Taranto é uma cidade fantasma em que ninguém se atreve a entrar. Os mais pobres lutam pela sobrevivência, enquanto as gangues competem por território. Dois órfãos de treze anos, que cresceram juntos, sonham em entrar para uma das gangues.
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Mesmo que o filme tenha como base uma pegada meio apocalíptica e distópica, o grande destaque fica por conta de elementos tradicionais, como a simples simbiose da dupla protagonista e a fotografia, eu particularmente achei lindo o tom amarelado do filme.
Mas o roteiro, é não apenas superficial, mas completamente chato, sem um envolvimento. Você vai acompanhando os dois visitarem vários arcos e lugares, e você simplesmente se pergunta o que é tudo aquilo à volta, não há uma maior explicação. O olhar e passeio perdido deles se torna o nosso. A busca pela sobrevivência, misturada com inocência mas também com um instinto malicioso, eleva a amizade dos dois a ponto de nos fazer manter o interesse, mas fora isso o que sobre é um punhado de cenas onde mostra o poder das hierarquias em ambientes hostis, os recursos escassos, e a insalubridade das locações como ambientes onde se dá todo o cenário do filme.
A grande questão aqui é que tudo ficou ao mesmo tempo aleatório e mal desenvolvido. Não se tem, por exemplo, os vilões centrais, ou uma trama bem delineada, é como jogar um RPG de ambiente aberto e vai-se desbravando os lugares mais insólitos possíveis.
Diante de tudo isso, o tom épico cede lugar a uma enxurrada de esquetes mal conectadas entre si, como se fossem produzidas por devaneios, e só servem mesmo para contemplarmos a multifacetada amizade dos garotos. As cenas de ação, então, tornam-se burocráticas demais, feitas para dar uma movimentada naquilo que já nasce vazio.
Eu sinceramente optaria por um clima um pouco mais contemplativo e explorava mais a relação dos meninos. O final devastador mostra a crueza por essa luta pela sobrevivência, e sendo uma decisão corajosa, é um dos acertos do filme, que não é de todo ruim.