Dirigido por
Duração
A população de Jaguaribara , cidade do interior cearense, distante 162 km de Fortaleza , é obrigada a abandonar sua cidade para dar lugar a construção do Castanhão, açude que vai fornecer água para Fortaleza . A mudança trouxe mais perdas do que ganhos, da velha cidade só restou lembranças.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
É melhor fazer um açude de uma grande área à mostra, ou de grande profundidade? Por óbvio que a resposta não é simples e perpassa pela análise dos objetivos, ciência, impactos ambientais e sociais da construção. Para votos dos governantes responsáveis pelas obras, no entanto, quanto mais faraônico, melhor. São as obras grandes e vistosas que mais chamam atenção do povo e da imprensa, e por isso facilitam o marketing político.
O Açude Castanhão e o impacto social da sua gênese são os temas do documentário Memórias da Chuva. Para construir uma grande barragem que facilitasse o abastecimento de diversas cidades no estado do Ceará que sofriam com a seca sazonal, a população de Jaguaribara teve que ser deslocada para um novo local, uma nova cidade (“Nova Jaguaribara”), visto que a cidade anterior ficaria submersa.
Há no início uma desesperança de que o filme percorra caminhos protocolares demais. As imagens capturadas por drones em enquadramentos plongée (câmera de cima pra baixo) de um local abandonado, mas com quarteirões ainda formados, impressiona, mas há uma transição de gosto duvidoso, com nuvens artificiais aparecendo para revelar o nome do filme e que lembra mais uma estética televisiva dos Anos 90. Sorte que esse mau sinal acabou por aí.
O que vem em seguida são depoimentos e imagens de arquivos que explicam o que ocorreu desde 1985, quando a ideia da construção e remoção dos jaguaribarenses veio à tona, sob um tom político e emocional.
Esta crítica continua no site Tardes de Cinema, seção de Notícias aqui do Filmow.
Meu contato anterior com este realizador, especializado em documentários, foi justamente com um filme ficcional do qual não gostei. Adentrei a sessão mais interessado em acompanhar a discussão temática que nutrindo expetativas cinematográficas. Mas surpreendi-me bastante com a abordagem quase melodramática do roteiro, que retoma imagens capturadas pelos líderes comunitários, quando a remoção das famílias jaguaribarenses foi efetivada. A análise político-histórica é aguda e o desfecho em aberto (visto que o diretor apresenta-nos sege ocorrendo) é certeiro. Estive à beira do cheio em múltiplas situações. Um filme tristíssimo, na demonstração do quão cruel é a especulação imobiliária e a implantação dos interesses dos poderosos, com cacife econômico inversamente proporcional ao das pessoas que perdem os seus pertences domésticos, em situações como aquelas mostradas no documentário. Mexeu comigo, enquanto nordestino. Buscarei a filmografia anterior do cineasta! (WPC>)