Nénette e Boni foram criados separados porque seus pais eram divorciados. Boni trabalha em uma pizzaria para um casal intrigante quando sua irmã foge da escola e de repente reaparece. Os dois agora terão que se redescobrir.
quando o pai fala que a mãe não tinha interesse nele, tudo bem. mas aí ele fala sobre a mãe ter no boni. era interesse de mãe, sobre passar o tempo e cuidar do filho, ou interesse do tipo abuso?
o final do bono invadindo o hospital e pegando o sobrinho pra criar, foi fantasia também, certo? no final a irmã desiste da doação e até o suposto momento eles estão criando eles juntos? ou ele levou ele pra casa sozinho?
A câmera como sempre uma intrusa, invadindo a liberdade dos corpos e nos propondo uma visão nova de ângulos conhecidos. A diretora revisitou o assunto mais tarde em 35 Doses de Rum quando a história girava em torno de pai e filha
Claire Denis é uma das cineastas mais brilhantes e injustiçadas da atualidade. Acho, aliás, bastante improvável que alguém consiga filmar esses corpos conturbados de maneira tão íntima e excepcional como ela o faz. Este aqui é cheio de cenas inesquecíveis.
O filme é um verdadeiro exercício de montagem, e dos melhores. Claire Denis é uma cineasta e tanto, pena que é pouco reverenciada como merece.
Aqui, ao contar a história desses dois irmãos, o filme se coloca entre ambos de uma forma bastante imparcial. Cada um da sua forma, tem suas próprias razões que justificam seus atos. A medida que o filme avança, e a relação dos dois começa a se aprofundar, e começamos a entender como funciona a mente de Nenette e de Boni, o filme começa a fazer sentido. A quase obsessão que Boni tem pela personagem de Valeria Bruni Tedeschi é uma coisa que ele mesmo criou. As cenas em que o personagem praticamente reverencia a mulher, colocando-a em situações imaginárias, são soberbas. A conversa dos dois personagens à mesa, em um encontro "casual" é outro exemplo que confirma o primoroso trabalho de edição desse filme. Primeiramente, vemos ela, e a forma com que ela gesticula, fala, lança olhares, as coisas que fala e os assuntos que entra, para, em seguida, observarmos por meio da expressão praticamente congelada de Boni o tamanho de seu fascínio.
O filme talvez falhe na apresentação da irmã, Nenette no sentido de identificação narrativa, já que, do início ao fim, a mente perturbada de Boni é o grande pedaço interessante do roteiro. A irmã, por sua vez, representa uma primordial forma para conhecermos um pouco mais do irmão (e sua relação com o próprio pai). O final, e o que Boni faz ali, que o diga. E como disseram aqui abaixo: que filme bonito! A tensão colocada ali em todos os momentos, que nos faz pensar que vai acontecer algo sexualmente não aceito pela sociedade, a qualquer momento, culmina num final com uma carga até surpreendente de "ternura". Apesar da frieza.
Duas coisas que fiquei verdadeiramente na dúvida
quando o pai fala que a mãe não tinha interesse nele, tudo bem. mas aí ele fala sobre a mãe ter no boni. era interesse de mãe, sobre passar o tempo e cuidar do filho, ou interesse do tipo abuso?
o final do bono invadindo o hospital e pegando o sobrinho pra criar, foi fantasia também, certo? no final a irmã desiste da doação e até o suposto momento eles estão criando eles juntos? ou ele levou ele pra casa sozinho?
A câmera como sempre uma intrusa, invadindo a liberdade dos corpos e nos propondo uma visão nova de ângulos conhecidos. A diretora revisitou o assunto mais tarde em 35 Doses de Rum quando a história girava em torno de pai e filha
Claire Denis é uma das cineastas mais brilhantes e injustiçadas da atualidade. Acho, aliás, bastante improvável que alguém consiga filmar esses corpos conturbados de maneira tão íntima e excepcional como ela o faz. Este aqui é cheio de cenas inesquecíveis.
Só não foi cinco estrelas porque faltou o incesto.
O filme é um verdadeiro exercício de montagem, e dos melhores. Claire Denis é uma cineasta e tanto, pena que é pouco reverenciada como merece.
Aqui, ao contar a história desses dois irmãos, o filme se coloca entre ambos de uma forma bastante imparcial. Cada um da sua forma, tem suas próprias razões que justificam seus atos. A medida que o filme avança, e a relação dos dois começa a se aprofundar, e começamos a entender como funciona a mente de Nenette e de Boni, o filme começa a fazer sentido. A quase obsessão que Boni tem pela personagem de Valeria Bruni Tedeschi é uma coisa que ele mesmo criou. As cenas em que o personagem praticamente reverencia a mulher, colocando-a em situações imaginárias, são soberbas. A conversa dos dois personagens à mesa, em um encontro "casual" é outro exemplo que confirma o primoroso trabalho de edição desse filme. Primeiramente, vemos ela, e a forma com que ela gesticula, fala, lança olhares, as coisas que fala e os assuntos que entra, para, em seguida, observarmos por meio da expressão praticamente congelada de Boni o tamanho de seu fascínio.
O filme talvez falhe na apresentação da irmã, Nenette no sentido de identificação narrativa, já que, do início ao fim, a mente perturbada de Boni é o grande pedaço interessante do roteiro. A irmã, por sua vez, representa uma primordial forma para conhecermos um pouco mais do irmão (e sua relação com o próprio pai). O final, e o que Boni faz ali, que o diga. E como disseram aqui abaixo: que filme bonito! A tensão colocada ali em todos os momentos, que nos faz pensar que vai acontecer algo sexualmente não aceito pela sociedade, a qualquer momento, culmina num final com uma carga até surpreendente de "ternura". Apesar da frieza.
Confesso que esperava que Boni fosse fazer alguma coisa com o bebê antes dos créditos subirem, e acho que a intenção era essa mesmo.