A natureza da memória como local de nascimento e o entendimento das mitologias pessoais. Tanto uma reflexão mística como uma história pessoal, crônica de uma cidade e fantasia proletária pós-freudiana desordenada, Meu Winnipeg mistura mito local com trauma de infância. Tudo narrado pela energia inspirada e normalmente divertida de Maddin. “Encante-me com seu jeito pessoal” foi o pedido do produtor executivo Michael Burns, e a deixa para Maddin explorar o encanto de sua cidade natal. Misturando animação, arquivos de registros e reconstituições, o diretor criou uma extraordinária homenagem visual com a marca do seu estilo original.
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James Hillman, ao tratar da Cidade e da sua Alma, fala do abandono dos significados profundos no espaço público e na vida em comunidade, de modo que o homem permanece solitário em meio a um mundo impessoal e apartado de si:
"Daí, para trabalhar com o inconsciente, para fomentar meu desenvolvimento, meu autoconhecimento e a cura de minha doença, não mais me deixarei levar pelos sonhos, nem caminharei sozinho na natureza ou ficarei trancado num quarto para meditar e analisar ou recordar minha infância, esperando que algo dentro de meu cérebro ou pele se manifeste e me guie. Em vez disso, volto-me para o que simplesmente está aqui, minhas salas e seus objetos, meus conhecidos e suas reações, meus vizinhos e suas preocupações, pois isso expõe o meu Self, pois é disso tudo que sou formado. A interiorização da comunidade significa compreender, observar, dedicar-me ao que realmente me atrai e me enfurece. Esse meio agora é o espelho, e o insight é agora ultraje."
[...]
"A verdadeira vida da cidade é interior."
Dos registros mais estranhos que vi. Achei repetitivo e cansativo, mas, tem uma criatividade textual admirável.
Em meu breve contato com o cinema de Guy Maddin até aqui, ainda não consegui absorver a completitude de seu estilo: O trabalho dele é de longe o pedaço mais avant-garde de cinema que já vi. Nesse documentário (??) de apenas 80 minutos, o diretor traz imagens perturbadoras e por vezes cômicas da cidade que tanto influenciou sua forma de pensar e seu cinema. Um misto de animações bizarras, narração saudosista e um pouco da história de Winnipeg, que resultam em um produto final bastante agradável, ainda que um pouco indigesto
Fragmentos das próprias memórias e um lindo trabalho de se expôr sem se mostrar. Um filme melancólico e tem que ser assim.
Quando o Tarkovsky, o Sergei Eisenstein e o Fritz Lang fazem um "Ménage à artiste" e concebem um "filmebê". hahahahahaha