O curta não retrata os dois meninos como opostos absolutos, mas como crianças vivendo formas diferentes de abandono. A diferença mais evidente entre eles é a classe social: enquanto um vive em um condomínio cercado de conforto, brinquedos e segurança, o outro cresce nas ruas, exposto à vulnerabilidade e à falta de proteção. Ainda assim, ambos compartilham a mesma solidão. O menino do condomínio aparenta “ter tudo”, porém te falta presença afetiva. Seu pai está fisicamente presente em alguns momentos, mas emocionalmente distante. Já o menino da rua vive rodeado pelos parceiros, mas também sem cuidado ou supervisão adulta. Nos dois casos, existe uma carência de afeto e atenção. Nesse contexto, a cachorrinha se torna um elo emocional. Mais do que um animal, ela representa conexão genuína, carinho e acolhimento, algo que falta na realidade dos dois meninos. É através dela que ambos conseguem demonstrar cuidado e necessidade de afeto, ultrapassando as barreiras sociais que os separam.
A triste realidade dos sem-teto. São invisíveis aos olhos da imensa maioria da sociedade e para muitos deles um cão é uma das poucas amizades (talvez a única sincera) que possam ter. Este do filme é ainda um filhote e não criou os vínculos, mas qdo adultos, são verdadeiramente o melhor amigo, defendendo seu companheiro (nem dá pra dizer dono, porque se tratam com companheirismo) de todo perigo, sendo muitas vezes quem impede uma agressão, a qual moradores de rua estão sujeitos com frequência. O menino do apto, por outro lado tinha boa vida mas não um amigo. Dá pra entender sua carência, bem distinta da do garoto da rua, mas também penosa. Ter coisas não significa ter uma vida feliz. No final, o susto, pois a falta de diálogo para encontrar uma solução para os dois garotos leva a uma situação limite. Filme bem realizado.
As crianças que vivem atrás das grades dos condomínios, com seus quartos repletos de brinquedos, crescem com um pensamento meio distorcido, acreditando que podem ter tudo ou que todas as coisas podem ser compradas. Negar-lhes algo é como tirar-lhes o chão. São mimadas e rejeitam receber um 'não'. Em geral padecem de solidão e, não raro, são portadoras de todo tipo de alergias e fragilidades.
"O Menino do Cinco" é bastante realista ao retratar um encontro infeliz entre um menino de condomínio e um menino de rua. O menino de rua tem um cachorrinho. Ele brinca com outros meninos e, num momento de descuido, o animal ultrapassa as grades do condomínio e o menino que vive ali dentro, pega o animal e se recusa a devolvê-lo. Ele simplesmente se apossa do bichinho e ignora os pedidos do dono.
O menino de rua fica desesperado. Ele estava perdendo o seu companheiro, o bichinho a quem se afeiçoara e que lhe pertencia. O menino do condomínio esconde o animal no quarto. Ele queria aquela novidade em sua vida, um brinquedo novo que ele ainda não possuía e que seu pai não permitiria, pois o menino tinha asma.
Para aquele menino que não recebia negativas, apropriar-se de algo que não lhe pertencia, era natural. Seu pai, inclusive, diante das atitudes extremadas da criança, acaba cedendo e permitindo que fique com o cachorrinho. O menino de rua não tinha ninguém para falar por ele ou defendê-lo, então procurou agir pelos próprios meios.
Assim, o filme caminha para um desfecho polêmico, numa crítica contundente e realista à classe média, que se cerca de razões e direitos e não admite abrir mão de nada, ainda que não lhe pertença ou custe a desgraça dos outros.
Alguns jamais irão se acostumarão com o ter de não ter, por todo a sua existência por mais que tal seja curta ou muito longa sobre o globo terrestre. Sim..., é o ser humano antes tudo ou de quase tudo não é!...
O curta não retrata os dois meninos como opostos absolutos, mas como crianças vivendo formas diferentes de abandono. A diferença mais evidente entre eles é a classe social: enquanto um vive em um condomínio cercado de conforto, brinquedos e segurança, o outro cresce nas ruas, exposto à vulnerabilidade e à falta de proteção. Ainda assim, ambos compartilham a mesma solidão.
O menino do condomínio aparenta “ter tudo”, porém te falta presença afetiva. Seu pai está fisicamente presente em alguns momentos, mas emocionalmente distante. Já o menino da rua vive rodeado pelos parceiros, mas também sem cuidado ou supervisão adulta. Nos dois casos, existe uma carência de afeto e atenção.
Nesse contexto, a cachorrinha se torna um elo emocional. Mais do que um animal, ela representa conexão genuína, carinho e acolhimento, algo que falta na realidade dos dois meninos. É através dela que ambos conseguem demonstrar cuidado e necessidade de afeto, ultrapassando as barreiras sociais que os separam.
A triste realidade dos sem-teto. São invisíveis aos olhos da imensa maioria da sociedade e para muitos deles um cão é uma das poucas amizades (talvez a única sincera) que possam ter. Este do filme é ainda um filhote e não criou os vínculos, mas qdo adultos, são verdadeiramente o melhor amigo, defendendo seu companheiro (nem dá pra dizer dono, porque se tratam com companheirismo) de todo perigo, sendo muitas vezes quem impede uma agressão, a qual moradores de rua estão sujeitos com frequência. O menino do apto, por outro lado tinha boa vida mas não um amigo. Dá pra entender sua carência, bem distinta da do garoto da rua, mas também penosa. Ter coisas não significa ter uma vida feliz. No final, o susto, pois a falta de diálogo para encontrar uma solução para os dois garotos leva a uma situação limite.
Filme bem realizado.
O Brasil em 20 minutos.
As crianças que vivem atrás das grades dos condomínios, com seus quartos repletos de brinquedos, crescem com um pensamento meio distorcido, acreditando que podem ter tudo ou que todas as coisas podem ser compradas. Negar-lhes algo é como tirar-lhes o chão. São mimadas e rejeitam receber um 'não'. Em geral padecem de solidão e, não raro, são portadoras de todo tipo de alergias e fragilidades.
"O Menino do Cinco" é bastante realista ao retratar um encontro infeliz entre um menino de condomínio e um menino de rua. O menino de rua tem um cachorrinho. Ele brinca com outros meninos e, num momento de descuido, o animal ultrapassa as grades do condomínio e o menino que vive ali dentro, pega o animal e se recusa a devolvê-lo. Ele simplesmente se apossa do bichinho e ignora os pedidos do dono.
O menino de rua fica desesperado. Ele estava perdendo o seu companheiro, o bichinho a quem se afeiçoara e que lhe pertencia. O menino do condomínio esconde o animal no quarto. Ele queria aquela novidade em sua vida, um brinquedo novo que ele ainda não possuía e que seu pai não permitiria, pois o menino tinha asma.
Para aquele menino que não recebia negativas, apropriar-se de algo que não lhe pertencia, era natural. Seu pai, inclusive, diante das atitudes extremadas da criança, acaba cedendo e permitindo que fique com o cachorrinho. O menino de rua não tinha ninguém para falar por ele ou defendê-lo, então procurou agir pelos próprios meios.
Assim, o filme caminha para um desfecho polêmico, numa crítica contundente e realista à classe média, que se cerca de razões e direitos e não admite abrir mão de nada, ainda que não lhe pertença ou custe a desgraça dos outros.
Alguns jamais irão se acostumarão com o ter de não ter, por todo a sua existência por mais que tal seja curta ou muito longa sobre o globo terrestre. Sim..., é o ser humano antes tudo ou de quase tudo não é!...