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Duração
Documenta a vida cotidiana em 12 comunidades e duas Terras Indígenas, localizadas na nossa mais antiga e até hoje maior Reserva de Desenvolvimento Sustentável - um dos poucos tipos de unidade de conservação que, em vez de evacuar os moradores, promove sua educação ambiental. Parte da várzea amazônica, essa região do Médio Solimões se caracteriza por ciclos anuais de cheia e vazante, obrigando a população a adaptar-se à variação no nível das águas, que pode chegar a quinze metros entre a estação seca e a cheia. A vida dos ribeirinhos é documentada sob grande variedade de aspectos, envolvendo pesca, agricultura, culinária, formas de organização comunitária, normas de vida e produção em uma Unidade de Conservação, espécies animais e vegetais protegidas, ameaças de barcos pesqueiros invasores, convivência com pesquisadores e turistas, dando destaque à prosódia e outros traços da cultura regional. O documentário é baseado no encontro da equipe de filmagem com Tito Martins, habitante de Boca de Mamirauá, durante a primeira incursão da equipe à região. Tito é convidado a atuar como guia nos deslocamentos e facilitador de contatos com lideranças comunitárias. No final das filmagens da seca, recebe uma câmera digital para fazer registros da transição para a estação chuvosa, tornando-se apto a realizar registros e narrativas sobre sua região.
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Numa avaliação apressada, talvez convenha reclamar que o filme seja um tanto amorfo em sua apresentação documental, sendo muito válido em termos conteudísticos, mas excessivamente despojado em organização formal. Entretanto, à medida em que concede câmeras aos próprios habitantes das reservas, que passam a compartilhar conosco não apenas seus depoimentos, mas também os seus olhares, o filme cresce bastante. E a entrevista com o pescador que possui uma isca frugívora distinta para cada peixe, ao desfecho, é puro deleite! Um filme necessário no panorama político tenso atual, portanto. (WPC>)