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Duração
Belo Horizonte. Ela desceu pro parque, mas não havia nada. Havia um funk que nunca começava. E cotovelos que quase se encostaram. O olho já não servia pra muita coisa ali.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
Tive o sumo prazer de conhecer pessoalmente o realizador desta pequena jóia denuncista, alguém que eu já admirava, por conta de seus textos sempre mui assertivos no apontamento de questões ocultas naquilo que é exposto, de discursos imiscuídos nas estratégias disfarçantes dos gêneros cinematográficos. Quando eu soube desta sua incursão directiva, pressenti que as questões antirracistas e a subversão lingüística estariam presentes. Tal como uma versão tropical, masculina e igualmente sensível da Marguerite Duras, isso de fato acontece, mas através de uma "pista falsa", de uma abertura que promete um encontro amoroso, afinal interrompido pela violência policial, escancarada em múltiplos ângulos, nas fotografias que compõem a obra. A narração mantém o seu tom afetivo, mas os ecos progressivos, a duplicação das frases, convidam-nos a observar as bordas de imagem e banda sonora com muito mais atenção. Ao término da sessão, saímos transformados: o que ocorreu em tela acontecerá novamente, mas não perceberemos da mesma maneira omissa, não nos atrevermos a permanecer coniventes, para além dos anseios em primeiro plano. Uma aula de reeducação do olhar: curto e efetivo, mas com variegados recomeços... (WPC>)