Dirigido por
Duração
Meu Tio da Câmera acompanha 30 anos de filmagens realizadas por Paulo Henriques de sua família em Vitória, uma família capixaba de classe média crescendo no Brasil dos anos 90 e 2000. Na intimidade de sua câmera, é esboçado um panorama político do Brasil a partir da afetividade familiar masculina.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Por algum motivo estranho, soube que este filme não foi bem-quisto, quando exibido em Tiradentes. Porém, dois amigos em cujos gostos confio disseram que acharam o filme muito bom. Deixei para conferi-lo por último, na mostra Olhos Livres, um tanto desconfiado. E fui absolutamente arrebatado pela montagem, pelo modo como o filme progride, na (re)criação daqueles personagens reais, familiares do diretor. Estranhei, incialmente, que a edição optasse ostensivamente por um viés não-linear, mas logo isto faz sentido, nos agrupamentos internos de situações (o crescimento de Henrique, os aniversários dos irmãos, as viagens internacionais, a pandemia, etc.), culminando na surpresa (será mesmo?) da adesão ao bolsonarismo. Sentimos pena, ao invés de raiva, pois simpatizamos com aqueles homens, com o afeto legítimo demonstrado por eles, ao longo de anos e de muita convivência feliz. As brechas de insatisfação comportamental/matrimonial estão lá (a esposa Beatriz reclamando que o dono da câmera não lava sequer as próprias cuecas, por exemplo), mas estas são pontuais, tangenciais, infinitésimas - e, ao mesmo tempo, determinantes para a adesão partidária para a qual aqueles parentes são vinculados (caem na esparrela de venerarem publicamente o "mito", infelizmente) . Filme incrível, que passa muito rápido e, como disse assertivamente o meu co-diretor Fábio Rogério, "era o tipo de produção que eu faria". Com certeza. Maravilhoso e mui corajoso trabalho de reconstrução de arquivos sobre a história íntima de nosso país, em sua cadência mais ao Sul... Amei! (WPC>)