a paixão e vai direto para a dependência. Assim como a sala de suicídio duplamente reservada, Benjamin Font, escritor e diretor, trabalha em uma série de pequenas, mas inteligentes piadas que se abstêm de chamar a atenção para si mesmos. Outra envolve uma bola de boliche que as personagens agarram por um pouco de tempo até que você chegue à linha de partida e perceba que passou pela brisa sem saber. O diálogo não se agarra bem a estas mordaças conceituais, porque fica atolado naquela brincadeira de baixa fidelidade, estranha que poderia parecer original há vinte e cinco anos, mas que se tornou cansativa. Isto se estende ao derramamento existencial que ocorre entre Liza e Gus. Como duas pessoas suicidas costumam fazer, elas se tornam loquazes uma com a outra, falando de temas tão sublimes como vida, morte e o significado que têm. Como todos os demais nos 200.000.000 anos de existência humana, Liza e Gus acham que estas questões são um nó apertado que só pode ser colhido de forma infrutífera. Enquanto as duas pistas são suficientemente convincentes, a caracterização não deixa uma impressão. Ambas as personagens se misturam no fundo e se tornam partes móveis na história, ao contrário da força motriz da história. "Se você tem quase trinta anos e não tem nada para mostrar... um excelente companheiro para seus blues natalinos...". Por outro lado, o gerente do negócio do suicídio, interpretado por Brandon Keener, garante sua atenção a partir do momento em que ele aparece. Com seus dois braços disfuncionais, ele é uma grande mistura do vendedor de porta em porta e do conselheiro de orientação escolar que forjou seu currículo.; é rigorosamente um embuste e fanfarrão; porém bastante perigoso...como sóe acontecer com os que forjam currículos...Madness, Farewell poderia ser um excelente companheiro para seu blues natalinos. Não é leve o suficiente para vestir para toda a família, e não é escuro o suficiente para realmente descobrir algumas verdades escondidas, mas há alguns sorrisos de travessura a serem feitos. Pense nisso como uma luta de bolas de neve usando apenas neve amarela. O suicídio não é um evento aceito no ocidente, nem sei mesmo se no oriente ele o é; parece contra senso imaginar que cessar a vida é um direito...mas o filme tenta levar para um lado de comédia; pode ser perigoso e desconfortante, mas foi a escolha do produtor e diretor...é intrigante; é um bom filme...como não pensar no sociólogo Émile Durkheim e sua teoria sociológica do suicídio. Essa inquietação pode ter sido o que impulsionou Émile Durkheim na criação daquilo que ficou conhecido como teoria do suicídio. Aos longo de seus estudos sobre o tema, o sociólogo busca provar a tese de que o que as estatísticas apresentadas, estamos falando do final do século XIX, são insuficientes para compreender a ocorrência e os níveis de suicídio. Para Durkheim tudo que se tem de informações sobre os suicidas é insuficiente. Aquilo que figura no obituário, por exemplo, trata-se na verdade da opinião que se tem sobre o fato, a opinião de uma pessoa aleatória, de modo que não serve enquanto informação palpável para se compreender o fato. Sua teoria embasa-se inclusive em observações do âmbito religioso, uma vez que ele percebe que o índice de suicídio entre protestantes é maior do que entre os católicos, independente da região do suicida. Assim, surge uma possível teoria de que há, então, um menor controle sobre os fieis, controle social que para ele é também o papel da igreja e da religião. Dessa forma ele busca demonstrar como a causa dos índices de suicídio podem ser sociais. No que se refere ao estudo dessas causas, o sociólogo a divide entre três tipos: egoísta, altruísta e anômico.
A compreensão dos motivos egoístas passa pela observação da integração dos indivíduos em sociedades religiosas, politicas e domesticas. Percebe-se que a taxa de suicídios varia inversamente ao nível de integração desses grupos, e quando se da essa desintegração os fins próprios do individuo tomam o lugar dos fins sociais. Para homens nessa situação pouco importa o fim de sua vida visto que ele já não se integra ao seu meio social. A causa altruísta refere a insuficiência de individualização, ocorrendo mais frequentemente naquilo que o sociólogo chama sociedades primitivas, onde os indivíduos estão de tal forma sobrepostos pelo coletivo que por vezes tem o dever de se matar e o fazem, sendo imbuído inclusive de certo sentimento de heroísmo. Dentro dessa causa, Durkheim estudou o alto índice de suicídio de militares, devido a sua alta integração em seu meio social e busca por esse heroísmo; no entanto, isso não ocorre apenas em prol da pátria, dando-se muitas vezes por motivos banais. Por último trata do suicido de causa anômica, se difere dos demais por dar-se no momento em que o individuo não encontra razão de existência em si ou mesmo exterior e nem mesmo as sociedade em seus diversos mecanismos é capaz de controla-lo. É chamado anômico por ocorrer em situações extremamente fora do comum como uma forte crise que toma o individuo e a sociedade. Dentro desse aspecto, Durkheim analisa os índices de suicídio em períodos de grave crise econômica e conclui que tal contexto influi nesses números por serem perturbações da ordem social e coletiva e não necessariamente pelas consequências como pobreza, fomes, etc. O filme merece ser visto...