Nas ruínas de um anfiteatro, nas proximidades de uma cidade italiana, vive Momo, uma pequena garota de origem desconhecida, querida entre seus vizinhos, por sua extraordinária habilidade em ouvir seus problemas e criar brincadeiras divertidas. Esta atmosfera bucólica é desfeita, pela chegada dos Homens Cinzentos, que vem roubar o tempo das pessoas, e contra os quais, Momo irá lutar.
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Da série "livros que li na juventude que nunca imaginei que tivesse adaptação" kkk
Eu não lembro muita coisa da obra, mas do que eu lembro está tudo presente no filme, parece ser uma boa adaptação. Além disso, funciona sozinho também, apresenta todos os temas, aventuras, de forma bem compreensível.
Eu adorei os cenários, os atores, a trilha sonora e a direção de arte. Não é aquela coisa de "Nossa! Que obra prima! Melhor filme já feito ever!!", mas que dá uma sensação gostosa de assistir. Então eu gostei :D
O filme pode ser assistido no youtube através desse link:
https://www.youtube.com/watch?v=7zlmdPtrvX0&feature=youtu.be&list=PLAVWORAqllriok0PnUIFWK9WYic4ECkYd
:)!!!
Momo e a crítica ao capitalismo
Nildo Viana
O filme Momo e o Senhor do Tempo (Johannes Schaaf, Alemanha, 1986), baseada na obra literária infantil homônima, escrita por um dos melhores nomes da literatura infantil, Michael Ende (autor de História sem Fim e outras excelentes obras), trata de uma questão fundamental: o tempo. O tempo que os seres humanos perdem em sua vida e pensam que ganham e não percebem isso, pois é “como uma música, que já não ouvimos porque está sempre tocando”. A sociedade capitalista é fundada no domínio do tempo. Ao contrário de qualquer outra sociedade, o tempo assume um significado fundamental e pode ser resumido na frase, que aparece no filme, como não poderia deixar de ser, “tempo é dinheiro”. A produção de bens materiais (nesse caso específico, mercadorias) é realizada através da produção e extração de mais-valor, que é uma forma específica de exploração baseada no domínio do tempo no processo de trabalho.
O filme tematiza a questão do tempo sob forma metafórica, pois são os “senhores de cinza” que buscam roubar o tempo dos indivíduos. Uma das cenas mais importantes é quando um senhor de cinza faz o cálculo do uso do tempo do barbeiro, colocando o quanto ele gasta tempo com “coisas inúteis” (cuidado da mãe, levar flores para uma mulher, ir ao cinema, etc.). Assim, o filme mostra, metaforicamente, a desumanização e a destruição dos indivíduos por causa do controle do tempo realizado pelo capital (os senhores de cinza) e que as pessoas “não enxergam quem está mandando em seu mundo”. O tempo se torna um problema e seu uso se torna desumanizado e a serviço do capital. Por isso é “tempo roubado”. E outros aspectos derivados disso aparece: consumismo, competição, baixa qualidade de programas televisivos, etc.
O filme também abre espaço para se pensar questões existenciais, opondo um mundo de solidariedade em contraposição ao mundo da busca incessante de “tempo” (lucro). Obviamente que isso tudo aparece metaforicamente e por isso quem fica apenas no plano do universo ficcional verá apenas algo pouco compreensível como os senhores cinzentos, a tartaruga Kassiopeia, Casa de Lugar Nenhum, Mestre Hora, charutos, flor-hora, etc. e uma aventura de uma menina contra os vilões que querem dominar o tempo. Sem dúvida, é um filme que traz uma mensagem fundamental e que expressa elementos que estão presentes no livro no qual é baseado. Essa adaptação cinematográfica não deve ser comparada com a obra literária, pois são duas formas de arte diferentes e dizer que o livro tem mais riqueza é um truísmo, já que se fosse filmado o conjunto do que está nele seria produzir um filme de dezenas de horas. E nenhum cineasta faria, pois não teria “tempo” (dinheiro) e nem o público para assistir uma obra assim. O filme consegue trazer elementos essenciais da obra literária e, mesmo que pudesse ter trazido alguns elementos a mais, repassou o fundamental da mensagem que estava na obra literária e produziu uma excelente obra cinematográfica. Um filme humanista e axionômico, como poucos, e assim mostra sob forma ficcional uma questão fundamental de nossa época.
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Blog Cinema e Sociedade - Breves Análises Fílmicas
Ao contrario do dispensável (e quase ofensivo para quem leu o livro) História Sem Fim, esta adaptação Ítalo-germânica é uma adaptação quase perfeita da obra do Michael Ende. Mesmo tendo por vezes uma Produção simples, os atores incorporam muito bem os personagens, especialmente a pequena Radost Bokel no papel de Momo.
O mais legal é saber que a pessoa que esta no trem no inicio do filme e para quem a história é contada é o próprio Michael Ende.
tentando encontrar pra baixar, mas não consigo