Oscar Cabos, um dos homens mais poderosos do México, foi seqüestrado. Só que seus algozes, Nico e Botcha, pegaram o homem errado. Agora, para conseguir o dinheiro do resgate é preciso que achem o Oscar imediatamente, o que pode representar um problema já que ele foi seqüestrado por seu futuro genro, Jaque. A pessoa que Nico e Botcha seqüestraram é amigo de infância de Cabos e chama-se Nachos que se passava por ele na hora em que foi pego. E o mais incrível é pai de Nico.
Para piorar a situação os dois amigos desesperados contarão com a ajuda de um lutador, Mascarita, e do anão Tony "O Canibal".
Um lutador aposentado, um anão, um espetacular acidente de carro que cai dentro de um dos maiores estádios do mundo, criam situações malucas que afetará todos os personagens em uma só noite.
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A montagem ágil e a roupagem pop tornam tentador associar Matando Cabos ao estilo do Quentin Tarantino, mas me lembrei mesmo foi dos irmãos Coen com seus filmes de criminosos burros e azarados que resolvem fazer coisa errada, topam com indivíduos exóticos a ponto de beirar o surrealismo e acabaram deflagrando um efeito borboleta de desencontros, meio mundo se dando mal no processo, num mix de comédia de humor negro e violência¹. Matando Cabos faz isso de forma redondinha, direção criativa, bom elenco (principalmente o excelente Joaquín Cosío) e aquele turbilhão em que os personagens parecem não fazer a menor ideia do que está acontecendo, mas que o roteiro mantém perfeitamente domesticado, amarrando tudo sem aquele vício estrutural de filme com vários finais.
A única ressalva é que durante um certo tempo de projeção, lá pelo meio, parece faltar ao filme uma eletricidade mais intensa, como se na intenção houvesse chegado o momento de atingir o cume do humor corrosivo e chocante, mas a execução tivesse encontrado dificuldades em segurar o ritmo lá no alto para que o resultado final fosse tão "perverso" como o projeto. Ainda assim, perto do desfecho o filme abandona a flacidez e reencontra a curva crescente e lá se mantém, deixando uma última impressão positiva.
Meio avesso a remakes, reboots e afins, confesso que gostaria de assistir a uma reimaginação desse filme, com um bom orçamento e nova exploração de seu tom, talvez até em formato de série, como Noah Hawley conseguiu em Fargo. O universo de Matando Cabos é perigoso, mas provavelmente vale a pena retornar a ele.
¹Apesar disso, o diálogo mais ao fim sobre como um criminoso se torna um "ever" tem clara inspiração tarantinesca
Ótima produção mexicana que tem comédia, suspense e aventura na medida certa, além de contar com atuações inspiradas em uma trama que prende do início ao fim.Pode ser conferido no catálogo da Amazon Prime.
Divertido! As amarrações são muito boas!
Uma das melhores comédias que já assisti!
Num formato que beira o da comédia pastelão, mesclando-se humorismo cáustico a cenas de violência bruta, este filme constitui-se como uma paródia da forma canônica dos filmes de ação. As influências dos trabalhos de Kubrick (sobretudo de Laranja Mecânica), Jim Jarmusch e Quentin Tarantino são perceptíveis na direção precisa de Alejandro Lozano. A trama labiríntica, que gira em torno do sequestro acidental de Oscar Cabos - um dos magnatas mais poderosos do México - é permeada por ironias, confusões, mau-entendidos e críticas subliminares à elite empresarial mexicana.
A estética do filme equilibra-se muito bem com sua proposta: grande parte das cenas contém em si mesmas o sarcasmo aparentemente despretensioso da forma paródica. O rocambolesco na trama parece ter sido transposto diretamente - e ironicamente - da teledramaturgia mexicana.
Um filme que vale a pena ser visto e que suscita boas risadas de seus espectadores.
3.8 / 5.0