Bellocchio se expõe e nos apresenta um bonito retrato sobre as diferentes formas de lidar com a perda de um ente querido. E é absurdamente corajosa a iniciativa do diretor de escancarar um sofrimento tão grande na vida de uma família e, particularmente, na sua própria vida.
Por diversas vezes me vi comovido com a construção da figura de Camillo e a complexidade que sua pessoa transmitia apenas com o olhar. E era um olhar desolado, perdido, sem sentido. Me pegou muito pois mostra que o sorriso por fora de uma pessoa não representa necessariamente o estado psicológico de um ser humano. Ele pode esconder um sofrimento imensurável, profundo, de difícil acesso.
É uma jornada pela história de uma família e acima de qualquer coisa, é uma jornada pela vida de alguém que sofreu, mas que não foi esquecido.
Não é um filme sobre um suicidio. Quer dizer, até é, mas não é só isso. Queria comentar aqui que acho Bellocchio um cineasta impressionante, que admiro muito, e aqui ele provou que consegue ser bom até quando está falando sobre a história da própria família. Taí um filme que ele só conseguiria fazer com um distanciamento histórico do fato, e o que ele faz com a vida do próprio irmão é uma homenagem linda, ao mesmo tempo que é um registro imenso para ele e a família, e fico feliz que ele decidiu dividir esse filme com a gente. Curiosamente, através da sensibilidade com que ele compõe essa espécie de elegia filmada, mesmo sendo um filme com uma melancolia intrinseca à sua própria existência, nessa sessão, eu fiquei com uma nostalgia enorme sobre algo que eu nem vivi, por meio de relatos sobre vidas que nunca terei o menor contato além desse filme, e pessoas que nunca vou conhecer. O poder que o cinema tem é lindo.
Sobre a dor que não se enxerga.
Bellocchio se expõe e nos apresenta um bonito retrato sobre as diferentes formas de lidar com a perda de um ente querido. E é absurdamente corajosa a iniciativa do diretor de escancarar um sofrimento tão grande na vida de uma família e, particularmente, na sua própria vida.
Por diversas vezes me vi comovido com a construção da figura de Camillo e a complexidade que sua pessoa transmitia apenas com o olhar. E era um olhar desolado, perdido, sem sentido. Me pegou muito pois mostra que o sorriso por fora de uma pessoa não representa necessariamente o estado psicológico de um ser humano. Ele pode esconder um sofrimento imensurável, profundo, de difícil acesso.
É uma jornada pela história de uma família e acima de qualquer coisa, é uma jornada pela vida de alguém que sofreu, mas que não foi esquecido.
Não é um filme sobre um suicidio. Quer dizer, até é, mas não é só isso. Queria comentar aqui que acho Bellocchio um cineasta impressionante, que admiro muito, e aqui ele provou que consegue ser bom até quando está falando sobre a história da própria família. Taí um filme que ele só conseguiria fazer com um distanciamento histórico do fato, e o que ele faz com a vida do próprio irmão é uma homenagem linda, ao mesmo tempo que é um registro imenso para ele e a família, e fico feliz que ele decidiu dividir esse filme com a gente. Curiosamente, através da sensibilidade com que ele compõe essa espécie de elegia filmada, mesmo sendo um filme com uma melancolia intrinseca à sua própria existência, nessa sessão, eu fiquei com uma nostalgia enorme sobre algo que eu nem vivi, por meio de relatos sobre vidas que nunca terei o menor contato além desse filme, e pessoas que nunca vou conhecer. O poder que o cinema tem é lindo.