No coração da selva tailandesa, uma história de amor entre um fotógrafo capturado por índios selvagens e a filha do chefe da tribo. Quando decidem se casar, ele terá de cumprir rituais sexuais em piras funerárias e outros costumes. E, pior: terá que liderar a guerra contra uma tribo rival!
Aventura sensacionalista que deu origem ao infame "ciclo de filmes de canibais" do cinema italiano, gerando obras populares como "Cannibal Ferox" e "Cannibal Holocaust".
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Assisti pela 1ª vez na adolescência em DVD e lembro-me de ter achado muito maçante. Agora, após revisitar, considero um bom filme embora seja meio parado em alguns momentos. A trilha sonora é muito boa e o Ivan Rassimov se saiu bem como o protagonista.
Filme do professor Lenzi de beleza exótica explorando literalmente muitas situações vistas em Mondo Cane , e muitos costumes que causam repúdio extremo nos dias de hj.
Bem chato. Está mais para aventura do que terror. Fora isso, diversas cenas gratuitas de exploitation, que já são comuns ao gênero.
Quantos filmes pioneiros de um gênero podem dizer que iniciam com imagens tão definidoras de sua essência tal como um fotógrafo de olhos assanhados, recém chegado na Tailândia? Mas... ao mesmo tempo, quantos desses filmes têm a "proeza" de desperdiçar todas essas possibilidades?
Quero dizer, ao contrário de diversas outras obras inauguradoras de gênero, Lenzi já abre as portas dos longas de canibais tendo muita consciência de quais seriam as características mais potentes desse tipo de imagem. Entretanto, infelizmente, faz isso sem saber como desenvolvê-las, acabando, até mesmo, por chafurdar em incoerência.
No seu auge, organiza-se toda essa abjeção do exploitation com grande competência, enfia-se no meio do mato e filma suas imagens apelativas articulando-as como uma ontologia anti-antropológica. Daí aquela junção de imagens provinda de uma convulsão de lembranças do protagonista que vão dos tailandeses lutando box às cobras da selva, à tortura dos nativos, às baratas, ao assassinato que ele mesmo cometeu... Isto é, vê-se a abjeção como o único esperanto possível entre diferentes culturas; como aquilo que há de mais imanente na natureza (c.f. as imagens criminosas de violência animal) e, por isso mesmo, como aquilo que expõe a impossibilidade de se identificar com o outro (c.f. a cômica cena do tailândes tomando whisky).
Mas isso é um ponto muito mais flertado do que consumado, pois, ao final, tudo descamba em contradição no momento que Lenzi, sem mais nem menos, pensa que, apesar de filmar tudo do modo mais abjeto possível (toda a exploração explícita da produção com os animais, com aquele povo, com sua representação distorcida...), pode traduzir hipocrisia em flores. Daí todo o drama à la Pocahontas sem menor fundamento, deixando um ar de cinismo e falsidade que, surpreendentemente, sequer parece consciente de si mesmo.
Ora, quanta falta de autoconsciência é necessária para se filmar uma cabra sendo decapitada e uma borboleta como símbolo lírico numa mesmíssima cena... de parto!?
Apesar de toda uma pré-organização fundamental em relação ao que há de melhor no gênero, o que se vê ao final da experiência são imagens tolas que contrastam com um começo tão interessante. Quando o helicóptero deixa de ser filmado como um símbolo de resgate e se transforma num objeto estranho ao protagonista — agora, aconchegado à selva —, a hipocrisia do cineasta já deixou de ser abjeção potente e se tornou mera nulidade.
Esse é considerado o filme que deu o pontapé inicial pro ciclo de cinema canibal Itáliano, apesar de levar essa fama, ele é bem leve se comparado aos outros, talvez ainda cause um choque pelo fato de estar lotado de cenas de mortes reais de animais. No mais é um bom filme de aventura na selva, temos somente uma cena de canibalismo ao decorrer do filme.