Escritores e estudiosos chineses de destaque se reúnem em uma vila em Shanxi, uma província da China e cidade natal de Jia Zhang-Ke. Isso inicia uma sinfonia de 18 capítulos sobre a sociedade chinesa desde 1949. Narrado por três importantes romancistas nascidos nas décadas de 1950, 1960 e 1970, respectivamente, contando suas próprias histórias com literatura e realidade, o filme tece uma história espiritual de 70 anos do povo chinês.
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Queria passar aqui pra dizer que eu revi e não poderia estar mais errado no comentário abaixo. Filme lindo demaissssssssss, e nessa revisão eu pude refletir muito melhor sobre a estrutura do filme em termos de contar a história da china em paralelo ao que esses personagens contam sobre as próprias histórias. Todos são apaixonantes demais, e o filme segura as 2 horas como poucos documentários do Jia fizeram. É daqueles filmes sobre as pessoas, as relações humanas, as reações que cada um tem com a câmera que os registra, e um cinema-de-ternura que poucas pessoas sabem fazer de verdade (me lembrou muito o Coutinho, saudades demais). Enfim, talvez seja um filme que necessite um humor específico para funcionar, que eu não tinha quando vi pela primeira vez 4 meses atrás. Ou talvez seja daqueles que vai crescendo a medida que você revê. De qualquer forma, não sei dizer, só sei que passei a amar!
Dos documentários do Jia, que costumam ser brilhantes, acho que esse aqui destoa um pouco - em forma, estética... É mais convencional que o fomos condicionados a esperar dele, embora não seja, exatamente, um doc comum. Não seria um problema, se o filme compensasse em outros aspectos, como ritmo, que não é lá dos melhores. Mas como todo filme dele, segue interessantíssimo, e bonito demais.
Fiquei curiosa porque achei digitando nome errado de musica no google, Agora vou ver só por isso
Adentrei a sessão sem saber do que se tratava: bastava saber que é do Jia Zhang-Ke. E adorei o que vi: é como se ele estivesse aplicando tematicamente aquilo que sempre abordou em suas maravilhosas obras de ficção histórica. Os conflitos entre modernidade e tradição, numa conjuntura de pós-Revolução Cultural na China. E de contínua (e problemática) transição frente à reabertura para o Capitalismo. Como tal, o cineasta escolheu como porta-vozes três importantes escritores de seu País, que narram a relevância do cotidiano em suas obras nostálgicas. As situações envolvendo os depoimentos emocionados e emocionantes na última dos três são incríveis. A ponto de estender-se por vários capítulos e abarcar mais de um familiar, inclusive seu filho adolescente. Linda demonstração do quão importante é a Literatura enquanto apoio mnemônico e emocional. E histórico também, repito. Lindo filme! Tem um ritmo um tanto dificultado pela especificidade de alguns eventos nacionais (o diretor rejeita o didatismo, conforme sabemos), mas, ao final, deslumbra-nos! (WPC>)
Além de fazer um paralelo entre a vida de pessoas comuns e a dificuldade de contexto vivida por cada um, o filme também explora a cultura e a política na China pós 1949 e a influência causada em cada um pelos acontecimentos que se sucederam. Como resultante, explora minuciosamente o âmago sentimental ocasionados por essa constante mutação nacional que vive o povo chinês.
“Nadando Até o Mar se Tornar Azul” é um resgate à memória chinesa do ponto de vista sempre humanista, sutil e sociopolítico de Jia. Poucos conseguem retratar as realidades de sua nação como Jia o faz em seus filmes.