Desde a morte de Jesus, Maria Madalena se isolou do mundo. Seu cabelo ficou branco, ela se alimenta de frutas, bebe água da chuva e dorme entre as árvores. Sozinha no coração da floresta, ela se lembra de seu amor perdido. Ela procura uma maneira de encontrá-lo.
Quando li a sinopse, fiquei encantado (idem ao ver o elogio da revista Cahiers du Cinéma). Porém, o letreiro inicial sobre a biografização livre dos últimos dias de Maria Madalena atrapalha muito mais que ajuda, no sentido de que instaura uma abordagem de continuidade religiosa ao fluxo de imagens. Se fosse uma personagem qualquer, talvez eu apreciasse bastante o filme, mas, sabendo estar diante da representação de alguém que esteve diretamente em contato com Jesus Cristo, incomodei-me com o tom psicótico de um amor paralisante. Cada vez que a protagonista urrava a falta de seu amado e exibia as cruzes feitas com folhas, eu imaginava como ela conseguiu envelhecer naquelas condições (e "para quê?"). Sei que é uma interpretação desviada, mas, ao mesmo tempo, induzida por dados que não se descolam da narrativa. Há de se elogiar a entrega da protagonista à personagem, mas achei este filme um contra-senso ativo. Achei-o insuportável, num primeiro contato. Seria o caso de revê-lo, sem pré-conceitos cristãos? (WPC>)