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Data de lançamento
9 Julho 2021Duração
Ainouz se baseou na história de seus pais, Iracema, uma brasileira, e Majid, um argelino, que se conheceram nos Estados Unidos. Eles se separaram em 1965, quando ele retornou à Argélia e ela, ao Brasil, grávida. Karim só conheceu o pai aos 20 anos. O filme é um inventário afetivo dessa relação.
“O Marinheiro das Montanhas” integra a seleção Sessões Especiais da 74ª edição do Festival de Cannes.
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Um documentário admirável, muito íntimo e profundo, bem próximo da poesia.
Não esperava chorar e chorei um bocado!
Me segurei pra não chorar
Eu sou apaixonada pela possibilidade do "e se", e esse filme traz muito disso. Amo docs familiares porque é como se fosse uma memória coletiva pelo olhar do cinema, mesmo que a nossa composição de vida seja diferente.
PS: todo mundo naquela vila tem problema nos olhos né
"Marinheiro das Montanhas" não é apenas um filme; é uma jornada existencial e histórica. Karim Aïnouz, através de sua própria trajetória, nos convida a explorar os laços profundos entre o Brasil e a Argélia. Esta conexão, invisível para muitos, revela-se cheia de ressonâncias políticas e revolucionárias que moldaram ambos os países.
Embarcar neste navio imaginário é confrontar uma miríade de estímulos que desafiam a linearidade da narrativa. A estrutura fragmentada do documentário nos mergulha em um oceano de memórias e sentimentos, onde a compreensão completa é frequentemente substituída por um sentir visceral.
Aïnouz não apenas narra; ele revive. Sua travessia do Mediterrâneo simboliza mais do que uma viagem física; é um reencontro com a ancestralidade. Ao dizer seu nome sem precisar soletrar, ele reivindica um espaço de pertencimento, uma afirmação de identidade que transcende fronteiras geográficas.
A voz suave do diretor, combinada com imagens de arquivo e gravações em super-8, nos transporta para um estado de imersão emocional. Cada frame é uma pincelada na tela da sua vida, costurada com a delicadeza de uma manta de crochê. As histórias dos seus pais, suas lutas e ausências, se entrelaçam num tecido histórico e pessoal que é ao mesmo tempo íntimo e universal.
"Marinheiro das Montanhas" desafia-nos a uma introspecção profunda. Reconstituir os passos dos nossos ancestrais é um ato de coragem e necessidade. Mesmo quando essa busca é dolorosa, ela é essencial para compreendermos quem somos. O documentário nos lembra que a história pessoal está inextricavelmente ligada à história coletiva, e que ambos os âmbitos se alimentam mutuamente.
Aïnouz, ao se expor, nos expõe ao poder transformador do cinema. Sua obra é um testemunho lírico e poético que nos envolve e nos faz refletir sobre nossa própria existência. Ao navegar pelos mares da sua herança, ele ilumina caminhos que muitos de nós relutamos em explorar.
Este filme é uma homenagem a todas as histórias não contadas, às conexões invisíveis e às dores compartilhadas. É um convite para olharmos para trás, não com ressentimento, mas com um desejo de entendimento e reconciliação. E é nesse regresso às nossas raízes que encontramos a força para avançar.
muito bom! a cena da leitura do Fanon foi absurda