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Neste documentário autobiográfico, Silvio Tendler percorre sua vida lembrando dos movimentos ao qual fez parte durante a ditadura e nos mostra que a luta ainda continua. Este filme mostra sua motivações para as obras produzidas e seus anseios diante a sociedade.
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Antes de adentrar a sessão, sem saber nada sobre o tema do filme e considerando que eu não tinha gostado muito dos últimos filmes do Silvio Tendler, demonstrei um errôneo preconceito quanto ao seu automatismo documental contemporâneo. Paguei a língua: o filme é um belíssimo acerto de contas com o próprio passado do realizador, um animado filme-memória, ressaltando a importância de manter-se alegre durante os atos de resistência. Entremeando as imagens e entrevistas, há intertítulos mui pessoais, em que o diretor reforça que não há espaço para a desesperança em suas obras, muito menos na conclusão das mesmas. De maneira assumidamente ingênua, ele fala sobre a sua vida familiar e sobre a sua trajetória profissional e de viagens sem se culpar por seus privilégios de classe ou por ter tido a honra de conhecer pessoas como Chris Marker, Jean Rouch, Joris Ivens e Patricio Guzmàn: eles apenas compartilha conosco o seu entusiasmo e demonstra que sua passagem pela Terra foi repleta de atividades relevantes, não apenas para si mesmo como para a crença na aplicação de um Socialismo em direção à liberdade. O diretor é tão defensor das possibilidades concretas do Socialismo, relegadas permanentemente às condições de ideal utópico, que, acidentalmente, refere-se à queda do Muro de Berlim como a abertura ao fracasso, no sentido de que, a partir daquele feito histórico, o Capitalismo destroçou por completo o comunismo. As suas histórias de vida são ótimas e riquíssimas em experiências artísticas, mas ele insiste em declarar o amor por suas namoradas e amigos, em passagens que demonstram o quão fofo e merecedor do apelido adolescente de "boi gamado" ele é. Tive o privilégio de assistir ao filme na véspera de seu aniversário de 74 anos, o que foi uma coincidência feliz, uma das muitas elencadas no roteiro, visto que o diretor tem consciência do quanto o Acaso foi fundamental em sua vida. O material de arquivo que ele felizmente acumulou é magistral, bem como a sua verve atuante, a sua sede de produzir e de transformar a realidade (para melhor) mediante o conhecimento das situações históricas. Incrivelmente ótimo: saí da sessão emocionado e motivado, além de pessoalmente apaixonado pela pessoa-Tendler. Que cara apaixonante e cheio de vida, amei! (WPC>)