Um proprietário de terras, um político, uma condessa, um general e sua esposa se reúnem em uma mansão e discutem sobre morte, guerra, progresso e moralidade.
Vencedor do Prêmio de Melhor Diretor em uma competição paralela no Festival de Berlim. Achei o filme muito bom, mas confesso que entendo que não deva funcionar com uma grande maioria, me contorcia assistindo querendo participar da conversa, tive vontades descontroladas de bater na mesa e xingar todo mundo com suas visões limitadas transbordando a burguesia alienada que vive em uma realidade paralela. O discurso de Nikolai querendo tratar a morte como algo de um mal no sentido religioso e ignorando completamente a compreensão da natureza sob um contexto geral é patético. Aliás, muito interessante notar como a natureza é ignorada em quase todos os discursos, sendo sobreposta por uma falsa razão de cunho muitas vezes religioso cristão. Eu, que moro na Europa de hoje, talvez tenha gostado tanto do filme por ter escancarado o europeu como ainda são hoje, como lidam e encaram as coisas com sua visão extremamente limitada com valores construídos há seculos com seu eurocentrismo e valores ocidentais como absolutos. Um filme necessário para entender como a Europa pensa hoje, interessante também notar, que apesar do filme se passar no século XIX, há assuntos tratados que passam pelo futuro como o genocídio armênio, e há uma cena que parece misturar tanto a Primeira Guerra quanto a Revolução de 1917. Enfim, achei muito bom e funcionou muito bem para mim. Enrolei para ver por conta dos comentários negativos, mas devia ter visto antes.
Em Malmkrog, Cristi Puiu supervaloriza a obra de Vladimir Solovyov em detrimento da linguagem cinematográfica e produz um filme com mais de 3 horas de duração que nem os defensores de filmes longos serão capazes de argumentar a favor.
Apesar das belas composições visuais formadas pelo posicionamento estático e harmônico dos atores em grande parte das cenas, elas apenas contribuem para as falhas do filme. A direção parece tentar ser tão fiel ao texto que esquece de ser inventiva, beirando ao comodismo. 60% das cenas são compostas por planos abertos e gerais, com os atores se movimentando de forma milimetricamente calculada, fazendo com que o cenário pareça um palco de teatro com lugares marcados no chão. Essa mise-en-scène, apesar de bem pensada, apenas contribui para o afastamento do público com os personagens, tornando a sessão ainda mais torturante.
Os personagens discutem incansavelmente sobre assuntos relacionados à guerra, morte, religião, cultura, entre outros. São temas que certamente não irão interessar a todos, mas até mesmo os aspirantes à filósofos deverão sentir uma certa dificuldade em conseguir acompanhar as discussões. Embora o texto seja impressionante, as atuações neste filme se resumem em longos diálogos, algumas risadas e sorrisos irônicos. Por mais que os personagens estejam comprometidos a defender seus pontos de vista, falta personalidade, expressão e humanidade neles. São intelectuais da alta-classe europeia retratados da forma mais clichê possível: mãos para trás, taças e uma seriedade entediante.
É um equívoco tremendo comparar este filme a qualquer obra de Bergman. Malmkrog não transmite sentimento algum, além da disputa intelectual entre 5 pessoas - o que é muito diferente das películas do diretor sueco. Em alguns momentos é até possível ver os atores desviando os olhares entre si, provavelmente na tentativa de focar em algo para não esquecer sua próxima fala. Portanto, nem mesmo o maior triunfo do filme - os atores - estão isentos de problemas.
Apesar de ser um filme que carrega características intrinsicamente europeias, não consigo considerar uma obra referência deste continente. A Europa é muito mais interessante do que Malmkrog.
3:30 ? de podcast de burguês. é um exercício de paciência. apesar de que 1 hora de plano sequencia no primeiro ato me pegou. Parabéns aos atores. Mas da não. Vi o filme em partes pq. apesar de interessante as conversas elas se estendem demais e eu perdia o foco. Se eu tivesse que assistir esse filme numa sala de cinema ctz eu estaria xingando todas as gerações de parentes do diretor e da produção.
O filme anterior do Puiu, o Sieranevada, mesmo sendo longuíssimo e ultra-verborrágico, foi um barato de assistir. Talvez por falar muito do mundo contemporâneo, esse estilo característico do diretor coubesse, até porque fazia sentido que aqueles personagens tivessem aquelas discussões em família. Esse aqui é muito específico, quase arcaico, e, apesar de ter um roteiro mais sofisticado, não consegue segurar uma duração tão longa em cima desses temas. Falta direção mesmo, falta ritmo, e falta avidez. Não é um filme histórico, mas também não é um filme coloquial. No limbo entre as duas esferas, ele fica meio perdido. Talvez para alguns públicos ele funcione, mas, pra mim, na segunda hora já era algo absurdamente cansativo e que já tinha me perdido, me mantive atento só para ver se viria alguma virada (mesmo que no discurso dos personagens) nova que pudesse melhorar tudo aquilo, mas ela nunca vem.
