Infelizmente, ao apreciar este filme, terei de cometer uma infração inorgânica: separar a parte do todo. Por que isso? Porque, conteudisticamente, o filme é belíssimo. Além de o diretor/protagonista ser fisicamente lindo, o que ele mostra-nos é lindo também. Sua família é linda, sua residência é linda, o que ele ouve é lindo, o que ele vê é lindo, o que ele faz é lindo... Porém, ao converter isso em filme de resistência e sobrevivência, uma aparência de "manual de convivência do jovem místico" se instaura. Por mais lindo que tudo seja, faltou alguma leveza na montagem, apesar de dois instantes de sumo brilhantismo: quando uma ignominiosa notícia de telejornal (o espancamento de uma mulher negra por policiais) irrompe na tela; e quando, ao lavar as fraldas de sua filha, o diretor percebe que está sendo "observado" e filma, com o seu celular. Seguem-se diversas imagens, disseminadas via redes sociais, de gente que faz da vida uma festa, à sua maneira. A maioria, negros, obviamente. Felizmente. Enquanto resumo tudo isso, fico ainda mais encantado por tudo o que o Gabriel Martins filmou e feliz que ele possua a graça de tamanho oásis, devidamente reverenciado via áudios de WhatsApp ("as contas estão paga, temos comida, etc."), mas.... Enquanto filme, estranhamente desgostei. Como isso pode ser um efeito colateral de minha espectatorialidade colonizada, atrever-me-ei a defender e recomendar o curta-metragem com todo fervor. Ainda que, em mim, tenha causado um desconforto que não foi necessariamente político. Foi de percepção de um 'status quo' paralelo, que também possui seus meandros impositivos, tão qual o oficial. Mas sigamos: esta poesia audiovisual requer revisões e debate! <3 (WPC>)
Infelizmente, ao apreciar este filme, terei de cometer uma infração inorgânica: separar a parte do todo. Por que isso? Porque, conteudisticamente, o filme é belíssimo. Além de o diretor/protagonista ser fisicamente lindo, o que ele mostra-nos é lindo também. Sua família é linda, sua residência é linda, o que ele ouve é lindo, o que ele vê é lindo, o que ele faz é lindo... Porém, ao converter isso em filme de resistência e sobrevivência, uma aparência de "manual de convivência do jovem místico" se instaura. Por mais lindo que tudo seja, faltou alguma leveza na montagem, apesar de dois instantes de sumo brilhantismo: quando uma ignominiosa notícia de telejornal (o espancamento de uma mulher negra por policiais) irrompe na tela; e quando, ao lavar as fraldas de sua filha, o diretor percebe que está sendo "observado" e filma, com o seu celular. Seguem-se diversas imagens, disseminadas via redes sociais, de gente que faz da vida uma festa, à sua maneira. A maioria, negros, obviamente. Felizmente. Enquanto resumo tudo isso, fico ainda mais encantado por tudo o que o Gabriel Martins filmou e feliz que ele possua a graça de tamanho oásis, devidamente reverenciado via áudios de WhatsApp ("as contas estão paga, temos comida, etc."), mas.... Enquanto filme, estranhamente desgostei. Como isso pode ser um efeito colateral de minha espectatorialidade colonizada, atrever-me-ei a defender e recomendar o curta-metragem com todo fervor. Ainda que, em mim, tenha causado um desconforto que não foi necessariamente político. Foi de percepção de um 'status quo' paralelo, que também possui seus meandros impositivos, tão qual o oficial. Mas sigamos: esta poesia audiovisual requer revisões e debate! <3 (WPC>)