Vencedor do Prêmio de Melhor Diretor em uma competição paralela no Festival de Berlim. Achei o filme muito bom, mas confesso que entendo que não deva funcionar com uma grande maioria, me contorcia assistindo querendo participar da conversa, tive vontades descontroladas de bater na mesa e xingar todo mundo com suas visões limitadas transbordando a burguesia alienada que vive em uma realidade paralela. O discurso de Nikolai querendo tratar a morte como algo de um mal no sentido religioso e ignorando completamente a compreensão da natureza sob um contexto geral é patético. Aliás, muito interessante notar como a natureza é ignorada em quase todos os discursos, sendo sobreposta por uma falsa razão de cunho muitas vezes religioso cristão. Eu, que moro na Europa de hoje, talvez tenha gostado tanto do filme por ter escancarado o europeu como ainda são hoje, como lidam e encaram as coisas com sua visão extremamente limitada com valores construídos há seculos com seu eurocentrismo e valores ocidentais como absolutos. Um filme necessário para entender como a Europa pensa hoje, interessante também notar, que apesar do filme se passar no século XIX, há assuntos tratados que passam pelo futuro como o genocídio armênio, e há uma cena que parece misturar tanto a Primeira Guerra quanto a Revolução de 1917. Enfim, achei muito bom e funcionou muito bem para mim. Enrolei para ver por conta dos comentários negativos, mas devia ter visto antes.
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Em Malmkrog, Cristi Puiu supervaloriza a obra de Vladimir Solovyov em detrimento da linguagem cinematográfica e produz um filme com mais de 3 horas de duração que nem os defensores de filmes longos serão capazes de argumentar a favor.
Apesar das belas composições visuais formadas pelo posicionamento estático e harmônico dos atores em grande parte das cenas, elas apenas contribuem para as falhas do filme. A direção parece tentar ser tão fiel ao texto que esquece de ser inventiva, beirando ao comodismo. 60% das cenas são compostas por planos abertos e gerais, com os atores se movimentando de forma milimetricamente calculada, fazendo com que o cenário pareça um palco de teatro com lugares marcados no chão. Essa mise-en-scène, apesar de bem pensada, apenas contribui para o afastamento do público com os personagens, tornando a sessão ainda mais torturante.
Os personagens discutem incansavelmente sobre assuntos relacionados à guerra, morte, religião, cultura, entre outros. São temas que certamente não irão interessar a todos, mas até mesmo os aspirantes à filósofos deverão sentir uma certa dificuldade em conseguir acompanhar as discussões. Embora o texto seja impressionante, as atuações neste filme se resumem em longos diálogos, algumas risadas e sorrisos irônicos. Por mais que os personagens estejam comprometidos a defender seus pontos de vista, falta personalidade, expressão e humanidade neles. São intelectuais da alta-classe europeia retratados da forma mais clichê possível: mãos para trás, taças e uma seriedade entediante.
É um equívoco tremendo comparar este filme a qualquer obra de Bergman. Malmkrog não transmite sentimento algum, além da disputa intelectual entre 5 pessoas - o que é muito diferente das películas do diretor sueco. Em alguns momentos é até possível ver os atores desviando os olhares entre si, provavelmente na tentativa de focar em algo para não esquecer sua próxima fala. Portanto, nem mesmo o maior triunfo do filme - os atores - estão isentos de problemas.
Apesar de ser um filme que carrega características intrinsicamente europeias, não consigo considerar uma obra referência deste continente. A Europa é muito mais interessante do que Malmkrog.
Haja saco
3:30 ? de podcast de burguês. é um exercício de paciência. apesar de que 1 hora de plano sequencia no primeiro ato me pegou. Parabéns aos atores. Mas da não. Vi o filme em partes pq. apesar de interessante as conversas elas se estendem demais e eu perdia o foco. Se eu tivesse que assistir esse filme numa sala de cinema ctz eu estaria xingando todas as gerações de parentes do diretor e da produção.
O filme anterior do Puiu, o Sieranevada, mesmo sendo longuíssimo e ultra-verborrágico, foi um barato de assistir. Talvez por falar muito do mundo contemporâneo, esse estilo característico do diretor coubesse, até porque fazia sentido que aqueles personagens tivessem aquelas discussões em família. Esse aqui é muito específico, quase arcaico, e, apesar de ter um roteiro mais sofisticado, não consegue segurar uma duração tão longa em cima desses temas. Falta direção mesmo, falta ritmo, e falta avidez. Não é um filme histórico, mas também não é um filme coloquial. No limbo entre as duas esferas, ele fica meio perdido. Talvez para alguns públicos ele funcione, mas, pra mim, na segunda hora já era algo absurdamente cansativo e que já tinha me perdido, me mantive atento só para ver se viria alguma virada (mesmo que no discurso dos personagens) nova que pudesse melhorar tudo aquilo, mas ela nunca vem.